POR GERSON NOGUEIRA

A vitória sobre o Águia, por 3 a 0, ontem à noite, restabeleceu o ambiente de paz que o Remo precisava depois do tropeço diante do Mirassol e às vésperas do importante clássico-rei de domingo. Além de assegurar a liderança isolada do Campeonato Estadual, o triunfo marcou a melhor atuação do time de Juan Carlos Osório na competição.

Até mesmo a formação alternativa funcionou bem. Muito criticada pela fraca atuação contra o São Francisco, a equipe mostrou qualidade, organização e entrosamento contra um adversário que só opôs resistência nos primeiros minutos.

Cabe observar, porém, que um jogador que não havia atuado em Belterra fez a diferença no confronto de ontem. Nico Ferreira, autor de dois gols e responsável pelo ímpeto agressivo do ataque no 1º tempo, tornou-se o principal destaque individual da noite.

Além dele, o time mostrou-se descontraído e sem os embaraços que vinham prejudicando a articulação. Uma atuação que funcionou como um presente especial ao grande aniversariante do dia. O Remo comemorou ontem 121 anos de existência. A torcida fez o seu papel cantando parabéns antes do jogo e no intervalo.

O Remo jogava melhor, envolvia o Águia, mas os gols só surgiram na reta final. Aos 39 minutos, Pavani recebeu e disparou um chute forte, de fora da área, sem chances para o goleiro Jefferson. Aos 47’, Freitas se livrou da marcação e passou para Nico, que chegou batendo de primeira, direto para o fundo do barbante. Dois golaços.

Na etapa final, Tassano substituiu Klaus na zaga e Jorge entrou no lugar do estreante Cufré. O panorama não mudou, com o Remo presente no campo de ataque e propondo o jogo com rapidez pelos lados. Rafael Monti, centralizado, fazia parceria com Carlinhos, atuando pela esquerda.

Aos 18’, Monti tocou a bola para Nico, que avançou para o meio e disparou para as redes. O gol praticamente definiu o jogo e deixou o Águia cabisbaixo, mais empenhado em se defender e evitar uma goleada.

As chances se acumulavam. Eduardo Melo fez uma boa sequência de dribles, mas a bola ficou com o goleiro. O Remo trocava passes em velocidade, não permitia espaços e quase chegou ao quarto gol com Jorge, que estourou em cima do goleiro Jefferson, após arrancada de Panagiotis.

Com o meia Kukri em campo, o Águia teve uma oportunidade com Erick Bahia, mas o disparo resvalou em Pavani e saiu pelo fundo.

Surpresa: uma noite sem escalação embaralhada

No festival de surpresas que Juan Carlos Osório costuma promover a cada jogo, o Remo de ontem à noite não apresentou novidades, exceto pela escalação do lateral-esquerdo Cufré, que deixou boa impressão na estreia.

Em relação à partida com o Mirassol, disputada 24 horas antes, o time veio com Kayky, que havia atuado no 2º tempo deslocado pela esquerda. Diante do Águia, ele foi aproveitado na zaga.

O que deixou a torcida mais animada foi a desenvoltura tática, com setores bem definidos e troca de passes sempre na vertical, o que contribuiu para o domínio técnico sobre o Águia.

Osório não costuma armar times tão ortodoxos. Prefere embaralhar as cartas, como no trio defensivo escalado contra o Mirassol. A ideia de usar uma escalação sem mistérios acabou agradando a todos, até aos jogadores.

Ficou no ar também a impressão de que o time que começou contra o Águia tem boas chances de ser escalado no clássico com o PSC, com o eventual aproveitamento de peças do chamado time A.

Marcação de pênalti claro provoca polêmica vazia

Gerou espanto a reação do executivo de futebol Marcelo Sant’Ana no pós-jogo de Tuna x PSC. Normalmente tranquilo, ele partiu para o ataque à FPF, revoltado com a marcação do pênalti que decidiu o clássico. A decisão foi do VAR, que aconselhou a revisão pelo árbitro.

É inteiramente normal que dirigentes e jogadores e técnicos reclamem de um lance que tem o poder de definir o jogo. 

Ocorre que a decisão do VAR e do árbitro de campo foi absolutamente correta. Houve a falta, o zagueiro atingiu com o braço o rosto do atacante cruzmaltino. A revisão das imagens deixa isso claro.

Cobrar preparo e competência da arbitragem é um direito de todos os envolvidos com futebol, desde que haja um motivo justificado. Sant’Ana se excedeu ao atacar os responsáveis pela arbitragem, acusando-os de incompetentes e questionando até o caráter dos profissionais.

É recomendável que haja mais equilíbrio e respeito, afinal o campeonato está apenas começando. O movimento do zagueiro foi temerário, acertando o rosto do adversário. Pode não ter sido intencional, mas foi faltoso.

A Tuna, historicamente tão prejudicada em decisões de arbitragem, acabou beneficiada, mas sem favorecimento. Além de se mostrar mais aplicada e superior em muitos momentos da partida, a Lusa venceu com justiça. Fato. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 06)

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