
Rei morto, rei posto. No mesmo dia em que Ednaldo Rodrigues foi destituído do cargo de presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), 19 das 27 federações de futebol do Brasil assinaram um manifesto pedindo renovação na entidade. Sem citar Ednaldo, o texto assinado pelos 19 presidentes (incluindo o da Federação Paraense de Futebol) apoia uma nova eleição na CBF, que já foi convocada por Fernando Sarney, o interventor nomeado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro: nesta sexta-feira (16), a CBF se posicionou e confirmou que o pleito será realizado no domingo, 25 de maio.
Como possível candidato, aparece Ronaldo Fenômeno, que tentou, sem sucesso, o apoio das federações para concorrer ao pleito ocorrido em março deste ano. Na ocasião, o Fenômeno foi apoiado apenas pela Federação Paulista de Futebol e acabou retirando sua candidatura. Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da FPF (Federação Paulista de Futebol), é outro que também poderá aparecer como candidato ao cargo máximo da CBF.
Os cargos em disputa serão de presidente, oito vice-presidentes, três membros efetivos e três membros suplentes do Conselho Fiscal da entidade para mandatos do quadriênio de 2025/2029.
No dia seguinte à votação, o técnico Carlo Ancelotti chega para comandar a Seleção Brasileira e realizar sua primeira convocação para os jogos das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026. Apesar da dança das cadeiras na confederação, o italiano confirmou que mantém a sua vinda para o Brasil e seu compromisso com a Seleção.
O MANIFESTO
Além da estabilidade, o cenário exige uma renovação de ideias, de práticas e de lideranças, bem como a profissionalização definitiva das estruturas de gestão. A CBF precisa ser exemplo de governança, eficiência e transparência”, diz um trecho do manifesto assinado pelas 19 federações estaduais. Apenas oito não assinam o documento: São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Espírito Santo, Tocantins, Mato Grosso e Amapá.
Ednaldo Rodrigues foi afastado por decisão da Justiça motivada por uma suposta falsificação da assinatura do Coronel Nunes, um dos vice-presidentes da entidade, em um documento que reforçava o poder de Ednaldo Rodrigues dentro da CBF.
Esse documento, homologado em fevereiro, encerrou a ação que questionava o processo da eleição de Ednaldo para o comando da confederação. Se comprovada a falsificação da assinatura, a eleição de Ednaldo se tornaria inválida.
A decisão foi publicada nesta quinta-feira (15) pela 19ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ). O responsável é o desembargador Gabriel De Oliveira Zefiro, presidente da comissão, que atendeu o pedido do vice-presidente, Fernando Sarney. O vice-presidente, inclusive, foi nomeado interventor pelo TJ-RJ e deve convocar eleições “o mais rápido possível”.
Na semana anterior, o Supremo Tribunal Federal (STF) já havia recebido duas denúncias contra Ednaldo Rodrigues. Uma da deputada Daniela do Waguinho (União Brasil-RJ) e outra de Fernando Sarney, vice-presidente da CBF. Gilmar Mendes, relator do caso, recusou os pedidos de afastamento do presidente, mas guiou o caso de volta para a Justiça do Rio, que publicou a sentença nesta quinta-feira (15).

A decisão do desembargador Gabriel Zefiro parte do princípio de que o Coronel Nunes, intimado para audiência na última segunda-feira (12), não compareceu à sessão sobre a possível falsificação de assinatura em acordo que legitimou a eleição de Ednaldo Rodrigues.
Sem a presença do Coronel Nunes, o desembargador Gabriel De Oliveira Zefiro baseou a decisão desta quinta-feira em um atestado médico de Coronel Nunes, de maio de 2023, que revela déficit cognitivo, hidrocefalia, tonturas e ataxia. O desembargador também considerou um exame de grafodocumentoscópico (perícia de assinaturas e documentos) na assinatura do ex-dirigente em outros documentos.
Dessa forma, a decisão do desembargador foi por anular o acordo firmado em janeiro “em razão da incapacidade mental e de possível falsificação da assinatura de um dos signatários, Antônio Carlos Nunes de Lima, conhecido por Coronel Nunes.”
Ednaldo Rodrigues entrou na quinta-feira (15) com medida cautelar no Superior Tribunal Federal (STF) pedindo a retirada de Fernando Sarney do comando da CBF.
