POR GERSON NOGUEIRA
Ao empatar, na tarde deste domingo, com o Amazônia por 1 a 1, o Remo de Juan Carlos Osório voltou à rotina de tropeços vexatórios no Campeonato Paraense. Foi a nona partida na temporada com o nono time diferente. O técnico exagera nas experiências e sacrifica o entrosamento, fator que explica a trajetória cambaleante do Leão no Estadual.
A quinta colocação obtida na primeira fase compromete o planejamento de preparação e rodízio adotado pelo próprio Osório. Com um time mesclado, o Remo sofreu para arrancar um empate na bacia das almas diante do modesto Amazônia, que veio buscar pelo menos um ponto – e conseguiu.
O gol do visitante aconteceu logo aos 14 minutos. Juninho, em cobrança de pênalti, abriu o placar. Foi o primeiro ataque do time santareno. Andrés Gonzales foi lançado, livre na faixa direita do ataque, entrou na área e sofreu um tranco de Kawan. Pênalti bem marcado.
Depois disso, o Remo se lançou na tentativa de empatar. Usou e abusou das bolas altas na área do Amazônia, sem causar maior incômodo. Carlinhos, duas vezes, e Rafael Monti, mandando na trave, foram os que mais chegaram perto do gol. Em lance agudo na área, Igor tirou a bola em cima da linha.
Aos 29’, Carlinhos arriscou de longe, e Paulo Henrique espalmou. Nico pegou o rebote e chutou cruzado, mas o goleiro defendeu novamente. No final, Monti recebeu na entrada da área e chutou. Paulo deu rebote, mas Catarozzi emendou por cima da trave.
Diante da torcida que lotava o Baenão, o Remo não acertava o passo. Atuações individuais fracas e ausência de organização coletiva faziam do jogo uma sucessão de erros. O Amazônia se defendia e marcava bem.
Para o 2º tempo, Osório trocou Pikachu e Klaus por Pavani e Freitas. As manobras erradas se acentuaram, e o nervosismo também. A insistência em passes longos se acentuou com a entrada de Panagiotis no lugar de Catarozzi. Quem levou perigo inicialmente foi o Amazônia, em contra-ataques puxados por Samuel e Gonzales.
Já em modo desespero, o Remo martelava com cruzamentos na área. De tanto tentar, o gol acabou saindo aos 43’. Panagiotis cobrou falta e Pavani desviou de cabeça, superando finalmente o seguro goleiro Paulo.
O Amazônia ainda seguiu rondando a área do Leão e Carlinhos teve grande chance com Carlinhos, mas ele errou o cabeceio diante do goleiro Ivan.
Com o resultado, o Remo perdeu uma posição entre os quatro primeiros colocados e agora vai disputar as quartas de final fora de casa, contra o Águia, em Marabá. Apesar de invicto, o time não passa confiança ao torcedor, que voltou a protestar vaiando o técnico.
Papão bate o Santa Rosa e dá a volta por cima
Depois de ser derrotado pelo Cametá, caindo para a 7ª posição no campeonato, o PSC se recuperou com vitória de 2 a 0 sobre o Santa Rosa, ontem à tarde, em Ipixuna. Ítalo e Marcelinho anotaram os gols, coroando uma atuação de muita entrega e estratégia ofensiva. Agora, o Papão vai receber a Tuna, na Curuzu, nas quartas de final.
O desenvolvimento do jogo mostrou o Santa Rosa mais agressivo nos primeiros 45 minutos, quando ameaçou seguidamente o gol de Gabriel Mesquita em três ocasiões, com Ezequiel, André Rosa e Pedro Sena.
Aos 35’, André Farias perdeu a melhor chance, chutando para fora após entrar livre na área. O PSC reclamou uma penalidade, mas a arbitragem (sem VAR) mandou a partida seguir.
Na volta do intervalo, o Papão tratou de resolver as coisas, marcando com Ítalo logo aos 2 minutos. Ele recebeu sem marcação e tocou na saída do goleiro. O Santa Rosa foi à frente, ameaçando com investidas de Chula e PH.
Aos 18’, Ezequiel finalizou para as redes, mas a arbitragem anulou o gol. A bola veio da linha de fundo e o atacante tinha posição legal.
Apesar da pressão do Santa Rosa, foi o PSC que definiu o jogo, aos 38’, em ataque puxado por Thalyson e finalizado por Marcinho após duas tentativas.
Nos outros jogos, triunfo do Águia sobre o Cametá por 1 a 0, em Marabá; do Bragantino sobre a Tuna por 2 a 0; do Capitão Poço sobre Castanhal, por 2 a 0; e o empate em 0 a 0 entre S. Raimundo e S. Francisco.
O Capitão Poço, 2º colocado, realizou a campanha mais surpreendente da primeira fase. Conquistou 10 pontos, com três vitórias.
Goleiro entrega o ouro e derruba Fogão
O Botafogo me deu ontem o desprazer de confirmar uma dura realidade. O time atual tem um bom técnico, mas não tem goleiro confiável – Neto e Link são duas bombas, mãos de mamona. Posição fundamental, como se sabe, todo time se alicerça a partir de um grande arqueiro.
É verdade que o longo período de transfer ban dificultou contratações e atrapalhou a preparação para o Brasileiro. No Carioca, a utilização de time mesclado ferrou com as chances e com o emocional do time. A derrota de ontem, carimbada por uma falha do goleiro Neto, completou a desgraça.
Pela frente, a Libertadores e as dificuldades naturais do Brasileiro. Conclusão óbvia: mais um ano duríssimo pela frente.
(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 16)
Deixe uma resposta