
Por Pablo Villaça
A lista de indicados ao Oscar 2026 traz uma série de curiosidades históricas e estatísticas que merecem ser destacadas – e no processo de pesquisá-las, confesso ter ficado espantado com várias delas (nem sempre por boas razões).
Porém, antes de discuti-las, permitam que eu faça uma breve análise do índice de erros e acertos das minhas previsões sobre quem seriam os indicados em cada categoria:
Filme: acertei 9 de 10, mas comentei que não ficaria surpreso caso F1 entrasse na lista – e entrou, tirando Foi Apenas um Acidente.
Direção: acertei 4 de 5. Cheguei a mencionar a possibilidade de Josh Safdie, mas ainda assim não esperava que ele entrasse no lugar de Guillermo del Toro, já que este é amado pela Academia.
Atriz: 4 em 5. Cheguei a mencionar Kate Hudson como possibilidade, que de fato entrou no lugar de Chase Infiniti.
Ator Coadjuvante: 4 em 5. E apontei que seria Lindo ver Delroy indicado.
Atriz Coadjuvante: 4 em 5. E aqui nem cogitei a possibilidade de indicação para Elle Fanning, que acabou entrando no lugar de Odessa A’zion.
Roteiro Original: 4 em 5. Fui na onda de Julia Roberts e errei, mas acho que erraria de todo modo, já que, embora tendo citado Blue Moon como possibilidade, provavelmente teria colocado O Agente Secreto no lugar.
Documentário: 2 em 5. Fracasso vergonhoso.
Design de Produção: 4 em 5. Falhei totalmente em prever como Wicked: Parte II seria ignorado pela Academia.
Montagem: 4 em 5. A força surpreendente de Valor Sentimental levou Hamnet a ser excluído.
Figurino: 3 em 5. Wicked novamente me atrapalhou – e não sei de onde tirei que O Beijo da Mulher-Aranha teria alguma chance. De todo modo, jamais teria previsto Avatar na lista.
Direção de Elenco: 4 em 5. Delícia ter errado aqui, quando coloquei Valor Sentimental no lugar do nosso O Agente Secreto.
Trilha Sonora: 4 em 5. Coloquei Marty Supreme no lugar de Bugonia.
Canção Original: 4 em 5. Outra aposta errada em Wicked. Por outro lado, jamais teria incluído Viva Verdi!, que eu nem sabia ser uma coisa que existia.
Maquiagem: 3 em 5. Coloquei Marty Supreme e (suspiro) Wicked no lugar de Kokuho e A Meia-Irmã Feia.
Efeitos Visuais: 2 em 5. Outro fracasso. Nem vou recapitular os erros para não chorar.
Som: 4 em 5. Acho que é a primeira vez em sua carreira que James Cameron não emplaca uma indicação nesta categoria. Deve ter ficado tão surpreso quanto eu.
Curta Documentário: 4 em 5.
Curta Live Action: 1 em 5. Aqui é para enfiar a cabeça na terra.
Curta Animação: 2 em 5. E aproveitar e deixá-la lá mesmo.
Ator, Roteiro Adaptado, Fotografia, Animação e Filme Internacional: 5 em 5.
Placar final: 93 de 125 (74,4%)
E agora… às curiosidades deste ano!
- A primeira é também a mais discutida: Pecadores estraçalhou o recorde que antes pertencia a A Malvada (1950), Titanic (1997) e La La Land (2016) e obteve 16 indicações, superando a marca de 14 estabelecida há 75 anos. A única categoria que faltou foi Melhor Atriz (ou seja: teoricamente, é possível que seu recorde seja batido um dia).
- Isto, aliás, é uma marca inédita para o Terror, um gênero historicamente ignorado pela Academia. Antes de Pecadores, apenas sete outros longas do gênero haviam sido indicados na categoria principal: O Exorcista (1973), Tubarão (1975), O Silêncio dos Inocentes (1991 – único que venceu), O Sexto Sentido (1999), Cisne Negro (2010), Corra! (2017) e A Substância (2024). O que teve maior número de indicações – depois de Pecadores, claro – foi O Exorcista, com dez. Mas Pecadores é o primeiro “filme de vampiro” da categoria.
- Pecadores também representa um marco (vergonhosamente tardio) para os profissionais negros da indústria: jamais um único filme havia rendido indicações ao Oscar para dez pessoas da comunidade. São elas: Ryan Coogler, Michael B. Jordan, Zinzi Coogler (produtora), Delroy Lindo, Wunmi Mosaku, Hannah Beachler (design de produção), Autumn Durald Arkapaw (fotografia), Ruth E. Carter (figurino), Shunika Terry (maquiagem) e Raphael Saadiq (canção). Antes dele, o recorde pertencia a A Cor Púrpura (1985), com oito profissionais indicados, seguido por Judas e o Messias Negro (2021) com sete.
- A figurinista Ruth E. Carter, por sinal, tornou-se a mulher negra com o maior número de indicações ao Oscar, cinco, superando as quatro de Viola Davis. Ela agora possui o mesmo número de indicações obtidas por Spike Lee e Morgan Freeman, que, por sua vez, perdem apenas para Quincy Jones (7) e Denzel Washington (9).
- Caso vença, Ryan Coogler se tornará o primeiro negro a receber o Oscar de Melhor Direção. Em 2026. Inacreditável.
- Wagner Moura se tornou o primeiro ator brasileiro indicado ao Oscar. Antes dele apenas um ator havia sido indicado por uma produção brasileira, mas se tratava do estado-unidense William Hurt, por O Beijo da Mulher Aranha (1985).
- Considerando a categoria de Melhor Filme (atenção: não estou falando de Filme Internacional), apenas dois países haviam recebido indicações em dois anos consecutivos: Suécia (Os Emigrantes e Gritos e Sussurros, em 1973-4) e França (Anatomia de uma Queda e Emilia Pérez, em 2023-4). Com Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto, o Brasil se torna o terceiro desta seleta lista.
- Caso o Brasil vença o Oscar de Filme Internacional pelo segundo ano consecutivo, realizará um feito que não acontece desde 1988, quando a Dinamarca venceu por Pelle, o Conquistador logo depois de ganhar com A Festa de Babette. Apenas três outros países fazem parte da lista: Itália (que conseguiu a dobradinha em quatro ocasiões), França (que conseguiu em três) e Suécia (uma).
- Antes de O Agente Secreto, apenas um filme brasileiro havia conseguido quatro indicações: Cidade de Deus, que no Oscar 2004 foi lembrado em Direção, Roteiro Adaptado, Fotografia e Montagem.
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