
Dos resultados de testes físicos escritos à mão em 1970 aos sistemas eletrônicos de rastreamento em tempo real utilizados nas partidas da Copa do Mundo, a inovação sempre desempenhou um papel essencial na forma como o futebol é preparado, jogado e vivenciado. Essa trajetória contínua é explorada em Innovation in Action: Football Technologies on and off the Pitch, exposição em cartaz no Fifa Museum, em Zurique, até 29 de março de 2026, que destaca a contribuição do Brasil para o avanço tecnológico do esporte.
A jornada começa com a preparação do Brasil para a Copa do Mundo de 1970, quando testes físicos estruturados marcaram um passo decisivo rumo ao desenvolvimento científico dos jogadores. Os resultados originais desses testes, preservados e exibidos na mostra, oferecem um raro vislumbre de uma época em que os dados de desempenho começaram a influenciar o futebol de elite.
Mais de 50 anos depois, a coleta de dados passou diretamente para o campo. Os sistemas eletrônicos de desempenho e rastreamento (EPTS) agora geram métricas em tempo real que orientam decisões táticas e de gestão de jogadores no mais alto nível. Uma camisa preparada para Richarlison na Copa do Mundo do Catar 2022 representa essa transformação: tecnologia de rastreamento incorporada ao próprio uniforme de competição. As análises do torneio mostram como o futebol moderno continua a evoluir — incluindo um aumento de 57% nas recepções de bola na área por atacantes centrais em comparação com a edição de 2018.
A inovação também impactou o aspecto cultural do futebol. Na Copa de 1994, os nomes dos jogadores apareceram nas camisas pela primeira vez na história do torneio, reforçando a identidade individual em um esporte coletivo. A icônica camisa número 11 usada por Romário em 1994, em exibição em Zurique, simboliza um ponto de virada em que torcedores do mundo inteiro passaram a se identificar não apenas com as seleções, mas também com seus ídolos.
O futebol contemporâneo reflete essa evolução. As análises táticas do Mundial de Clubes da Fofa 2025 demonstram como estruturas defensivas coordenadas e baseadas em dados permitiram ao Fluminense superar o Borussia Dortmund. A braçadeira de capitão usada por Thiago Silva durante a competição reforça como a liderança hoje se integra a sistemas de desempenho cada vez mais sofisticados.
Esses objetos, juntos, mostram como a inovação deixou de ser um aspecto periférico da preparação para se tornar parte essencial do jogo moderno — moldando o desempenho, redefinindo táticas e fortalecendo o vínculo entre jogadores e torcedores. Da base científica lançada pelo Brasil em 1970 à competição orientada por dados de hoje, essa evolução reflete um esporte em constante diálogo com a tecnologia.
A exposição Innovation in Action: Football Technologies on and off the Pitch fica em cartaz no FIFA Museum, em Zurique, até 29 de março de 2026
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