Levantamento do Greenpeace Brasil mostra que atividade ilegal extrapola territórios indígenas e já devastou 13 mil hectares em 15 Unidades de Conservação da Amazônia.

Um levantamento inédito do Greenpeace Brasil mostra que, além das terras indígenas, o garimpo ilegal ameaça um importante patrimônio natural brasileiro: as Unidades de Conservação (UCs) da Amazônia. A organização identificou atividade garimpeira em 15 UCs em três estados do bioma, Amapá, Amazonas e Pará, com uma área total devastada de 13.484 hectares. O novo levantamento sobre garimpo é publicado neste 5 de setembro, Dia da Amazônia.

“O garimpo tem sido um dos principais vetores de destruição da Amazônia. Com este novo levantamento, o Greenpeace alerta que não são apenas as Terras Indígenas que são devoradas pelo garimpo, mas também as Unidades de Conservação. O enfraquecimento da fiscalização e o afrouxamento de leis ambientais, ocorridos durante o governo Bolsonaro, assim como o aumento do preço do ouro no mercado externo, fizeram com que os números relativos a essa atividade crescessem exponencialmente, piorando um cenário que já era muito complexo no bioma”, explica o porta-voz da frente de Povos Indígenas do Greenpeace Brasil, Jorge Eduardo Dantas.

A Floresta Nacional do Amanã, que fica na divisa entre o Amazonas e o Pará, é a UC com a maior área destruída por garimpo ilegal na Amazônia. Nesta UC, o Greenpeace Brasil identificou 6,8 mil hectares de garimpo – quase metade da área total de garimpo identificado dentro de UCs. “Amanã” é um termo de origem indígena que significa “água que vem do céu”. O rio, de mesmo nome, o mais importante daquela Floresta Nacional, possui 156 quilômetros – desses, 56 km já foram afetados pelo garimpo, sem contar seus afluentes.

A segunda posição é da Floresta Nacional (Flona) de Urupadi, no sul do Amazonas. A Flona sofre com o garimpo ilegal desde 1985, quando foram identificados 162 hectares da atividade ilegal em seu interior. Em 2016, quando a Floresta Nacional foi criada, o tamanho da área devastada por garimpo já era de 303 hectares. Em 2024, o levantamento do Greenpeace encontrou 2.603 hectares de atividade garimpeira – um aumento de 759% em menos de 8 anos.

O Greenpeace também analisou os pedidos de Permissão de Lavra Garimpeira (PLG) disponibilizados pela Agência Nacional de Mineração (ANM) dentro da UC. Foi feita a intersecção da área de garimpo com a área da PLG, e verificou-se que de 120 pedidos dentro da UC, 43 PLGs em diferentes fases estão sobrepostas à área de garimpo na UC.

Apesar da atividade garimpeira ser permitida em certas zonas da Floresta Nacional do Urupadi, o Plano de Manejo Florestal da Flona não foi localizado, o que seria de suma importância para verificar se os limites da exploração estão sendo respeitados.

Localização das Unidades de Conservação com registro de atividade garimpeira.

As 15 UCs identificadas pelo Greenpeace Brasil devastadas com garimpo:

Unidade de ConservaçãoÁrea de garimpo (ha)CategoriaUF
1Floresta Nacional do Amanã6.812Uso SustentávelPA
2Floresta Nacional do Urupadi2.613,03Uso SustentávelAM
3Floresta Nacional do Crepori1.172,49Uso SustentávelPA
4Parque Nacional do Jamanxin622,64Proteção IntegralPA
5Floresta Nacional de Altamira538,64Uso SustentávelPA
6Floresta Nacional do Jamari355,15Uso SustentávelPA
7Estação Ecológica do Alto Maués313,12Proteção IntegralAM
8Parque Nacional do Juruena289, 18Proteção IntegralAM/MT
9Floresta Nacional de Itaituba201,65Uso SustentávelPA
10Parque Nacional do Mapinguari164,34Proteção IntegralAM
11Parque Nacional dos Campos Amazônicos123Proteção IntegralAM
12Floresta Nacional de Itaituba II116Uso SustentávelPA
13Floresta Estadual do Amapá86,87Uso SustentávelAP
14Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio58,85Uso SustentávelPA
15Floresta Nacional do Trairão27,14Uso SustentávelPA

Fonte: Greenpeace Brasil

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