POR GERSON NOGUEIRA

Os principais clubes paraenses estão novamente diante do desafio de montar elencos competitivos para a disputa da Série B do Campeonato Brasileiro em 2025, com a responsabilidade de não repetir erros grosseiros do passado recente. O PSC ainda tem dois jogos a cumprir na competição, mas o Remo está em recesso desde 5 de outubro. Cientes das dificuldades impostas pelo mercado, as duas gestões já se movimentam no sentido de encaminhar contratações.
Como o calendário divulgado pela CBF prevê que os estaduais irão começar em 12 de janeiro, torna-se imperioso que os clubes aproveitem bem o tempo (menos de dois meses) disponível antes do início dos torneios.
A comparação com as decisões tomadas neste ano é o passo inicial para evitar a repetição de erros sérios, como a aquisição de jogadores que não tiveram o rendimento esperado e outros que nem chegaram a atuar – como Pedro Romano, zagueiro do PSC, indicado pelo técnico Hélio dos Anjos, que não jogou e ainda teve contrato estendido até metade de 2025.
Estripulias absurdas do tipo Pedro Romano não podem ser reeditadas. Caso os clubes continuem a errar de forma tão grotesca, novos problemas surgirão no caminho dos dois clubes na disputa de um campeonato previsivelmente equilibrado e difícil.
O Remo tem viva na memória a desastrosa participação na Série B 2021, quando contratou uma enxurrada de reforços, que não impediram uma campanha errática e que culminou em rebaixamento.
Alguns jogadores remanescentes da temporada anterior foram reaproveitados, com pífios resultados, contribuindo para o fracasso. Desta vez, a diretoria optou por reduzir ao máximo a presença de jogadores da campanha do acesso no novo elenco.

Foram mantidos sete atletas – Marcelo Rangel, Léo Lang, Sávio, Rafael Castro, Jaderson, Pavani e Ytalo – e ainda persistem esforços para renovar com o ala direito Diogo Batista. Mas, depois que o executivo Sérgio Papellin alertou para o risco das especulações, surgiu a notícia de que o meia Dodô, 30 anos, que estava no futebol árabe, pode ser anunciado.
Já o PSC, que tem 19 atletas com contratos se encerrando no fim do ano, as deliberações sobre permanências e rescisões devem começar após o jogo final com o Vila Nova. Preocupa o fato de que peças importantes – como Esli García, Matheus Nogueira, João Vieira, Paulinho Boia e Jean Dias – podem deixar o clube em dezembro. Nicolas, Lucas Maia, Quintana e Borasi têm contrato até 2025. Kevyn e Juninho, este sem chances no time titular, têm vínculo até 2026.
Há, porém, um outro caso esquisito, que lembra o de Pedro Romano. O lateral-esquerdo Keffel, indicado e avalizado por Hélio dos Anjos, foi contratado junto ao Torreense de Portugal por 150 mil euros (R$ 900 mil), segundo o jornal português Record. Keffel, porém, foi pouquíssimo aproveitado na Série B e ficará no clube até novembro de 2025.
A considerar o valor desembolsado por um atleta sem utilização, o clube não deverá ter muitos problemas para bancar os custos da permanência do venezuelano Esli, simplesmente o melhor jogador do elenco.
Sugestão para reforma e ampliação da Curuzu
O amigo Aldo Valente, torcedor do PSC e velho colaborador da coluna, elaborou uma sugestão para a revitalização do estádio da Curuzu pelas mãos da futura gestão de Roger Aguilera. Transcrevo na íntegra:
“O Roger fala da reforma e ampliação da Curuzu e ela vem passando por melhoramentos em todos estes últimos 10 anos, mas não vejo um projeto continuado de ampliação, apenas um remendo aqui, outro ali. A dimensão restrita é limitante, mas um projeto arquitetônico arrojado e moderno poderia compensar essas limitações.
A Europa está cheia destes estádios com áreas reduzidas, mas de capacidade de 30 a 35 mil torcedores. Minhas sugestões:
1 Demolir as arquibancadas das travessas Chaco e Curuzu e ali construir três andares de arquibancadas sobrepostas.
2 Na arquibancada que dá para a Almirante Barroso, fazer um reforço de estrutura na fundação que permita a construção de mais dois novos vãos superiores de arquibancadas.
3 Na parte de fundo, reforço de estrutura na fundação e acima dos camarotes, construir um grande vão de arquibancada.
Todas as arquibancadas cobertas, drenagem do gramado e infraestrutura para receber shows e grandes eventos. Aí, sim, teríamos o dobro da atual capacidade do estádio.
É claro que uma obra dessa envergadura levaria algum tempo, mas ter um projeto arquitetônico bem estruturado e as obras feitas por etapas, em algum momento será concluída. Pensar numa ampliação reduzida é pensar pequeno, sem pragmatismo e com pouco futuro”.
Seleção pode pular para a vice-liderança
Depois de três dias de treinamentos em Belém, finalizados ontem, a Seleção Brasileira enfrenta hoje (17h, horário de Brasília) a Venezuela, em Maturín, pelas Eliminatórias Sul-Americanas à Copa de 2026. Um jogo que pode comprovar a ascensão do Brasil nesta etapa da competição.
Em quarto lugar, com 16 pontos, a Seleção pode ultrapassar a Colômbia (19), alcançando a vice-liderança em caso de vitória. Seria uma recuperação expressiva sob o comando de Dorival Júnior, cujo trabalho foi muito criticado nas primeiras partidas.
Para começar o jogo, a novidade é a nova formação de meio-de-campo, com Gerson, Bruno Guimarães e Raphinha. Boa providência de Dorival, apesar de derramar elogios ao fraco Paquetá, cuja presença repetida na Seleção gera muita desconfiança. Questiono até como reserva.
(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 14)