POR GERSON NOGUEIRA
O Remo entrou com determinação e vontade de vencer. Atacou muito, perdeu três oportunidades claras (duas com Ytalo, uma com Raimar), mas se acomodou à medida que o jogo avançava, em João Pessoa. Os planos começaram a ruir quando João Afonso foi expulso, ainda no 1º tempo, forçando mudanças no sistema de jogo. Depois disso, o Botafogo prevaleceu e cravou um resultado fora da realidade da partida.
Sem impor pressão, o Remo foi dominando os primeiros minutos com ações que envolviam os alas Diogo Batista e Raimar, fazendo Pedro Vítor e Jaderson surgirem sempre com perigo nos flancos defensivos do Botafogo. Foi assim que Ytalo teve a grande chance, chapando um cruzamento de Jaderson para defesa milagrosa de Wallace.
Raimar também teve a sua chance, depois de um rebote do goleiro. O Remo era superior, trocava passes sem dificuldades e o Botafogo se resumia a um início agressivo, quando Silas quase abriu o placar. O problema azulino foi a falta de apuro nas finalizações.
O placar de 3 a 0, exagerado para a maneira como o jogo começou, foi construído no 2º tempo, menos por mérito do Botafogo e mais pelas dificuldades que o Remo teve para se estruturar com um homem a menos. Pedro Vítor e Ytalo saíram, entraram Bruno Bispo (para recompor a zaga) e Rodrigo Alves, mas isso não fez o time retomar o ritmo da etapa inicial.

Apesar dos problemas apresentados pelo Remo na defesa e da perda de força ofensiva, o Botafogo não conseguia agredir e criar chances de gol. A situação começou a mudar num erro da defesa do Remo, que não acompanhou o passe de Henrique Dourado para Joãozinho. Além da lambança dos zagueiros, o confuso árbitro Rodrigo Fonseca da Silva (MT) e o VAR comeram mosca.
Dourado admitiu depois para jogadores do Remo que deu o passe com a mão para Joãozinho fazer o gol, aproveitando a confusão dentro da área. O VAR revisou, mas validou o gol. Com a desvantagem, o Leão se desconcentrou ainda mais e passou a errar muitos passes.
No melhor momento do ataque azulino, Pavani finalizou em direção ao gol e a bola bateu no braço de um zagueiro. O VAR não chamou o árbitro para revisar o lance, usando critério diferente do que foi usado na expulsão de João Afonso, que tocou na bola com o braço.
Na metade do 2º tempo, Gabriel Lima atacou pela direita e cruzou a bola para Dudu, que finalizou no canto esquerdo de Marcelo Rangel. Na origem do lance, o zagueiro Bruno Bispo sofreu falta não assinalada pelo árbitro.
Depois, quase ao final, um erro de Paulinho Curuá permitiu ao Botafogo ampliar para 3 a 0. A bola chegou a Joãozinho dentro da área e ele foi derrubado quando tentava chutar. Henrique Dourado cobrou e marcou.
Apesar dos erros da arbitragem, o Remo mostrou pouca combatividade no 2º tempo e se entregou por completo depois de sofrer o gol. A derrota não seria uma surpresa, mas o placar frustrou a torcida, que esperava mais luta pela chance de chegar à final do campeonato.
Desempenho do time pode antecipar escolhas
Alguns jogadores ficaram abaixo das expectativas no jogo com o Botafogo. Pavani, Ytalo, Diogo Batista e João Afonso poderiam ter feito um jogo de mais intensidade e sem erros tão óbvios, como o de João Afonso, que se descuidou ao matar a bola no lance em que acabou expulso.
Apesar de ter cumprido a missão principal que era a conquista do acesso, o time perdeu uma chance preciosa de fechar a temporada de maneira impecável. A vitória sobre o eliminado Botafogo era necessária para terminar em 1º lugar no Grupo B e se habilitar a decidir o título.
Na outra partida, o Volta Redonda estava perdendo para o São Bernardo até a metade do 2º tempo, mas conseguiu a virada, mostrando capacidade de superação. O Remo, que teve apenas dois treinos antes de viajar, deveria ter feito o mesmo, em respeito a um sonho antigo da torcida.
O lado positivo disso tudo é que a comissão técnica e a própria diretoria do Remo certamente aproveitaram a partida para iniciar a avaliação de desempenho. Pelo nível de irritação do técnico Rodrigo Santana, alguns jogadores podem ter se despedido do Baenão após a atuação no sábado.
A projeção de aproveitamento de atletas do elenco para a temporada de 2025 gira em torno de 15% a 20%. Nomes quase certos: Marcelo Rangel (depende de acordo), Ligger, Sávio, Pavani, Jaderson, Ytalo (renovação automática), Thalys e Pedro Vítor. Apesar do interesse do clube, os alas Diogo Batista e Raimar dificilmente ficarão.
Márcio precisa assumir o comando de verdade
Ao PSC restam oito decisões para garantir a permanência na Série B. Não é missão impossível, mas existem muitas dificuldades pelo caminho. A maior delas diz respeito à definição de um modelo de jogo, que ainda não ficou claro desde que Márcio Fernandes substituiu Hélio dos Anjos.
Márcio assumiu o cargo, mas não tem exercido o comando de maneira firme. Essa autoridade não é disciplinar, mas técnica. O time não consegue se estabilizar e oscila muito dentro de uma mesma partida. Foi o que aconteceu contra o CRB, em Maceió, na sexta-feira (4).
Sem Nicolas (suspenso), o time entrou com Yony González centralizado, Jean Dias e Borasi pelos lados. Os pontas foram muito bem na partida, principalmente o argentino, mas Yony teve atuação pífia. O mesmo pode-se dizer de Robinho, tímido na missão de criar jogadas.
O setor de marcação afrouxou diante da pressão exercida pelo CRB no final do 1º tempo e início do segundo período. Em função disso, o PSC permitiu que o adversário marcasse três gols e virasse o placar.
Ainda houve tempo para o segundo gol, com Borasi, mas logo em seguida ele foi substituído, deixando o ataque menos agressivo. A lamentar o fato de que o CRB venceu muito mais pelos descuidos propiciados pelo PSC.
Técnicos não gostam de comentar sobre jogadores que não são escalados, mas soou esquisita a barração do meia Juninho, que nem viajou a Maceió. Lembrou algumas das encrencas de Hélio dos Anjos com o próprio Juninho e com Esli García (que entrou só no final, de novo).
Dá para se manter na Série B, mas o PSC tem que considerar os jogos fora de casa também para conquistar a pontuação mínima necessária (10 a 13 pontos). Até nisso há um equívoco: o técnico insiste em considerar apenas os quatro confrontos que serão realizados na Curuzu.
(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 07)