Método Osório na vitrine

POR GERSON NOGUEIRA

Juan Carlos Osório foi finalmente apresentado pelo Remo. Em entrevista concedida no CT do Retrô, em Recife, ele revelou as bases de sua metodologia de treinamento. Reafirmou a preferência por treinos com bola e a insistência com planos táticos. À torcida, o técnico deixa claro que vai se empenhar em montar um time competitivo para a Série A.

Afirmou que sua metodologia eclética, que une conceitos estruturais do futebol espanhol e o trabalho analítico dos treinadores portugueses, implica em priorizar ações de treinar o jogo todos os dias, a fim de motivar a evolução individual e coletiva do elenco.

Acima de tudo, o jogo de pegada ofensiva é a prioridade. Para um campeonato nacional tão difícil quanto o Brasileiro, Osório planeja duas ou três estruturas de time diferentes para enfrentar as exigências de uma competição tão longa e seletiva.

Com isso, ele confirma tudo o que já se sabia a respeito de suas ideias. O remo vai conhecer Osório na prática. Aliás, já está conhecendo, a partir dos primeiros treinos da pré-temporada. Ele dividiu o elenco formado por 29 atletas, montando dois times para treinos diários.

Não fica naquela prática mais ou menos manjada de rodinhas de bobo ou treino alemão em campo reduzido e trave de brinquedo. Osório põe os times para jogar de verdade. É uma forma de acelerar o processo de conhecimento quanto às características dos jogadores.

Alguns recém-chegados começam a ser observados a partir de agora. Destaque para o volante Patrick de Paula, aposta ousada do Remo levando em conta o currículo recente do jogador. De contratação mais cara do Botafogo em 2023, virou peça descartável nos dois anos seguintes.

Estava no Estoril de Portugal, onde teve passagem apagada, e agora terá no Remo uma das últimas chances de mostrar o bom futebol que exibia no início da carreira, no Palmeiras.     

Outra aposta azulina é o centroavante Carlinhos, 28 anos, que estava no Vitória (BA), onde marcou quatro vezes em 23 jogos. Após ser revelado pelo Corinthians, ele passou por vários times e se destacou no Nova Iguaçu em 2024. Contratado pelo Flamengo, não vingou e foi cedido ao Vitória. E agora chega ao Remo.

Papão troca acomodação por comprometimento

O PSC concentra suas atenções em jogadores de perfil mais jovem, comprometidos com o jogo e dispostos a crescer junto com o clube. Em resumo: gente que vem com fome de bola e vontade de vencer. Nada de medalhões relaxados, preguiçosos e sem a disposição necessária para enfrentar os perrengues da Série C do Campeonato Brasileiro.

A dura lição foi aprendida em 2025 com o pífio desempenho na Série B, decorrente de muitos erros acumulados, tendo como destaque a desastrosa política de contratações, responsável pela presença no elenco de jogadores com baixíssima minutagem e altíssimos salários.

Mesmo com os problemas gerados pela queda de receita em consequência do rebaixamento, o comitê que assessora a diretoria tem conseguido encaminhar contratações que inspiram esperança em dias melhores.

O atacante Danilo Peu, 22 anos, ex-Cianorte, com sete gols marcados na temporada passada, é um desses achados. Vem com o aval do técnico Júnior Rocha, a quem conhece bem. Peu atua pelo lado esquerdo e até pelo centro, como ocorreu em algumas partidas pelo Londrina em 2024.

Em entrevista, ontem, ele revelou que Júnior Rocha costuma utilizar o esquema 4-2-1-3, o que permite imaginar que o Papão inicia a temporada de cara nova e com um modelo de jogo bastante ofensivo.

Fogão flerta com desmanche, transfer ban e incertezas

O cenário de festa e contentamento que marcou o Botafogo em 2024 virou cinzas em 2025 e periga virar terra arrasada em 2026. O desmonte progressivo do elenco do ano passado começou com a saída do capitão Marlon Freitas, ponto de equilíbrio daquele Botafogo campeão da América e do Brasil dois anos atrás. Vai defender o rival Palmeiras.  

Outros jogadores começam a ser especulados com a possibilidade de transferências milionárias. É o caso de Artur Cabral, cogitado para o futebol italiano. Savarino, porém, é a bola da vez. Pretendido pelo Fluminense, já foi liberado pela SAF Botafogo para decidir seu futuro.

Uma situação esquisita e aflitiva para a torcida alvinegra, obrigada a aceitar a estratégia de compra e venda da SAF, desde que Tiquinho Soares, Gregore e Júnior Santos foram negociados logo após os títulos de 2024.

No atual contexto, Savarino seria uma perda de impacto ainda maior. Camisa 10 de técnica refinada, foi a alma criativa do Botafogo nos últimos dois anos. É o referencial de qualidade que pode ir embora em meio às incertezas do clube, penalizado com o transfer ban da Fifa por dívida envolvendo ainda a transferência de Thiago Almada. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 09)

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