POR GERSON NOGUEIRA

Nome respeitado na América do Sul, com currículo celebrado mais pelas ideias do que por conquistas, Juan Carlos Osório tem enfrentado com estoicismo a oposição cada vez mais ruidosa da torcida do Remo. Na quarta-feira, porém, após o empate com o Inter, tomou uma sonora vaia dos 26 mil espectadores da partida e carregou para a entrevista coletiva um azedume que até então não havia demonstrado.
Bombardeado por questões como um certo menosprezo pela função de lateral esquerdo, ele voltou a enfatizar que prefere trabalhar com zagueiros posicionados, à esquerda ou à direita. E justificou: a razão maior é buscar corrigir falhas frequentes em bolas aéreas. Em resumo, mais zagueiros significam maior probabilidade de segurança antiaérea.
Enumerou os gols sofridos contra Vitória, Mirassol e Atlético-MG, todos em cruzamentos sobre a área, e afirmou que a responsabilidade de evitar a repetição dessas falhas é inteiramente dele. Por esse motivo, explicou, optou pela escalação dos laterais João Lucas e Marcelinho na direita.
O fraco resultado da estratégia não inibiu Osório perante os repórteres. Disse que não escala jogadores por vaidade, mas porque prepara o time para não perder. Defendeu a rotatividade de zagueiros, citando o exemplo de Sérgio Ramos, nos tempos de Real Madrid.
Esqueceu que Ramos iniciou carreira atuando pelos lados do campo, o que facilitou sua adaptação à lateral direita do time merengue quando foi escalado por ali. Ao mesmo tempo, não explicou o uso de quatro zagueiros de uma só tacada, como no jogo contra o Águia, em Marabá.
A discussão ali travada virou um duelo verbal entre conceituações diferentes sobre futebol. Há inegável mérito nas ideias de Osório, que conflitam com moldes táticos antigos, mas é necessário que essas propostas sejam validadas por resultados. Futebol, afinal de contas, é um jogo.
Quando pratica com gosto o rodízio de jogadores, por exemplo, ele fecha os olhos para características desiguais no elenco remista. Nem todos os atletas têm o mesmo nível, o que gera a impossibilidade de alcançar entrosamento e organização em curto prazo. (Foto: Samara Miranda/Ascom CR)
Derrapada feia na abordagem do caso Sávio
Juan Carlos Osório, ao falar sobre laterais esquerdos, mencionou a situação de Sávio. Segundo ele, o lateral esquerdo não joga mais pelo Remo nesta temporada. Elogiou a qualidade, mas desceu a ripa no aspecto comportamental do jogador.
“Muito bom jogador, muito bom, mas, indisciplinado, e hoje, no meu time, não quero jogadores indisciplinados. (…)Boa sorte, seguramente vai encontrar outro time, porque joga muito bem, mas, eu não concordo com jogadores que não estão comprometidos 100% com o time”, afirmou.
Enquanto isso, tome experiências com Léo Andrade e Kayky, embora a boa entrada de Cufré contra o Inter abre a possibilidade de escalação de um especialista na função. Outra expectativa é quanto à contratação do beque camaronês Duplexe Tchamba, 27 anos.
Em resposta, ontem, Sávio negou a falta de comprometimento alegada por Osório e criticou a forma como foi exposto. “Respeito todas as decisões e opiniões no ambiente do futebol. No entanto, entendo que a maneira como meu nome foi mencionado publicamente não reflete a trajetória construída ao longo de três temporadas vestindo a camisa do Remo”, escreveu.
Melhor lateral esquerdo do Remo nos últimos anos, Sávio foi decisivo no Parazão 2025 e também na campanha do acesso à Série A.
Ex-volante é garantia de segurança na zaga bicolor
Expoente do Águia em 2023 como volante, Castro se reinventou nas últimas temporadas e desembarcou no PSC como zagueiro de área. Encaixou perfeitamente e se tornou a grande referência defensiva no time construído pelo técnico Júnior Rocha.
No primeiro Re-Pa da temporada, na quarta rodada do Campeonato Paraense, Castro saiu de campo consagrado como o melhor jogador do clássico, após uma atuação impecável.
Tudo leva a crer que caberá a ele, outra vez, o papel de liderança técnica da última linha do Papão. Independentemente do parceiro de área – Quintana ou Iarley –, há uma certeza: Castro é titular absoluto.
Em todas as etapas do campeonato, Castro foi o jogador mais regular do time, com atuações sempre seguras, até mesmo nas duas derrotas – diante da Tuna e do Cametá. Funciona também como um exemplo para os garotos, como o próprio Iarley, que esteve ao seu lado nas últimas partidas.
Ídolo do penta se engaja na cruzada da intolerância
Certas figuras perdem chances preciosas de adotar o silêncio como companhia. Em meio à repercussão negativa dos insultos racistas e preconceituosos dirigidos ao goleiro Hugo Souza, do Corinthians, por torcedores da Portuguesa, um ídolo palmeirense pisou na bola.
Marcão, titular da Seleção Brasileira campeã mundial em 2002, bolsonarista declarado, debochou de Hugo, relativizando os xingamentos de cunho racista. Um desserviço à causa antirracista. Não teve empatia e nem solidariedade para com o jovem colega de profissão.
(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 27)
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