POR GERSON NOGUEIRA
Giovani Pavani, de papel destacado na etapa de recuperação do Remo na Série C, está confirmado para a temporada 2025 como reforço azulino. Meio-campista de perfil moderno, com capacidade para marcar e fazer a transição, teve um começo pouco auspicioso no Baenão. Fisicamente abaixo das condições ideais, custou a se tornar titular indiscutível.
Passou período difícil sob o comando de Ricardo Catalá, sem conseguir fazer boas partidas na Copa do Brasil e no Campeonato Paraense, entrava e saía do time sem conseguir se consolidar. O problema persistiu durante a passagem de Gustavo Morínigo, quando era mais utilizado na função de armação de jogadas.

A chegada de Rodrigo Santana significou a redescoberta de Pavani. Ele passou a ser uma peça fundamental na articulação de meio-campo, ao lado de Jaderson. A partir daí, ele ganhou funções mais amplas, marcando como um volante e auxiliando nas ações ofensivas, destacando-se com lançamentos e troca de passes.
Ganhou confiança e em muitos jogos teve ativa participação nas manobras do ataque, arriscando chutes de média e longa distância. Virou titular inquestionável, principalmente quando o Remo encontrou sua melhor formação na meia-cancha, com Bruno Silva de primeiro volante.
O processo de amadurecimento técnico de Pavani teve muito a ver com um uma meticulosa mentoria interna. Alguns jogadores tiveram acompanhamento individualizado, com estabelecimento de metas e análise de performance.
Ao final da fase de classificação, Pavani já se destacava como um dos atletas que mais evoluíram na parte física e no aprimoramento de recursos técnicos, com sinais visíveis no desempenho de suas funções em campo.
A confirmação de seu acerto salarial com o clube tem a ver com o empenho do técnico Rodrigo Santana em garantir sua permanência, consciente da importância que ele adquiriu – em campo – para o conjunto azulino.
Badernas nos estádios penalizam os clubes
Os torcedores que comparecem aos jogos para virar protagonista e não apenas para incentivar seus times têm trazido prejuízos imensos aos clubes. Detê-los, no sentido de impedir que causem baderna dentro e nas cercanias das praças esportivas, passa a ser uma prioridade dos gestores.
O PSC sofreu com isso nesta temporada, em consequência das desordens promovidas por facções organizadas em jogos fora de Belém. O clube foi punido e obrigado a fazer duas partidas com público limitado a mulheres e crianças.
Para 2025, quem já tem penas a cumprir é o Remo. Serão três jogos de punição em competições nacionais. O primeiro jogo a cumprir se refere à condenação pelos tumultos da torcida no jogo com o ABC, em Natal. A pena foi convertida para um público com mulheres e crianças.
O departamento jurídico do clube vai tentar agora converter também a pena de portões fechados para outras duas partidas – inicialmente, seriam três, pelos incidentes com bombas lançadas próximas ao gramado do Mangueirão, no jogo contra a Aparecidense.
No caso específico do jogo com o ABC, o Leão sofreu um duplo prejuízo. A confusão – um torcedor arrancou uma faixa da torcida do ABC – ocorreu no momento em que o Remo marcou seu gol, com Felipinho, e ensaiava uma recuperação na partida. Devido ao incidente, houve uma paralisação de 15 minutos, que esfriou a possível reação azulina.
Gaiato, cartola rubro-negro força treta antes da final
A noite de ontem teve uma cena de humor involuntário na TV durante entrevista de Bruno Spindel, diretor do Flamengo. Com expressão séria, ele afirmou que o rubro-negro do Rio é alvo contumaz das pressões que os demais 19 clubes da Primeira Divisão exercem sobre a arbitragem.
Segundo ele, essa influência se impõe nas decisões do VAR em jogos que envolvem o Flamengo. Para ele, geralmente o clube é prejudicado, o que alegraria seus adversários. A considerar esse tipo de raciocínio, pode-se concluir que Spindel habita um universo paralelo.
É de conhecimento até do reino mineral que o clube brasileiro historicamente mais contemplado com erros – propositais ou não – de arbitragem é o Flamengo. Uma consulta básica às estatísticas e dados do Google referenda essa verdade.
O mais provável é que o representante rubro-negro estivesse apenas exercitando a velha prática de criar polêmica às vésperas de uma decisão. O Flamengo enfrenta o Atlético-MG, domingo, em BH, na final da Copa do Brasil, com uma bela vantagem de dois gols.

Boa notícia: o rock continua altivo e insubmisso
Dois craques do rock internacional, o guitarrista Jack White (foto) e o cantor Michael Stipe (ex-R.E.M.), utilizaram um provérbio turco para se manifestar sobre a vitória do neofascista assumido Donald Trump nas eleições norte-americanas.
Transcrevo aqui:
“A floresta estava a encolher, mas as árvores continuaram a votar no machado, pois o machado era inteligente e convenceu as árvores de que, por seu cabo ser feito de madeira, ele era um deles”.
(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 08)