POR GERSON NOGUEIRA

O Remo estreia hoje em Belém jogando pela Série A, sob o olhar severo do Fenômeno Azul. As quatro apresentações do time na temporada não deixaram boa impressão, apesar da conquista da Supercopa Grão-Pará na estreia. O que deixou mais inquietação no ar foram os dois últimos jogos -derrota para o Vitória (Série A) e empate com o São Francisco.
Foram atuações pífias, muito abaixo do que um time de Série A tem a obrigação de mostrar. Os advogados de plantão irão lembrar que, contra o São Francisco, o estado do campo não ajudou. Sim, mas o futebol do Leão tampouco foi capaz de driblar as dificuldades.
Antes, em Salvador, na aguardada volta à Série A, o time fez uma apresentação opaca no 1º tempo e um verdadeiro desastre na etapa final custaram os primeiros três pontos na competição. Diante disso, o jogo desta noite, contra o Mirassol, tornou-se ainda mais importante.
Com apoio da torcida, o confronto é uma boa oportunidade de levantar moral e rebobinar o começo na Série A. Diante de um adversário respeitado pela grande campanha na Série A 2025, o Remo terá que mostrar a qualidade que a Primeira Divisão exige, até aqui ausente de suas atuações.
O time treinado por Juan Carlos Osório, posto precocemente na berlinda, precisa dar uma resposta em caráter de urgência. Um revés esta noite abriria uma perigosa zona de turbulência no Evandro Almeida. As críticas que pipocam aqui e ali podem se tornar insustentáveis.
Internamente, a impressão é de que Osório terá pela primeira vez condições de contar com força máxima na temporada, incluindo os últimos reforços contratados, como Rafael Monti, Catarozzi e Vítor Bueno. Pelo menos a princípio, o fim das experimentações e escalações confusas.
Para um time que veio da Série B, carregando as desconfianças de praxe, nada melhor do que uma vitória com autoridade sobre um dos visitantes mais respeitados (e temidos) do futebol brasileiro.
Enfim, uma escalação sem invencionices?
Pela movimentação da semana, após o empate com o São Francisco, o técnico Juan Carlos Osório parece disposto a mandar a campo a força máxima, sem as experimentações que marcaram seu trabalho até aqui.
Marcelo Rangel; João Lucas, Marllon, Kayky e Cufré; Patrick de Paula, Zé Ricardo e Franco Catarozzi; Diego Hernández, Rafael Monti e Yago Pikachu. Este foi o time titular no último treino do Remo.
Vítor Bueno, candidato a titular, teve a inscrição confirmada no BID e pode ser opção para a partida. Leonel Picco ainda não está legalizado.
Caso se confirme a escalação acima, o Remo terá três estreias na competição (Cufré, Catarozzi e Monti), além da entrada de Hernández, que não jogou contra o Vitória na 1ª rodada.
Projetar um sistema de jogo é tarefa quase impossível quando o técnico é Osório. O Remo pode entrar no 4-3-3 ou variar para um 3-5-2, com João Lucas e Cufré de alas e Pikachu mais centralizado.
Remo é alvo de piadas na mídia do Sudeste
Programas de TV em rede nacional têm colocado o Remo como o saco de pancadas da Série A. A gozação se manifesta até na projeção de goleada para o jogo desta noite contra o Mirassol.
É cedo ainda para uma avaliação tão contundente, mas a mídia sudestina não perdoa. A estreia ruim do Leão estimulou um tratamento que já é naturalmente depreciativo em relação a times nortistas.
O lado bom é que há uma vacina para enfrentar esse mal: vitória.
Série A é grande vitrine para o Mangueirão
Quando o Remo subiu para a Série A, o estádio Jornalista Edgar Proença (Mangueirão) subiu junto. As imagens apresentadas para o país durante os jogos da Série B conquistaram aplausos gerais. Imaginava-se que, com a vitrine proporcionada pela exibição de jogos do Leão na Primeira Divisão – para o Brasil e para o exterior –, a principal praça de esportes do Norte do país ganharia ainda mais brilho, evidência e protagonismo.
O investimento grandioso feito pelo Governo do Estado para reconstruir o Mangueirão presenteou o torcedor paraense com um estádio dotado de equipamentos modernos, que o colocam no mesmo nível das arenas Fifa construídas no Brasil para o Mundial de 2014.
Infelizmente, por razões outras, as coisas não começam do jeito esperado. A necessidade de faturamento para garantir a manutenção, com shows e grandes eventos, realidade de uma arena multiuso, tem sacrificado a qualidade do gramado.
É grande o esforço para recuperar qualidade e recolocar o estádio na lista dos gramados mais elogiados do país, para orgulho do torcedor paraense. Afinal, a razão de existir do Mangueirão é o futebol.
(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 04)
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