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POR GERSON NOGUEIRA
No grupo de reforços contratados pelo Remo, com vistas à disputa da Série A, chama atenção uma particularidade: dos 10 nomes anunciados, pelo menos cinco são jogadores que chegam em busca de uma nova chance no competitivo mercado do futebol brasileiro.
Patrick de Paula, Carlinhos, Pikachu, Patrick, Alef Manga. Com pequenas diferenças de um para outro, todos abraçaram o projeto azulino como alavanca para se reposicionar na carreira. Uns mais, outros menos.
Ao ser apresentado, o volante Patrick de Paula confirmou a expectativa de retomada aos 26 anos. Após começo fulminante no Palmeiras, foi contratado pelo Botafogo por R$ 33 milhões, um recorde à época. Não se estabilizou no Glorioso, foi cedido ao Estoril e agora retorna à Série A.
A rescisão antecipada de contrato com o clube português sinaliza a preocupação em se recolocar na vitrine. Nesse sentido, a euforia da torcida em torno do acesso do Leão foi decisiva para a escolha do clube.
Os muitos desafios vividos por Patrick de Paula no Botafogo passam por uma sequência de lesões, responsável por afetar seu espaço no time e mexeu com a autoestima. O Remo surgiu como esperança de uma redenção quanto ao condicionamento físico.
No ano passado, Pedro Rocha foi o principal destaque individual do Remo e terminou a temporada como artilheiro da Série B, após um período de dificuldades no Criciúma um ano antes. O êxito de sua trajetória tem muito a ver com o trabalho de recuperação desenvolvido pelo Nasp, que se tornou referência em medicina e fisiologia do esporte.
Outra aposta é o atacante Carlinhos, de 28 anos, emprestado pelo Flamengo, onde nunca conseguiu reproduzir a boa fase vivida no Nova Iguaçu. Em 2025, o centroavante disputou a Série A pelo Vitória, com quatro gols em 23 jogos. Deixou o clube sob uma saraivada de críticas da torcida. O Remo surgiu como oportunidade de renascimento.
A primeira aquisição para a temporada foi Alef Manga, caso típico de jogador que luta para reconquistar espaço. Na entrevista de apresentação, definiu a vinda para o Evandro Almeida como “oportunidade única”.
Aos 31 anos, Manga foi do céu ao inferno nos últimos anos. Ele está voltando à Série A depois de três anos de ausência – a última passagem foi pelo Coritiba, em 2023. A carreira entrou em declínio após ser condenado e suspenso pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), por envolvimento no esquema de manipulação de resultados.
Patrick, meio-campista pertencente ao Santos, é outro que chega a fim de acertar o passo no Remo. Ele disputou a temporada de 2025 pelo Athletico-PR, mas não teria espaço no Peixe e resolveu aceitar a proposta do Leão.
No ano passado, foram 41 jogos, 28 como titular. Os números são bons: 87% de acerto nos passes, contribuiu com duas assistências e somou 23 passes decisivos, com 32 interceptações, 85 desarmes e 131 bolas recuperadas, com aproveitamento de 55% nos duelos individuais.
Teve boas passagens pelo Internacional, São Paulo e Atlético-MG, de onde se transferiu para o Santos, onde curiosamente só foi titular em um jogo.
Além dos citados, há o caso especialíssimo de Yago Pikachu, já na fase madura da carreira, mas ainda motivado a encarar desafios. Referência no elenco azulino pela experiência e qualidade, o meia-atacante vai lutar para conquistar o torcedor azulino e superar o ano ruim do Fortaleza.
Um leque de aspirações individuais que o Remo pode transformar em consistente ação coletiva. (Foto: Raul Martins/Ascom CR)
Neymar: a esperança que desafia a dura realidade
Como previsto, o lobby pró-Neymar volta a se assanhar nestes primeiros dias de 2026. O objetivo é naturalmente garantir a presença do meia do Santos na Copa do Mundo. Há um grupo ainda expressivo de gente que crê de verdade na recuperação dele como atleta. Mais ainda: aposta fichas no camisa 10 como esperança de conquista do título.
Que Neymar é tecnicamente diferenciado, não há dúvida. Um dos maiores dribladores de sua geração, virou astro pelas diabruras em campo, desde que estourou no Santos em 2009/2010. No Barcelona, viveu o ponto culminante da carreira ao lado de Lionel Messi e Luizito Suarez.
Desgraçadamente, na Seleção Brasileira o inegável talento foi pouquíssimo utilizado. Por uma série de coincidências ruins, nunca conseguiu se mostrar decisivo pelo escrete em mundiais. Ficou fora da fase final da Copa de 2014, após lesão grave. Quatro anos depois, com problemas no pé, foi à Rússia e saiu “consagrado” como rei das simulações em campo.
Em 2022, no Qatar, também sofrendo com problemas físicos, fez uma Copa discreta até a frustrante eliminação para a Croácia. Caso se recupere bem da cirurgia, pode chegar ao quarto mundial da carreira, carregando nas costas o peso da vida de astro pop e das muitas contusões.
O futebol se tornou, principalmente nos últimos anos, um esporte implacável com jogadores que insistem em não seguir uma vida espartana de atleta. Quem se descuida do condicionamento físico, não consegue mais jogar em nível competitivo.
A necessidade que os times têm de organizar deslocamentos e ocupar espaços faz com que a bola fuja dos jogadores de baixa intensidade. Por isso, caso seja chamado por Carlo Ancelotti, Neymar dificilmente será titular. Pode ser utilizado em situações específicas, como a administração de uma vitória garantida ou a participação em cobrança de penalidades.
A conferir.
(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 12)
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