POR GERSON NOGUEIRA
Benjamín Borasi, contratado na recente janela de transferências, demorou a estrear e chegou a despertar desconfianças sobre a qualidade de seu futebol. Aí, na segunda-feira à noite, diante do Vila Nova, o ponta argentino entrou no 2º tempo e deu vida nova ao ataque do PSC. Recebeu elogios gerais pela curta e positiva participação na partida.
Com jogadas agudas e muita movimentação, ele desorganizou o sistema de marcação do Vila e criou boas situações junto à grande área. Deixou ótima impressão pela entrega e, principalmente, pelo estilo atrevido, bem na tradição do futebol argentino.
Substituiu Jean Dias, que não fazia uma boa partida. Pode ser justamente na extrema direita que Borasi pode se tornar peça integrante do time titular do Papão. Com a ausência de Nicolas, o ataque vai precisar de força e agressividade, principalmente na partida de amanhã contra o Santos.
Encarar um dos favoritos ao título e ao acesso é sempre uma tarefa desafiadora, sob medida para um jogador que demonstrou em poucos minutos ser capaz de incomodar a marcação e puxar os ataques pelos lados.
Pelos critérios da comissão técnica do PSC, é provável que o ataque que começou a partida em Goiânia seja mantido – Jean Dias, Ruan Ribeiro e Paulinho Boia –, mas Borasi já chegou pedindo passagem, saindo de campo como um dos melhores da equipe. Pode vir a ser uma arma para o decorrer do jogo diante do Peixe.

As virtudes exibidas pelo atacante argentino não podem ser supervalorizadas, muitas vezes boas estreias não têm continuidade nos jogos seguintes. Ocorre que, no atual momento do PSC na competição, não custa dar uma nova oportunidade a Borasi.
Curiosamente, na derrota para o Brusque, Borasi estava no banco de reservas. Poderia ter sido lançado quando Nicolas deixou o campo lesionado, desfalcando duramente o PSC na partida. Apesar da evidente necessidade de reforçar o setor ofensivo, o escolhido para substituir o centroavante titular foi o volante/meia Biel, sem qualquer cacoete para a função e de atuação apagada.
Por outro lado, Borasi parece ter chegado na hora certa, aparecendo como alternativa para energizar um ataque que fica enfraquecido quando Nicolas está fora de combate. (Foto: Matheus Vieira/Ascom PSC)
Remo avança a partir da segurança no gol
Marcelo Rangel passou maus pedaços ao estrear no Remo no início do ano em substituição a Vinícius. Pagou o pato pela insatisfação da torcida com o tratamento dispensado ao ídolo pela diretoria do clube. Com personalidade e boas atuações, foi se impondo até desfazer a rejeição.
Teve boas participações no Campeonato Paraense e na Copa Verde, conseguindo ainda sobreviver à desastrosa eliminação da Copa do Brasil. Na Série C, apesar de todos os percalços, tornou-se peça imprescindível tanto sob o comando de Gustavo Morínigo quanto na era Rodrigo Santana.
A experiência de muitos anos defendendo um time de tradição como o Goiás foi valiosa para Marcelo Rangel, que soube contornar as dificuldades para concentrar todo o esforço em se consolidar no gol azulino.
Os últimos jogos têm confirmado sua importância para o equilíbrio defensivo do Remo. Foi importantíssimo contra o CSA e, principalmente, a Aparecidense, quando a defesa foi massacrada ao longo do 1º tempo. No fim, Rangel saiu outra vez como o melhor homem em campo, algo que tem virado rotina nesta Série C.
Batalha inglória contra os poderes do futebol
O Botafogo já investiu mais de R$ 400 milhões para reforçar o elenco. Parece muito, mas há uma justificativa. Para alcançar as conquistas que busca, não basta ter um bom time. É fundamental ter um elenco repleto de jogadores acima da média. Até porque os adversários são difíceis e, além deles, será necessário jogar muito para superar o afiado sistema de arbitragem em vigor no futebol brasileiro.
As denúncias do presidente da SAF do Botafogo, John Textor, longe de causar uma investigação séria e profunda, tiveram o condão de atiçar a ira da arbitragem contra os interesses do clube. O relatório de Textor melindrou a CBF e desgostou alguns poderes ocultos, que controlam o futebol há décadas.
Esse dedo invisível se manifesta em decisões canhestras como a expulsão do volante Gregore, ontem, na partida contra o Bahia, em Salvador. O jogo era naturalmente difícil, pois o Bahia jogava diante de sua torcida, mas a interferência do VAR desequilibrou bastante as coisas. O árbitro havia aplicado amarelo, mas o árbitro de vídeo resolveu recomendar o vermelho, incabível no caso.
Um adendo: a equipe do VAR que trabalhou ontem em Salvador foi a mesma de Botafogo 0 x 1 Cuiabá, no ano passado, quando o gol do atacante Pita foi validado apesar de um claro toque de mão na jogada.
A sempre difícil arte de aceitar derrotas
Saber perder é uma das mais difíceis virtudes no mundo do esporte. No futebol, esporte mais popular, de vez em quando surgem derrapadas verbais por parte de perdedores aborrecidos. É o caso da espanhola Jenni Hermoso, que não aceitou bem a derrota por 4 a 2 para a seleção brasileira no torneio de futebol feminino das Olimpíadas.
“Elas nos estudam, sabem como nos machucar, jogar nas nossas costas. Para mim, não é futebol. Não gosto desse futebol. Obviamente, ganham minutos, te fazem perder tempo, e para elas, isso valeu”, tentou protestar, apelando a uma suposta deslealdade das brasileiras.
Bobagem. Era uma decisão de vaga na final, com todos os ingredientes de uma decisão. Não era de se esperar amabilidades. Além disso, a Espanha nunca foi uma equipe conhecida pela prática do fairplay.
(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 08)