
Por Charles Alcantara (*)
Quem acompanha a cena política local, há muito já sabia que o ano de 2025 começaria sob o signo da sucessão estadual, uma vez que o governador Helder está em seu segundo mandato, e sendo favas contadas que deixa a chefia do Executivo no início de abril de 2026 para, no mínimo, concorrer a uma cadeira no Senado Federal, com chances até mesmo de um salto além-estado, que convém levar a sério, a despeito dos obstáculos adicionais que um político nortista precisa enfrentar e superar para se afirmar na política nacional. Desde que foi anunciada pelo governador como a sua escolhida à sucessão, nas eleições de 2026, a vice-governadora Hana Ghassan Tuma vem enfrentando desconfianças e resistências, ora sussurradas ao pé-do-ouvido, ora compartilhadas cautelosamente nas mais diversas bolhas, desde políticos dos mais diversos espectros a jornalistas. As desconfianças e as resistências se sustentam em argumentos que a história já desmoralizou diversas vezes que, resumidamente, dizem:
- Hana não é do ramo;
- Hana é uma técnica;
- Hana não aguenta pressão;
- Hana não tem traquejo político.
- Para além de frágil e pueril, essa linha argumentativa não tem base na realidade, porque revela desconhecimento a respeito da personagem Hana, e, pior, expressa uma escancarada misoginia que precisa ser denunciada e banida da vida social e política.
Não é porque não é do ramo, ou porque é técnica, ou porque não aguenta pressão ou, ainda, porque não tem traquejo político. É porque é mulher e, como tal, porque está no lugar que não é o “seu” lugar.
Na política, especialmente na política, mulher tem que “matar vários leões por dia” para provar que é capaz, que aguenta pressão, e que tem traquejo (seja lá o que signifique esse tal “traquejo”).
Ao contrário da interpretação do prestigiado e experiente jornalista Carlos Mendes, editor-chefe do prestigiado Ver-o-Fato, o chamamento de Hana para comandar novamente a Seplad, uma pasta estratégica e de elevadas complexidade e responsabilidade, não a desfavorece ou fragiliza o seu nome para a disputa ao governo, em outubro de 2026. Antes e acima disso, revela a reconhecida capacidade técnico-política de Hana, que se firmou como um valioso ativo do grupo que comanda a política no Estado.
A vice-governadora Hana, que já coordena os preparativos da COP 30, que acontece este ano em Belém, agora também passa a comandar a Seplad, pasta que já comandou com grande êxito no primeiro mandato de Helder. Na minha modesta opinião, isso demonstra força e prestígio, em vez de fraqueza e desprestígio. - Ah, mas os problemas são tantos, que o desgaste é inevitável!
Na atividade política, desgastes, pressões e problemas são inevitáveis. Sobrevive na política, quem passa por tudo isso.
É claro que Hana passa, não por uma, mas por várias “provas de fogo”, mas, na minha modesta opinião de observador atento da cena política, Hana tem se saído muito bem, a ponto de estar mais forte e em notável preparação para o eventual embate eleitoral. Há de se reconhecer que o seu padrinho e tutor político tem conduzido com maestria esse processo de preparação, cuja primeira fase (a primeira metade do atual mandato: 2023 e 2024) teve como pedra de toque posicionar Hana no tabuleiro político e apresentá-la ao jogo, tornando-a conhecida nos 144 municípios.
Essa primeira fase foi concluída com grande êxito, a ponto de o nome de Hana estar muito bem posicionado nas primeiras sondagens eleitorais de 2026, mesmo jamais tendo sido candidata a qualquer cargo eletivo. Aliás, Hana aparece melhor posicionada que o atual prefeito de Belém, no ano anterior às eleições municipais.
Nada do que disse é garantia de que a candidatura de Hana em 2026 é incólume aos ventos da política. Por outro lado, qualquer opinião, na atual quadra histórica, que coloque em dúvida a consistência da candidatura de Hana, é uma mistura de especulação com desejo.
Hana, de fato, tem muitos desafios pela frente, mas o maior de todos os seus desafios é o de superar o machismo que a trata com desdém e preconceito.
(*) Charles é observador e militante político