Rock na madrugada – Rolling Stones, “Tops”

POR GERSON NOGUEIRA

Uma farra sonora dos Stones gravada no faiscante ano de 1972, um dos mais prolíficos do duo criativo da banda. “Tops” tem dois destaques óbvios: o show vocal de Mick Jagger e o timbre melódico suingado da guitarra de Mick Taylor. Uma pérola perdida no tempo, um rock despretensioso e cheio de balanço, como só eles eram capazes de fazer. Quase uma década depois, foi incluída no álbum Tattoo You, de 1981. Reparem que a guitarra se espraia agradavelmente por toda a canção, quase sem permitir a entrada dos outros instrumentos.

O próprio Jagger se rende ao talento de Taylor: “Acho que ele deu uma grande contribuição. Ele tornou tudo muito musical. Ele era um músico muito fluente e melódico, o que nunca tivemos, e não temos agora… Mick Taylor tocava linhas muito fluidas contra meus vocais. Ele era emocionante, e ele era muito bonito, e isso me deu algo para seguir, para detonar. Algumas pessoas acham que essa é a melhor versão da banda que existiu”.

Eu, particularmente, sempre considerei o quinteto Jagger-Richards-Taylor-Wyman-Watts a melhor formação de todos os tempos na história dos Rolling Stones, superior até à original, com Brian Jones. Ronnie Wood é um grande guitarrista (e baixista), mas Taylor é incomparável, um fora-de-série, um estilista do instrumento. E se encaixava perfeitamente com o som mais rústico produzido de Richards. Mas esta é só uma opinião de fã.

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