Joe Strummer & The Mescaleros fizeram este cover ensandecido de “Blitzkrieg Bop”, clássico arrasa-quarteirão dos Ramones. A canção saiu como faixa bônus no álbum Streetcore, lançado após a morte de Strummer. O disco é o terceiro e derradeiro do vocalista com os Mescaleros e foi lançado em 21 de outubro de 2003.

O trabalho foi concluído após a morte de Joe Strummer, ocorrida em dezembro de 2002, quando ele tinha 50 anos. O disco foi finalizado graças ao empenho de seus companheiros de banda Martin Slattery e Scott Shields.

Vocalista e guitarrista do lendário The Clash, um dos expoentes do punk rock, Strummer também integrou o grupo The 101ers, passou rapidamente pelos Pogues e teve nos Mescaleros seu último refúgio.

Depois que o The Clash pendurou as guitarras, em 1985, Joe Strummer começou a redesenhar sua rota como astro do rock. A fase, que durou cerca de cinco anos, foi definida pelo próprio cantor como “anos selvagens”. Foi um período complicado para ele. O único disco solo, “Earthquake Weather” (1989), com a banda Latino Rockabilly War, fracassou totalmente e pôs fim ao contrato com a gravadora Sony.

Strummer consumiu parte dos tais anos selvagens numa batalha judicial com o selo Epic Records. A disputa incluía os direitos pela obra do The Clash, situação que contribuiu para deixar Strummer ainda mais introspectivo.

O trabalho com The Mescaleros significou um último voo criativo de Strummer. O primeiro fruto da parceria saiu com o título de “Rock Art and the X-Ray Style” (1999), um disco que reunia reggae, world music e um regresso ao som primitivo que celebrizou The Clash.

Em entrevista de 1999 à revista Classic Rock, em que foi comparado a um “Bob Dylan ou Johnny Cash britânico”, Strummer fez um comentário revelador sobre a fama e a vida de rockstar nos tempos de The Clash.

“Uma das razões pelas quais o The Clash terminou era porque vimos como o The Who estava no fim de sua união. Era uma cena ruim. Você rapidamente se torna nada. Eu aproveitei minha vida porque tive que lidar com todos os tipos de coisas, das falhas ao sucesso, até as falhas de novo. Isso me tornou uma pessoa melhor. Não acho que faça sentido ser famoso se você é um babaca, ou se você perde a coisa sobre ser um ser humano. Porque você não vai ser feliz vivendo em alguma mansão em algum lugar”, falou o cara que personificou a rebeldia ruidosa de uma das mais importantes bandas da era pós-Beatles.

(Com informações da Rolling Stone, O Globo e Bizz)

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