POR GERSON NOGUEIRA
A temporada oficial do futebol no Pará começa neste domingo (17h) com a Supercopa Grão-Pará. Remo e Águia entram em campo para disputar a primeira taça. O valor técnico da competição é pouco mais que simbólico, mas a conquista adquire um significado maior na abertura de um ano tão especial para o clube azulino.
Por essa razão, entre os azulinos, mesmo que a Supercopa não tenha a mesma importância das demais competições do ano, há a consciência de que uma derrota teria efeitos desastrosos em plena preparação para a Série A.
O colombiano Juan Carlos Osório estará pela primeira vez à beira do gramado comandando o Leão. O time deve ter a base da Série B com a presença de alguns dos reforços contratados, com destaque para a possível participação de Yago Pikachu, Carlinhos, Patrick de Paula e Alef Manga.
Em campo, o Remo vai procurar mostrar o que foi treinado na pré-temporada. A curiosidade do torcedor está diretamente centrada no desempenho do time que pode vir a ser o da estreia na Série A.
A escalação deve prestigiar jogadores que participaram da conquista do acesso – Marcelo Rangel, Klaus, Kayky, Cantillo, Panagiotis e Diego Hernández –, mas é improvável que o sistema seja o mesmo que conduziu o Remo à Série A, baseado em transições rápidas e contra-ataques fulminantes.
Osório tem um histórico de dirigir times que procuram sempre dominar o jogo, seja pela posse de bola ou pela marcação forte. Diante do Águia, um adversário teoricamente mais modesto, é provável que o Remo se lance ao ataque desde os primeiros momentos.
De modo geral, a expectativa é pela maneira como o novo Remo vai se comportar, já com a assinatura do novo comandante.
Águia luta para superar favoritismo do Leão
Desafiar um adversário de Série A, de forças renovadas e vivendo um momento especial, é tarefa complicada para qualquer time. O Águia encara o favoritismo do Remo na Supercopa Grão-Pará, entendo que é uma oportunidade de mostrar que está pronto para fazer uma temporada de renascimento – em relação ao Parazão, à Copa do Brasil e ao Brasileiro.
O time traz mudanças importantes. A começar pelo gol, onde o titular é Jefferson. Na defesa, desponta o experiente Bruno Limão, titular da lateral-direita e remanescente do time campeão estadual de 2023. No meio-campo, o ex-tunante Tiago Bagagem está confirmado. A dúvida é quanto à escalação do atacante Kukri, que brilhou na Copa SP de juniores.
Outro aspecto a considerar é o trauma pelo trágico acidente com o ônibus da delegação que disputou a Copinha, que causou a morte do preparador físico Hecton Alves. Havia a intenção inicial de adiar a Supercopa, mas os clubes não chegaram a um acordo, o que resultou na confirmação do jogo para este domingo (18).
Supercopa terá um Rei como atração especial
Um convidado especial será uma atração à parte na decisão deste domingo, no Mangueirão. Reinaldo Lima, ídolo do Atlético Mineiro nos anos 70/80, dará o pontapé inicial da partida. É presença das mais ilustres. Um personagem entronizado na primeira prateleira do futebol brasileiro em todos os tempos.
Rei, como é chamado até hoje pela torcida atleticana, brilhou nos campos pela capacidade de ler o jogo e a letalidade nas ações dentro da área. É certamente o centroavante brasileiro mais respeitado pela fina qualidade, acima de monstros como Ronaldo e Romário. Um craque da posição.
Castigado por uma série de lesões causadas pelas botinadas dos zagueiros, teve a carreira precocemente encurtada. Fora dos campos, foi sempre uma mente lúcida a serviço do pensamento progressista. Foi perseguido durante a ditadura militar por expressar livremente suas ideias políticas.
Em 1978, na Copa do Mundo realizada na Argentina, Reinaldo tinha 21 anos e foi o titular contra a Suécia, em Mar del Plata. O Brasil perdia por 1 a 0 até os 45 minutos do 1º tempo. Cerezo cruzou, Reinaldo se antecipou à zaga e tocou para as redes. Mais do que o gol, repercutiu o gesto do camisa 9 na comemoração: punho direito erguido, imitando os Panteras Negras.
Jovem e impetuoso, Reinaldo tomou a decisão por impulso, mas simbolizou um histórico ato de protesto contra os governos militares que dominavam a América do Sul.
Bola na Torre
O programa começa às 22h, com apresentação de Guilherme Guerreiro, com participação de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em pauta, a Supercopa Grão Pará e os preparativos dos clubes para o Parazão. A edição é de Lourdes Cezar e Lino Machado.
(Coluna publicada na edição do Bola de sábado/domingo, 17/18)