
POR GERSON NOGUEIRA
A partida tem pouca importância dentro do Campeonato Paraense, mas a rivalidade histórica faz do Re-Pa um acontecimento que independe do posicionamento nas competições. Como ocorre há mais de um século, o jogo deste domingo chega novamente sob forte expectativa das duas maiores torcidas da Amazônia.
Neste ano, o clássico ganha um apelo especial pelo fato de expor uma situação diferente. Depois de 32 anos, o Remo está de volta à Série A, com orçamento robusto e investimento pesado em contratações. Já o PSC tenta se recobrar da desastrosa campanha na Série B e consequente rebaixamento à Série C.
A possibilidade de um confronto com o rival, na 4ª rodada do Parazão, mexe com os sentimentos do torcedor de forma distinta. Os bicolores alimentam a esperança de uma vitória sobre o rival, fato que representaria um grande feito diante da atual correlação de forças.
Entre os azulinos, a expectativa é por uma atuação categórica, que sirva para atestar a superioridade momentânea contra um adversário que atualmente está na Série C do Campeonato Brasileiro.
Na história do clássico, diferenças de investimento e presença na elite nacional não constituem garantia de triunfo por antecipação. Com a bola rolando, tudo se iguala. A tendência predominante é por jogos de forte equilíbrio e desfecho imprevisível, marcados por muita luta e intensidade.
Com o Mangueirão lotado, a emoção vai fluir e aquele papo sobre favoritismo vira pura irrelevância. Importa mesmo é a alegria que o Re-Pa proporciona à massa torcedora.
Para Osório, ainda é tempo de experiências
Depois da vitória sobre o Águia, o técnico Juan Carlos Osório foi franco sobre o elenco do Remo neste início de temporada. Deixando claro que não costuma pensar pela cabeça do torcedor, ele informou que vai reduzir o grupo de atletas, hoje em mais de 40.
Aproveitou os jogos para dar oportunidade a todos, tomando cuidado para não prejudicar quem não está bem condicionado fisicamente. É certo que, a partir de segunda-feira, começa o processo de enxugamento do elenco.
Questionado sobre o aproveitamento de jogadores, Osório garante que tem priorizado sempre o melhor 11 possível, ressaltando que a parte física tem papel fundamental nas escalações e substituições.
Pelo que se observou nos jogos contra Mirassol e Águia, válidos por competições diferentes, o técnico deve continuar a promover escolhas, algumas delas surpreendentes aos olhos do torcedor.
Diego Hernández, João Pedro, Eduardo Melo, Rafael Monti, Alef Manga e Nico Ferreira podem ser os atacantes contra o PSC. A composição da zaga também é um enigma. Klaus e Kayky? Marllon e Léo Andrade?
O quadrado (ou triângulo) de meio-de-campo é mistério maior ainda. Leonel Picco, Zé Ricardo, Patrick de Paula, Patrick, Vítor Bueno, Pavani e Freitas são os mais cotados para entrar. Ou não.

Papão busca reação após choque de realidade
A derrota para a Tuna despertou sentimentos variados no PSC. Da revolta contra a marcação do pênalti que decidiu o clássico a uma análise realista sobre o estágio técnico do time. As vitórias sobre São Raimundo e Capitão Poço deram a falsa impressão de que a formação estava ajustada.
O tropeço em Augusto Corrêa mostrou que as coisas não estavam tão bem assim, o que abre uma janela para rever conceitos e realinhar estratégias. Um aspecto ainda mais importante a ser considerado é a utilização de vários jogadores da base para compor o time.
Jogadores como Henrico, Cauã Dias e Braian tiveram mau desempenho contra a Tuna, abrindo margem a críticas que inexistiam até então. Por isso, é provável que o técnico Júnior Rocha decida por jogadores mais experientes, como Quintana e o estreante Facundo Bonifazi, ou até mesmo o atacante Thaylon, recém-contratado.
Além da defesa, com Quintana e Castro garantidos, o único setor aparentemente imune a alterações para o clássico é o ataque, com o trio Danilo Peu, Ítalo Carvalho e Kleiton Pego. (Fotos: Fernando Torres)
Bola na Torre
Guilherme Guerreiro apresenta o programa, a partir das 22h deste domingo (8), na RBATV, com as presenças de Giuseppe Tommaso e deste escriba baionense. Em debate, o clássico Re-Pa e demais jogos da 4ª rodada do Campeonato Estadual. A edição é de Lourdes Cezar e Lino Machado.
Parazão: patrocínio será assinado nesta segunda
Está confirmado para esta segunda-feira, 9, às 10h, no Palácio dos Despachos, o evento de assinatura do contrato de patrocínio (Banpará) para o Campeonato Paraense 2026, com a presença do governador Helder Barbalho e da vice-governadora Hana Ghassan.
Detalhe: o Campeonato Paraense é o único do país integralmente subsidiado pelo governo estadual.
(Coluna publicada na edição do Bola de sábado/domingo, 07/08)
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