
O poeta Antônio Cícero, imortal da Academia Brasileira de Letras, morreu nesta quarta-feira (23) na Suíça, e despediu-se dos amigos com uma carta reveladora de sua personalidade e da coragem que marcaram sua vida.

HOMENAGEM DE CAETANO
“Ao acordar, fiquei sabendo de Antonio Cicero. Recebi mensagem dele, onde a coerência e a lucidez, que sempre foram características do meu amigo filósofo e poeta, impressionam, mas não desfazem a tristeza que sua ausência física me causa. Cicero foi meu melhor amigo, a pessoa mais correta que conheci. O afeto de amizade mais límpido que se possa imaginar. E uma inteligência luminosa. Marcelo, seu marido de tantos anos, deve entender minha tristeza e também meu orgulho pela coerência de Cicero. Sua irmã Marina pôs música em um poema seu e dali saiu um longo e brilhante repertório de canções. Ela também deve me entender. Adoro o desaforado livro de filosofia em que Cicero louva Descartes em época pós-estruturalista. Morrer por decisão própria enfatiza seu pensamento. E sua poesia”.
Mensagem de Caetano Veloso sobre o amigo Antônio Cícero.

UM EXEMPLAR DA POESIA DE CÍCERO


Letrista de alguns dos maiores êxitos musicais dos anos 80, nas vozes da irmã Marina Lima e de cantores como Lulu Santos, o filósofo e poeta Antônio Cícero aproximou a poesia do pop.

“Tolice é viver a vida assim sem aventura” (trecho da letra de Último Romântico)