
Isaquias Queiroz celebra, com a família, a conquista da medalha de prata nas Olimpíadas de 2024. Foto: Alexandre Loureiro/COB
Com a prata conquistada em Paris, Isaquias Queiroz subiu na lista dos recordistas olímpicos. Agora, com cinco medalhas, ele aparece em segundo, ao lado das lendas da vela Robert Scheidt e Torben Grael. A líder do ranking, Rebeca Andrade, com seis, é uma inspiração para o canoísta.
Em entrevista coletiva realizada neste sábado (10), na Casa Brasil, Isaquias falou sobre a disputa sadia com ostros atletas brasileiros e colocou a jovem ginasta em ”outro patamar”.
“Eu fico muito feliz de chegar perto dessas lendas do esporte brasileiro, Torben Grael, Robert Scheidt. São dois que, sem dúvida, me incentivaram a chegar nessas conquistas. Tudo na vida do atleta é objetivo. Meu objetivo era poder chegar próximo desses caras, que para mim são exemplos de atletas, para todo cidadão brasileiro”, começou por afirmar.
”Fico feliz de chegar na quinta medalha olímpica. Acho que a ficha não caiu direito, quando eu subi no pódio, até fiz o gesto (de cinco medalhas), mas não tinha passado na minha cabeça direito. Hoje, quando acordei e vi a foto, vi que não era uma ou duas, são cinco. Queria chegar na sexta, como a Rebeca, mas aí é outro nível. A gente tem que trabalhar para chegar lá”, completou.
Pela primeira vez em Jogos Olímpicos, o Brasil vai terminar a competição sem nenhum homem no topo do pódio, apenas com mulheres medalhistas de ouro. Das 13 medalhas conquistadas pelo país até então, 9 vieram com elas e apenas 3 com eles. Para Isaquias, as mulheres estão, de fato, carregando a delegação verde e amarela ”nas costas”
A ‘SAGA’ DA MEDALHA
A histórica medalha de prata de Isaquias Queiroz na canoagem C-1 1000 nas Olimpíadas de 2024 não foi especial para ele só por ser sua quinta conquista nos Jogos, mas também pela “marquinha” familiar. Durante as comemorações, seu filho Sebastian derrubou a medalha e acabou a danificando. O brasileiro pensou em trocar, mas desistiu, justamente, pelo episódio inusitado.
Na hora, Isaquias até ficou bravo e começou uma ‘saga’ junto à Confederação Brasileira de Canoagem em busca de conseguir uma nova, mas foi convencido no hotel por Fernando Pimenta, canoísta de Portugal e seu amigo pessoal, a não fazer isso. No fim das contas, o valor emocional pesou, e muito.
“Essa medalha tá na história. Ela é tão especial que tem a marquinha do meu filho já nela”, disse Isaquias em coletiva de imprensa após sua participação nas Olimpíadas. “Subiu comigo no pódio e tem a marca do Sebastian, que é um ‘pivete’ muito especial na minha vida”, adicionou, ressaltando a importância do filho em seu crescimento e trajetória no esporte.
O canoísta revelou também como foi o momento em que mudou de ideia e resolveu ficar com a medalha danificada. “Eu ia trocar, mas quando cheguei no hotel, um grande parceiro meu, o Fernando Pimenta, falou: ‘Cara, não troca. Isso aqui é especial, é a marca do seu filho, por que você vai trocar?’ Então, deixei quieto”, contou, citando a conversa com o português.
Agora, Isaquias quer garantir que não aconteça mais nada com o tão importante prêmio. “Só tão faltando as caixinhas para proteger de novo, que chega de tombo agora”, brincou.