POR GERSON NOGUEIRA
Com jogadores que saíram do banco de reservas, o Remo conseguiu virar o placar diante do Águia e partir para a conquista da Supercopa Grão-Pará, primeiro título da temporada. Yago Pikachu empatou e Eduardo Melo fez o gol da vitória nos instantes finais da partida.
Na entrega das premiações, os jogadores do Remo ergueram a taça da Supercopa, mas antes doaram as medalhas ao time do Águia em sinal de respeito e solidariedade pela tragédia que enlutou o clube de Marabá.
A decisão da Supercopa começou em altíssimo nível, com a presença do craque Reinaldo dando o pontapé inicial e erguendo o punho direito, gesto que o consagrou desde a Copa do Mundo de 1978, na Argentina.
Com a bola rolando, o Remo tomou dois sustos antes dos 5 minutos, com PH e Felipe Pará, que quase abriram o placar em falhas da defesa formada por Klaus e o estreante Léo Andrade.
Na sequência, a movimentação de Zé Ricardo, João Lucas e Jaderson gerou boas chegadas do Leão à área marabaense. Panagiotis errou por pouco na primeira finalização. João Pedro desviou com perigo à direita do gol de Jefferson.
Ao longo da primeira etapa, o Remo foi superior na intensidade aplicada ao jogo, mas não era efetivo nas finalizações, quase sempre por erros típicos de início de temporada. Alguns jogadores pareciam visivelmente ainda abaixo do nível técnico esperado.
Panagiotis foi razoavelmente bem no começo, mas depois perdeu espaço e deixou de participar das jogadas. Pavani também caiu de rendimento, o que provou situações de dificuldade para os zagueiros, sempre expostos ao combate direto com os atacantes Gustavo e PH.
Depois do intervalo, o técnico Juan Carlos Osório tirou Panagiotis e lançou Pikachu atuando na segunda faixa ofensiva. Trocou João Pedro, Pavani, Jaderson e Klaus por Nico Ferreira, Cantillo, Eduardo Melo e Marllon.
O Águia soube explorar as indecisões que o Remo mostrava nas movimentações de meio-campo. Em triangulação rápida pela direita, a bola chegou a Bruno Limão e foi lançada na área. Marllon tentou cortar e PH aproveitou para abrir o placar, aos 10 minutos.
No pior momento da partida para o Remo, que ficou sem opções criativas no meio e já sem poder fazer substituições, a reação aconteceu. Aos 31 minutos, Alef Manga foi lançado pela esquerda, driblou o marcador e cruzou na área. Eduardo Melo desviou de cabeça e o estreante Pikachu chegou batendo para as redes.
O empate empolgou as quase 28 mil pessoas no Mangueirão. Empurrado pela torcida, o Remo se lançou ao ataque, mais na raça do que na técnica, acuando o Águia em sua área e levando perigo ao gol de Jefferson.
Aos 45 minutos, Sávio descolou um passe em profundidade para Eduardo Melo, que disparou em direção à área e tocou para as redes quando a bola quase escapava pela linha de fundo. Um gol nascido da velocidade e da perícia na finalização.
O título é importante, pois garante um início de temporada vitorioso e dá mais segurança ao trabalho de Juan Carlos Osório, mas alguns detalhes da apresentação deixaram preocupações quanto à campanha na Série A.
Duas boas estreias e algumas dúvidas pelo caminho
O Remo estreou seis jogadores, mas poucos impressionaram no primeiro teste. Zé Ricardo foi disparadamente o melhor, distribuindo bem o jogo e mostrando eficiência na marcação. Pikachu, que entrou no 2º tempo, também fez boa apresentação e confirmou a fama de predestinado. Marcou um gol importante logo na estreia com a camisa 22 do Leão.
Pouco badalado, Zé Ricardo se sobressai pelos passes e dribles, jogando quase como um meia avançado e contribuindo com as investidas ofensivas. João Lucas também deixou boa impressão, principalmente no 1º tempo.
Dono de passe qualificado, Léo Andrade mostrou total desentrosamento com Klaus e pareceu inseguro nas bolas aéreas. Ficou mais exposto ao lado de outro estreante, Marllon, que entrou no intervalo da partida.
Em sua melhor jogada na partida, Alef Manga iniciou a trama que levou ao empate. Foi a única vez em que agiu como um ponta de verdade. Ao longo da partida, desperdiçou tempo recuando bolas para Sávio, Pavani e Léo Andrade. Podia ter sido mais incisivo.
O desafio de Osório será operar mudanças efetivas na forma de jogar e na escolha das peças capazes de encorpar o time. Com baixa intensidade e desproteção da defesa, a Série A pode virar um pesadelo.
Águia: coletivo eficiente e uma ausência inexplicada
Kukry era uma das atrações do jogo, depois da participação destacada na Copa SP de Juniores. A presença dele era considerada tão importante que foi poupado da trágica viagem de ônibus da delegação. O atacante veio de avião, a fim de se integrar à delegação que já estava em Belém.
Curiosamente, o técnico Júlio César Nunes não o colocou em campo. Surgiram indagações e é possível que ele estivesse abalado pelo ocorrido com o preparador físico Hecton Alves. De qualquer forma, ficou a impressão de que poderia ter ajudado o Águia na final.
PH, Gustavo, Bagagem, Felipe Pará, Bruno Limão e Diogo Carlos foram os melhores no Águia, levando perigo à zaga do Remo sempre que surgia oportunidade de contragolpe. Nos minutos finais, a pressão e o desgaste físico fizeram o time se encolher e aceitar a pressão remista.
(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 19)