
POR GERSON NOGUEIRA
Juan Carlos Osório chegou ao Remo com a imagem de técnico essencialmente ofensivo, mas esse conceito vem se desgastando com a repetição de jogos pouco convincentes. Ontem à tarde, ao longo do primeiro tempo, o Re-Pa mostrou o PSC muito mais agressivo e intenso, botando pressão desde os primeiros minutos. Fez o gol e teve um jogador expulso, mas continuou perigoso na etapa final, mesmo após sofrer o empate.
Com um sistema simples, centrado na ocupação de espaços e rapidez nos contra-ataques, o PSC surpreendeu e travou o Remo, sem engenhosidade, mas com eficiência. Os volantes marcavam e preenchiam espaços no meio, atrapalhando a saída do Remo.
Brian, Henrico e Marcinho se desdobravam na movimentação, recuperavam praticamente todas as bolas e faziam o PSC armar contra-ataques sempre perigosos. Logo aos 4 minutos, Ítalo Carvalho marcou, mas a arbitragem apontou impedimento na jogada.
De qualquer maneira, foi um sinal da tendência da partida, mas o sistema defensivo do Remo seguiu falhando, excessivamente exposto aos ataques do PSC. Para piorar, o lateral-esquerdo Cufré perdia todos os duelos.
O Paysandu seguiu com marcação adiantada e, aos 13 minutos, quase Hinkel abriu o placar, cabeceando à direita da trave. Edilson apanhou uma bola mal distribuída pelo Remo, avançou e bateu forte para forçar Marcelo Rangel a espalmar com dificuldades, aos 19’.
A situação de encolhimento do Remo era acentuada que o primeiro chute só ocorreu aos 27’. Diego Hernández disparou de longe, para defesa fácil de Gabriel Mesquita. Aos 35’, Hinkel fez excelente manobra pela esquerda e cruzou para Ítalo finalizar sem chances para Rangel.
Aos 39’, o sufoco continuou com Marcinho batendo com perigo. De repente, surgiu uma confusão no meio-campo após falta violenta de Brian sobre Pavani, gerando um princípio de tumulto. O árbitro puxou o cartão vermelho para Brian, que permaneceu malandramente em campo. Foi preciso Pikachu alertar o árbitro para retirar o bicolor de campo.
Aos 12 minutos do 2º tempo, o Remo chegou ao empate. Diego Hernández avançou pela esquerda, recebeu passe junto à área, driblou Edison e bateu cruzado. Quintana foi desviar e acabou botando a bola para dentro do gol.
Com um a mais e em igualdade no placar, o Remo tentou chegar, mas esbarrou na falta de criatividade no meio-campo. Cruzou várias vezes em direção à área, mas não criou nenhum lance claro de gol.
O Leão ainda correu riscos, depois que o PSC colocou em campo a dupla Thalisson e Thaylon (estreante). Mesmo sozinhos contra o exército de zagueiros que Osório botou em campo, criaram um certo desassossego nos instantes finais do clássico. (Foto: Beatriz Reis)

Osório desiste do ataque e irrita a torcida
A torcida do Remo gritou alto em dois momentos na partida. No gol de empate e no momento em que o técnico Juan Carlos Osório fez as substituições para fortalecer a zaga e o meio, despovoando o ataque, sendo que o Remo continuava com um jogador a mais. A irritação do torcedor se expressou aos gritos de “burro, burro”.
Osório botou em campo os zagueiros Kayky e Marllon, tirando Zé Welison e Eduardo Melo. Deslocou Léo Andrade para o meio e Kayky na lateral-esquerda. Explicaria depois que a preocupação era preservar jogadores desgastados fisicamente.
Como na partida com o Mirassol, quando as mudanças desestruturam o time, o Remo perdeu poder de fogo no clássico, limitando-se aos avanços isolados de Diego Hernández pela esquerda. Jaderson caía pela direita, mas Pikachu praticamente perdeu função.
Catarozzi, que entrou no início do 2º tempo, foi quem mais se destacou pela qualidade de passe e um chute perigoso, mas o Remo sofria com a ausência de força de pressão junto à área do PSC. (Foto: Andrey Siqueira)
Rocha leva a melhor ao apostar na simplicidade
Com limitações sérias no elenco curto e sob a pressão da derrota para a Tuna no meio da semana, o técnico Júnior Rocha conseguiu estruturar o PSC num sistema que deu conta de segurar o Remo em seu próprio campo e permitiu impor ofensividade ao longo de quase todo o 1º tempo.
O modelo 4-3-3 foi sustentado na ação dos três homens de meio – Henrico, Brian Macapá e Marcinho –, sempre ajudados pelos laterais Edilson e Facundo Bonifazi. A aproximação dos jogadores facilitava o aproveitamento das bolas recuperadas no meio.
No centro da área, os zagueiros Castro e Quintana controlavam as poucas tentativas do Remo na etapa inicial e ganharam quase todas as disputas aéreas no 2º tempo.
Na frente, Hinkel e Ítalo Carvalho se destacaram pela movimentação em meio à última linha remista. Bem vigiado por João Lucas, Kleiton Pego era o menos produtivo. Com a expulsão de Brian, Luccão foi lançado no lugar de Hinkel e o time passou a usar um sistema com três zagueiros.
Na etapa final, Rocha ainda lançou o garoto Thalisson e o atacante Thaylon para impor correria e tentar chegar ao segundo gol, mesmo estando em desvantagem numérica. Mostrou ousadia e desprendimento.
(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 09)
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