
POR GERSON NOGUEIRA
Com a repetição dos mesmos problemas dos empates anteriores (contra PSC, Castanhal e Amazônia), o Remo penou para se classificar à semifinal do Campeonato Paraense. Ficou no 1 a 1 com o Águia, no Zinho Oliveira, e venceu a disputa de penalidades por 5 a 4.
A participação do técnico Juan Carlos Osório foi outra vez o ponto de desequilíbrio e causa maior da bagunça tática do time. Com quatro zagueiros na última linha, ele segue buscando reinventar a roda, provando que o futebol pode ser mais complicado do que parece.
Com um lateral-direito de ofício (João Lucas) no banco de reservas, ele preferiu começar a partida com Thalisson improvisado na posição. Tomou um sufoco do Águia nos primeiros 20 minutos, sofrendo um gol e escapando de levar outros, tal a barafunda criada na zaga azulina. Sem alas para explorar os corredores laterais, o Remo era presa fácil da correria do Águia por ali.
Em marcha completamente oposta, o Águia fez apenas o básico. Com dois laterais (Bruno Limão e Cássio) que defendiam e apoiavam, criou chances seguidas de gol, utilizando o velho e manjado cruzamento na área, onde ficava o centroavante Gustavo. Foi dele o gol aguiano, aos 10 minutos, aproveitando cruzamento de Felipe Pará.

No meio-de-campo, três volantes – Patrick de Paula, Zé Ricardo e Leonel Picco – que não conseguiam fazer o Remo retomar a posse de bola com tranquilidade. Vítor Bueno era o meia de articulação, mas as jogadas de ataque foram raras, o que deixou o Águia muito à vontade em campo.
Apenas uma bola longa para Alef Manga e uma falta perigosa que o goleiro Xandão espalmou, mas João Pedro não alcançou porque foi puxado por Dedé dentro da área. Sem futebol suficiente para reverter a situação, Osório lembrou do lateral João Lucas e de Pikachu.
Ambos entraram pela direita e foi como um sopro de vida inteligente. Com os dois avançando sobre a zaga, o Águia começou a mostrar suas limitações. Em jogadinha entre Vítor Bueno, Pikachu e João Lucas surgiu o pênalti e o empate azulino, aos 18 minutos. Pikachu cobrou e recolocou o Leão no jogo. O técnico se limitou a essas duas substituições.
Patrick de Paula, Manga e até o isolado João Pedro passaram a participar mais da partida, criando boas situações, incluindo um tiro de Manga que obrigou Xandão a fazer uma defesa arrojada – caindo em seguida pela 15ª vez, sob a complacência da tímida arbitragem. Vítor Bueno também esteve perto de marcar, batendo à direita da trave. O empate, porém, permaneceu e a decisão foi para os pênaltis.
O Remo foi mais competente nas cobranças, acertando as cinco. O Águia desperdiçou uma, Marcelo Rangel defendeu o chute de Wendel. A vaga nas semifinais está garantida, apesar do imenso esforço de Osório para complicar as coisas.
Detalhe: o Remo segue invicto no campeonato, enfileirando empates. Foi o sexto obtido na gestão Osório.
Clássico para lotar a Curuzu de esperanças
O PSC conseguiu se classificar às quartas de final como mandante e, graças a isso, adquiriu o direito de receber a Tuna diante de sua torcida, hoje à noite. Pelo entusiasmo e confiança que cerca o time de Júnior Rocha após derrotar o Santa Rosa, em Ipixuna, a impressão é de que o clássico pode representar a revanche dentro da competição.
Na 3ª rodada, jogando em Augusto Corrêa, a Tuna quebrou a invencibilidade do Papão, com uma vitória emocionante conquistada nos minutos finais, em cobrança de pênalti. Os bicolores até hoje contestam a marcação e o confronto de hoje oferece a chance de uma forra.
Com a ausência do volante Bryan, lesionado, o técnico Júnior Rocha vai utilizar Pedro Henrique na mesma função à frente da zaga e em conexão com os atacantes Hinkel, Ítalo Carvalho e Kleiton Pego. Thalisson e Thaylon têm chances de aproveitamento no jogo.
Na Tuna, que ficou sem treinador na 6ª rodada, a novidade é Robson Melo, que faz sua estreia, após comandar o São Raimundo na primeira fase.
Vini ganha aliado de peso na luta contra o ódio

A única boa notícia do novo episódio fascista em estádios europeus contra Vini Jr. foi a corajosa intervenção de Kylián Mbappé, peitando os racistas do Benfica e confirmando que o argentino Prestianni xingou o brasileiro de “macaco” cinco vezes. Surgiu, enfim, uma voz poderosa a se aliar a Vini em sua insana luta contra a intolerância.
Depois de marcar um golaço contra o Benfica, pela Champions League, no estádio da Luz, em Lisboa, Vini teve que ouvir o biltre Prestianni proferir ofensas racistas, escondendo parte do rosto sob a camisa do uniforme, para evitar a leitura labial.
Em postagem nas redes sociais, o craque do Real chamou o rival de “covarde” e criticou o árbitro francês François Letexier, que aplicou o protocolo antirracismo, mas reiniciou o jogo depois de conversar com os atletas, sem qualquer punição ao atleta do Benfica.
Enfurecido, Mbappé saiu em defesa de Vini durante o jogo, apontando para o argentino e cobrando uma atitude do apalermado apitador. Nas redes sociais, Lewis Hamilton também defendeu Vini. O ex-craque francês Thierry Henry também deplorou o ataque racista.
Feio mesmo foi o papel desempenhado pelo técnico do Benfica, José Mourinho, que ao ser perguntado se Prestianni estaria arrependido, disse que o argentino falou uma coisa e Vini Jr, outra, não tomando lado: “Arrependido de quê?”.
E ainda fez críticas à dancinha de Vinícius ao comemorar o gol. Ora, é como se o português Cristiano Ronaldo também não festejasse seus gols com gestos largos e sinalizando superioridade. Nunca ninguém reclamou disso – talvez pelo singelo fato de que CR7 seja branco e europeu.
(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 19)
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