Por Jorge Falcão

Esta é Yoni Sanchez : Cubana de nascimento, de formação e de trajetória. Ela nasceu em Cuba, estudou em Cuba e foi moldada intelectual e culturalmente dentro da própria ilha. Tornou-se filóloga graças a um sistema educacional público que, apesar de ser constantemente atacado e difamado, demonstrou na prática sua capacidade de formar pessoas altamente qualificadas, críticas e articuladas. A inteligência de Yoni não é um acaso individual: é resultado direto da educação cubana.

Foi em Cuba que ela aprendeu a pensar, a escrever, a argumentar. Foi em Cuba que teve acesso aos livros, à universidade e ao conhecimento que lhe permitiram construir um discurso elaborado e sofisticado. Ainda assim, escolheu usar essa formação para criticar a Revolução Cubana e o governo do país onde nasceu. Criou um blog, passou a publicar textos duros, a atacar o sistema político cubano e a se apresentar ao mundo como uma “voz dissidente”.

Nada disso, porém, resultou em repressão, censura violenta ou punições exemplares, como insiste a propaganda internacional. Alguns anos atrás, amplamente financiada pelos Estados Unidos, Yoni deixou Cuba, percorreu diversos países da América Latina, especialmente o Brasil, concedeu entrevistas a praticamente todos os grandes canais de televisão, jornais e revistas, e foi elevada à condição de celebridade internacional.

Tornou-se um produto político exportável, cuidadosamente promovido como símbolo da suposta brutalidade do Estado cubano.

E depois disso tudo, ela voltou para Cuba.

Sem algemas. Sem perseguição. Sem medo.

Voltou e continuou sua vida normalmente. Trabalha, mora e vive em Cuba. Não foi encarcerada, não foi fuzilada, não teve sua família ameaçada, não foi expulsa do país. Mora em uma casa cedida pelo próprio Estado cubano, exerce sua profissão e segue existindo sem ser incomodada pelo governo que tanto critica. Essa realidade concreta desmonta, peça por peça, o mito da “ditadura sanguinária” repetido à exaustão pela mídia internacional.

Mais ainda: Yoni poderia viver em Londres. Poderia morar em Nova Iorque. Poderia escolher qualquer grande capital do mundo ocidental que a exalta, a financia e a transforma em símbolo. As portas estão abertas. Os convites existem. O prestígio fora de Cuba é real. Ainda assim, ela prefere morar em Cuba. Vive em Cuba. Retorna a Cuba. Escolhe a ilha como lar.

Esse detalhe, tão simples quanto devastador para a propaganda anticastrista, diz mais do que mil discursos.

Dentro de Cuba, Yoni é praticamente uma desconhecida. Não arrasta multidões, não representa um movimento popular, não expressa o sentimento coletivo do povo cubano. Fora do país, no entanto, é superdimensionada, amplificada e celebrada. Não porque represente Cuba, mas porque serve a interesses externos. Sua relevância não nasce do povo cubano, nasce da utilidade que tem para a engrenagem do imperialismo.

Yoni Sanchez não é a prova de que Cuba reprime opositores.

Ela é, paradoxalmente, a prova viva do contrário.

Sua própria vida, suas idas e vindas, sua liberdade de circulação, sua permanência tranquila na ilha e sua escolha consciente de viver em Cuba expõem a distância abissal entre a narrativa fabricada e os fatos concretos. Cuba não é a caricatura cruel que tentam vender ao mundo. É exatamente por isso que precisa ser caluniada todos os dias.

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