Show supera marca de Kendrick Lamar e se torna o mais visto da história do evento

A apresentação de Bad Bunny no intervalo do Super Bowl deste domingo foi a apresentação mais vista da história do evento americano. Segundo levantamento da NBC, o show do artista porto-riquenho teve audiência de 135 milhões de pessoas em todo o mundo. O recorde anterior era de 2025, quando o show de Kendrick Lamar bateu 127 milhões de espectadores em todo o mundo.

Bad Bunny comandou o cobiçado intervalo do Super Bowl, evento de maior audiência da TV americana. Com Lady Gaga e Ricky Martin entre os convidados, a apresentação foi repleta de simbolismo e mensagens sobre a cultura latino-americana. Isso já era esperado, já que Bad Bunny exalta a identidade porto-riquenha no premiado disco “Debí Tirar Más Fotos”.

Com o contexto atual da relação entre EUA, imigrantes e comunidade latina, mesmo antes de começar, esse já foi o show mais político da história do Super Bowl. Não à toa, o show enfureceu Trump, que disse que a apresentação foi “uma afronta à grandeza da América”.

A apresentação foi feita quase inteiramente em espanhol, sem muita tradução para o inglês. Aliás, o cantor se empenhou em fazer a tradução contrária: na abertura, foram mostrados os dizeres “el espetáculo de medio tiempo del Súper Tazón”, ou seja, “o espetáculo do intervalo do Super Bowl” em espanhol.

Em seguida, foi mostrada uma ambientação bem porto-riquenha, com os trabalhadores no campo, senhores jogando dominó, uma mulher na manicure e por aí vai.

Com mais de dez anos de estrada, Bunny é um dos maiores nomes da música latina atual, sobretudo nos gêneros do trap e do reggaeton. Em 2026, ele foi o grande vencedor do Grammy 2026. Filho mais velho de um casal de classe média, Benito Antonio Martínez Ocasio (seu nome de batismo) cresceu no litoral de seu país natal e começou a descobrir sua vocação para a música ainda na tenra infância, cantando no coro da igreja que frequentava em família.

Foi essa paixão pela arte que o levou, em 2013, a começar a publicar canções autorais na plataforma de streaming SoundCloud. Três anos depois, sua canção “Diles” chamou a atenção do produtor DJ Luian, que o contratou para integrar o casting da gravadora independente Hear This Music, mantida por ele em sociedade com Mambo Kingz.

No mesmo ano de 2026, seu single “Soy Peor” começou a se destacar nas paradas de sucesso, levando-o a emplacar parcerias musicais com Cardi B e Drake, em seus respectivos hits “I Like It” e “Mía”. Essas collabs foram cruciais na internacionalização da carreira de Bad Bunny, que dois anos depois lançaria seu primeiro álbum de estúdio, X 100pre – vencedor do Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Urbana, em 2019.

No ano seguinte, apesar das dificuldades impostas pela pandemia do coronavírus, marcou a consagração definitiva de Benito no cenário musical. Foi em 2020 que ele realizou sua primeira aparição no intervalo do Super Bowl – como convidado de Shakira, atração principal do evento – e consagrou-se como o primeiro artista hispânico a figurar como o mais ouvido do Spotify, posição que sustentou até 2022.

Hoje, com seis álbuns solo de estúdio lançados e uma legião de fãs ao redor do mundo, Bunny é considerado um dos principais nomes em atividade na música internacional, figurando também entre as personalidades de maior influência cultural no mundo moderno.

DIFICULDADE PARA FAZER SUCESSO NO BRASIL

Como Bad Bunny vai ser o rei do pop com reggaeton e dembow? Citando dois dos ritmos musicais mais populares do Caribe, essa é a pergunta que o cantor, que se apresenta em São Paulo na próxima semana, faz no refrão de um de seus maiores hits, Nuevayol, uma carta de amor e desencanto à cidade de Nova York.

Talvez ele próprio não tenha uma resposta, mas é certo que seu sucesso se aproxima ao patamar dos maiores astros da história do pop, coroado neste domingo (8/2) por uma apresentação histórica no Super Bowl, o evento de maior audiência da TV americana.

Com 19,5 bilhões de reproduções, Bad Bunny foi no ano passado o artista mais ouvido do mundo no Spotify; seu álbum mais recente, Debí Tirar Más Fotos, foi o mais tocado; e a principal faixa do disco, DtMF, foi a quinta música de maior sucesso da plataforma.

Mas no Brasil não é por aí que a banda toca. Nem o cantor, nem seu álbum, nem suas músicas estiveram entre os mais tocados do ano no país segundo o Spotify, que, com 713 milhões de usuários em 180 países, tornou-se o principal termômetro para se medir sucesso nessa indústria.

No ranking de audiência semanal do Spotify no Brasil, Bad Bunny esteve entre os artistas mais tocados apenas 11 vezes, a maior parte delas acima da centésima posição. Sua colocação mais alta foi a 83ª. Mesmo agora, ao surfar uma nova onda de popularidade depois de vencer o prêmio máximo do Grammy, ele está na 85ª colocação.

Entrar nas paradas brasileiras não é fácil para estrangeiros. O Brasil é, afinal, o país que mais escuta a própria música, com 75% do consumo no streaming voltado a artistas nacionais, segundo a Luminate, empresa especializada em dados da indústria do entretenimento nos quais as paradas da revista Billboard se baseiam. (Com informações da BBC Brasil, NY Times e Omelete)

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