POR GERSON NOGUEIRA

Foi um jogaço. Entrega, intensidade, luta pelo gol. Enfim, tudo que agrada o torcedor. Não houve um minuto de tédio em campo. Remo e Internacional fizeram um duelo equilibrado na maior parte do tempo, com ligeira vantagem dos gaúchos quanto às oportunidades criadas. A torcida reconheceu a produção da equipe azulina, mas não perdoou os erros nascidos da habitual teimosia do técnico Juan Carlos Osório.

Foi o oitavo empate do Remo na temporada, com três vitórias e uma derrota. No Campeonato Brasileiro, o time segue em jejum. Não conseguiu vencer, empatando três vezes – Mirassol, Atlético-MG e Inter.

Ontem, o Remo atuou relativamente bem, trocando passes, duelando com consciência e criando boas situações de perigo no ataque. Em lances com Alef Manga, Patrick de Paula e João Pedro no 1º tempo, o time poderia ter conseguido a virada antes do intervalo.

O time entrou com uma formação novamente diferente, com João Lucas e Marcelinho dobrando a faixa lateral direita. Como esperado, a invenção não funcionou no plano defensivo e muito menos na parte ofensiva.

Para piorar, distribuído num 4-4-2, o quarteto de meio tinha imensas dificuldades para acompanhar o ritmo frenético imposto pelo trio Alan Patrick, Bruno Gomes e Paulinho. Como observei ontem, os pontos de preocupação para o Remo tinham nome e endereço: Alan Patrick e Bernabei.

Com a dobra pela direita, Osório queria obstruir os avanços do lateral do Inter, mas Marcelinho não colaborou com a recomposição, deixando João Lucas exposto o tempo todo. Os volantes Leonel Picco e Patrick de Paula não podiam ajudar porque estavam ocupados demais com os rápidos jogadores do Inter posicionados do meio para a frente.  

O gol do Inter logo aos 3 minutos, após ataque pela direita com Vitinho, mostrou o perigo representado pela liberdade excessiva permitida a Alan Patrick. O meia recebeu o passe na meia-lua, controlou a bola, superou a marcação de Marllon e mandou no canto direito de Marcelo Rangel.

Logo em seguida, Vitinho voltou a receber livre nas costas dos volantes e tocou para Borré, que esteve perto de ampliar. Reativo, o Remo insistia em pressionar a última linha colorada, e a estratégia funcionou. João Pedro acertou um disparo da entrada da área, Alef Manga pressionou Rochet, que soltou a bola nos pés de Picco. Empate e festa no Mangueirão.

O gol entusiasmou os azulinos, mas não escondeu os dois grandes furos do esquema de Osório: a baixa intensidade de marcação no meio e a inoperância de Marcelinho pela direita. Só no 2º tempo veio a correção parcial, com a entrada de Zé Welison para reforçar a marcação no meio-de-campo, ao lado de Zé Ricardo e Patrick.

É verdade que Welison não entrou bem, mas Zé Ricardo botou ordem naquele pedaço do campo. Pikachu, ainda à procura de um lugar para jogar, teve presença discreta no 2º tempo, enquanto Cufré foi bem. (Foto: Ricardo Duarte)

Marcelo Rangel: destaque no setor defensivo

Em pelo menos três lances fundamentais, o goleiro Marcelo Rangel fez jus à condição de ídolo da massa torcedora do Leão. Salvou um gol certo em cabeceio rasante de Borré no 1ª tempo, cuidando ainda de abafar e evitar o rebote. Depois, apareceu muito bem na etapa final em situações de cerco do Inter na área azulina, envolvendo Carbonero e Alan Patrick.

A defesa seguiu exposta o tempo inteiro, mas havia a segurança de Rangel lá atrás. Segurança e uma boa dose de sorte. Aos 50 minutos do 2º tempo, Bernabei mandou um foguete no poste esquerdo. A bola foi e voltou para Kayky, que chutou por cima do gol.

Enquanto o Remo não consolidar uma dupla central de zagueiros, vai continuar dependendo da perícia e colocação de Rangel. Marllon e Kayky se viraram para conter as infiltrações dos atacantes do começo ao fim da partida. Kayky se lesionou e foi substituído por Cufré.   

Léo Andrade, muito vaiado pela torcida após duas bolas erradas no início do jogo, se manteve discreto, mas sem repetir erros vistos em outras ocasiões. Conseguiu até cabecear e afastar duas bolas cruzadas na área.

Técnico sente impacto das vaias no Mangueirão

Em permanente conflito com a torcida do Remo, o técnico Juan Carlos Osório recebeu novamente um coro de vaias ao término da partida. Não errou como nos jogos contra Mirassol e Paysandu, quando optou pela cautela e acabou se contentando com empates.

Desta vez, o time mostrou um ordenamento mínimo, enfrentando um grupo de bons jogadores de meio e ataque do Inter, o que não permitia tempo para respirar. A todo instante o setor defensivo do Remo era testado pelas jogadas em velocidade de Carbonero, Vitinho e Borré.

As limitações da zaga e a ausência de cobertura mais efetiva têm a ver com as formulações do comandante, mas não podem ser atribuídas exclusivamente a ele. O problema é que a dobra pela direita deixou patente a falta de resultado prático para a ideia do técnico.

Lançar Marcelinho mais adiantado não diminuiu a esperada pressão exercida pelo lado mais poderoso do Inter. Pior: fez com que o meio ficasse sobrecarregado, forçando uma mudança de postura na segunda etapa.

O torcedor também se incomoda com a utilização pouco produtiva de Yago Pikachu. Jogador experiente, que consegue atuar bem na construção e na finalização de jogadas, tem entrado sempre na reta final dos jogos no Brasileiro, quando o time começa a se desfigurar com as substituições.

Algo precisa ser feito para que ele contribua para o time, mostrando as qualidades e virtudes que todos conhecem. O Re-Pa é a próxima chance de buscar uma solução para o enigma. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 26)

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