POR GERSON NOGUEIRA
A canção era chiclete nos anos 80, como quase tudo que o pop da época produzia. No balanço das horas tudo pode mudar – ou não. No caso azulino, falando das contratações para a temporada de 2026, a torcida espera que as coisas mudem de fato.
Um passo importante foi dado com o anúncio de Juan Carlos Osório para o comando técnico, uma contratação fora da curva e fugindo ao óbvio, o que despertou um certo espanto na mídia que faz a cobertura da Série A.

Apesar da escolha ousada, as dúvidas quanto ao trabalho do colombiano persistem muito menos por ele e mais pelas incertezas quanto aos jogadores que irão compor o elenco na Primeira Divisão. Entre os torcedores há muito receio quanto ao grupo que será formado.
Os medos, normais, têm a ver com o choque de realidade. O Remo terá adversários competitivos, praticamente todos em estágios superiores de preparação, com mais investimento e estrutura.
Embora aprove a cautela com que a diretoria tem se conduzido, evitando precipitações na busca por reforços, o torcedor desconhece o rosto do time que surgir do combo de 20 novos atletas e 12 remanescentes da Série B.
A única aquisição divulgada até o momento é Alef Manga, o que é ainda pouco revelador das ambições do Remo na temporada. Imagina-se que serão contratados jogadores mais graduados quanto à qualidade, até porque se não for assim haverá motivo para muita preocupação.
O Remo entra em 2026 e principalmente no Campeonato Brasileiro com a responsabilidade gerada por 32 anos de espera. Depois de tanto tempo lutando, acumulando decepções e fracassos, o acesso ganhou uma celebração épica, que contagiou o Pará e o país todo.
Até hoje é possível observar a admiração despertada pela conquista azulina e a festa emocionante proporcionada por sua torcida. São ganhos afetivos incalculáveis, que geram a médio prazo vitórias institucionais importantes. Ao mesmo tempo, aumenta a responsabilidade sobre o que virá.
Os temores da torcida estão relacionados com o risco de vexames e de uma experiência de bate-volta, comum entre times que sobem sem organização e preparo. Não parece ser o caso do Remo, até pela explícita disposição em abraçar a ousadia como prática, a partir da contratação de Juan Carlos Osório, técnico da primeira prateleira e de currículo respeitável.
O executivo Marcos Braz sugere considerar que há 14 meses o Remo era da Série C. O Fenômeno Azul sabe disso de cor e salteado. Conselho inútil, tempo desperdiçado. O momento exige trabalho e coragem. (Foto: Wagner Santana/O Liberal)
Papão precisa transformar crise em renascimento
A renúncia do presidente Roger Aguilera representa uma ruptura na gestão do PSC. Como toda crise, abre a oportunidade para mudanças estruturais importantes. Criticado por torcedores e sócios, Roger abriu mão do cargo – como Sérgio Serra, em 2017 – depois de consultar a família, historicamente vinculada ao clube
O desgaste provocado pelo rebaixamento à Série C e amplificado pelos graves problemas financeiros, envolvendo pendências trabalhistas que chegam a R$ 17 milhões, fez Roger desistir do mandato. O vice Márcio Tuma assume a missão de conduzir a gestão a partir de agora.
Bicolores de todos os matizes e condições financeiras precisam se unir em torno da causa. O PSC tem que ser reinventado em 2026. O desafio prioritário é voltar à Série B, objetivo que não pode ser negligenciado.
Recado aos 27 indômitos baluartes
Com o término das competições e o recesso do futebol neste final de ano, a coluna sai de cena por 10 dias, dando merecida folga aos leitores. O retorno fica agendado para 4 de janeiro. Até lá.
A manhã de luz que vira explosão no dia seguinte
Na coluna de despedida de 2025, uma linha do tempo que narra um certo dia de agosto de 1945, iluminado por música, sonho e rock’n’roll, véspera da funesta manhã em que Hiroshima virou pó atômico:
“Geopolítica ou os russos estão chegando
Liverpool (England) – 05/08/1945, 23h15. John dormiu. Acordou. Foi brincar de cantar.
Três Pontas (MG) – 05/08/1945, 20h15. Milton dormiu. Acordou. Foi brincar de cantar.
Duluth, Minnesota (EUA) – 05/08/1945, 17h15. Bob dormiu. Acordou. Foi brincar de cantar.
Hiroshima (Japão) – 06/08/1945, 8h15. Minato dormiu. Sonhou que brincava de cantar. Não acordou. Desintegrou-se.”
O autor do inspirado miniconto é João de Deus Costa, nascido em Pedro Leopoldo (MG) há 75 anos, amigo da amiga jornalista Bianca Alves.
(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 24)