Por Luis Nassif – transcrito do Jornal GGN

O caso Master marca a volta do jornalista-sela – que se deixa cavalgar pelas fontes. Repassam os releases sem nenhum filtro crítico.

Cansei de alertar sobre o óbvio: a campanha contra o Supremo Tribunal Federal, usando como alvos Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, era o caminho aberto para a Lava Jato 2. Mas a ignorância, a incapacidade de não prever as consequências, não é atributo apenas da velha mídia. Pessoas que se jactam de analisar cenários foram incapazes de enxergar dois lances adiante. 

O quadro está aí:

  1. Dias Toffoli foi substituído por André Mendonça.
  2. Afastaram os peritos da Polícia Federal que não faziam parte da patota da Lava Jato. Ficaram os mesmos responsáveis pelos primeiros vazamentos.
  3. Delegados pediram – e André Mendonça  concordou -, a quebra do sigilo bancário de Lulinha.
  4. Aproveitando o embalo, a tal CPI do INSS, insuflada por Rosângela Moro, pede não menos do que a prisão de Lulinha.

Baseados em quê? Em uma suposta ligação com o tal careca do INSS. Em uma suposta viagem bancada pelo tal Careca.

Quem conhece Lulinha diz que ele tem apenas uma conta no Banco do Brasil, e um fundo de previdência onde pinga contribuições mensais de pequena monta. E daí? Assim como na Lava Jato 1, o que vai importar será a denúncia, não o fato objetivo.

Todo o enorme emaranhado do Master – que será maior quando começar a destrinchar a RAEG – ficará à disposição de quem tem acesso prioritário aos dados. Caberá a essas fontes selecionar os escândalos, os personagens, definir o ângulo a ser coberto, dar o encaminhamento à cobertura. Da mesma forma que fizeram com a Lava Jato.

Em plena Lava Jato, por exemplo, a Associação Brasileira do Jornalismo Investigativo (Abraji) oficializou o release, oferecendo seus associados como colaboradores da operação. Quando apareceu a operação Spoofing, a mídia constatou o maior vexame jornalístico da história, como se tornou um mero apêndice da polícia, endossando as maiores barbaridades factuais.

Mas não houve a autocrítica, a justiça de transição. E o caso Master marca a volta do jornalista-sela – aquele que se deixa cavalgar pelas fontes. Repassam o que as fontes dizem, sem nenhum filtro crítico, para manter vivo o fluxo de vazamentos.

É bobagem esperar dos jornais qualquer movimento pela qualidade, qualquer filtro editorial, qualquer orientação editorial ou planejamento para uma cobertura madura. O país continuará à mercê dos golpes midiáticos, com a mesma facilidade que marcou toda sua história.

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