Por Luis Nassif – transcrito do Jornal GGN
O caso Master marca a volta do jornalista-sela – que se deixa cavalgar pelas fontes. Repassam os releases sem nenhum filtro crítico.

Cansei de alertar sobre o óbvio: a campanha contra o Supremo Tribunal Federal, usando como alvos Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, era o caminho aberto para a Lava Jato 2. Mas a ignorância, a incapacidade de não prever as consequências, não é atributo apenas da velha mídia. Pessoas que se jactam de analisar cenários foram incapazes de enxergar dois lances adiante.
O quadro está aí:
- Dias Toffoli foi substituído por André Mendonça.
- Afastaram os peritos da Polícia Federal que não faziam parte da patota da Lava Jato. Ficaram os mesmos responsáveis pelos primeiros vazamentos.
- Delegados pediram – e André Mendonça concordou -, a quebra do sigilo bancário de Lulinha.
- Aproveitando o embalo, a tal CPI do INSS, insuflada por Rosângela Moro, pede não menos do que a prisão de Lulinha.
Baseados em quê? Em uma suposta ligação com o tal careca do INSS. Em uma suposta viagem bancada pelo tal Careca.
Quem conhece Lulinha diz que ele tem apenas uma conta no Banco do Brasil, e um fundo de previdência onde pinga contribuições mensais de pequena monta. E daí? Assim como na Lava Jato 1, o que vai importar será a denúncia, não o fato objetivo.
Todo o enorme emaranhado do Master – que será maior quando começar a destrinchar a RAEG – ficará à disposição de quem tem acesso prioritário aos dados. Caberá a essas fontes selecionar os escândalos, os personagens, definir o ângulo a ser coberto, dar o encaminhamento à cobertura. Da mesma forma que fizeram com a Lava Jato.
Em plena Lava Jato, por exemplo, a Associação Brasileira do Jornalismo Investigativo (Abraji) oficializou o release, oferecendo seus associados como colaboradores da operação. Quando apareceu a operação Spoofing, a mídia constatou o maior vexame jornalístico da história, como se tornou um mero apêndice da polícia, endossando as maiores barbaridades factuais.
Mas não houve a autocrítica, a justiça de transição. E o caso Master marca a volta do jornalista-sela – aquele que se deixa cavalgar pelas fontes. Repassam o que as fontes dizem, sem nenhum filtro crítico, para manter vivo o fluxo de vazamentos.
É bobagem esperar dos jornais qualquer movimento pela qualidade, qualquer filtro editorial, qualquer orientação editorial ou planejamento para uma cobertura madura. O país continuará à mercê dos golpes midiáticos, com a mesma facilidade que marcou toda sua história.
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