Lula: mercado e mídia corporativa agem de forma hipócrita para pressionar por cortes

O presidente Lula rechaçou firmemente a possibilidade de realizar um corte de gastos que prejudique a população mais humilde, e denunciou a hipocrisia do mercado financeiro e da imprensa corporativa, que pressionam por um “choque fiscal”. 

“E eu, às vezes, acho que o mercado age com uma certa hipocrisia, com uma contribuição muito grande da imprensa brasileira, para tentar criar confusão na cabeça da sociedade”, disse o presidente em entrevista à Rede TV, divulgada nesta quarta-feira (6). 

Lula disse que os cortes não podem ser feitos “em cima do ombro das pessoas mais necessitadas”, em meio à pressão do mercado financeiro por políticas de austeridade. 

O presidente também cobrou do Congresso que se envolva nos cortes. “Se eu fizer um corte de gastos para diminuir a capacidade de investimento do orçamento, a pergunta que eu faço é o seguinte: o Congresso vai aceitar reduzir as emendas de deputados e senadores para contribuir com o ajuste fiscal que eu vou fazer?”, indagou. 

PRESSÃO

A vitória de Donald Trump nas eleições nos Estados Unidos e a recente alta do preço do dólar, que chegou a superar a marca de R$ 6, sendo comercializado a R$ 5,781 no final da manhã desta quarta-feira (6), aumentaram a pressão sobre o governo brasileiro para anunciar um corte de gastos. Segundo a revista Exame, técnicos da equipe econômica e da ala política, que acompanham as discussões, afirmam que o governo está ciente da necessidade de que seja dada uma resposta a esse cenário.

Entretanto, as medidas para controlar as despesas públicas só serão apresentadas ao público quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estiver totalmente convencido de sua necessidade. Ainda conforme a reportagem, a manutenção da política de reajuste real do salário mínimo e dos gastos com educação são considerados temas delicados, e ele não pretende alterar esses pontos na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que será enviada ao Congresso. Ao blindar a política de reajuste do mínimo e as despesas com educação, Lula busca evitar eventuais impactos negativos em sua popularidade. (Com informações de Brasil247 e Exame)

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