Brasileiras atropelam as campeãs

POR GERSON NOGUEIRA

Depois da pífia passagem pela primeira fase do torneio de futebol feminino, a seleção brasileira foi muito criticada, mas soube se reinventar depois que Marta foi suspensa e mostrou maturidade nos jogos eliminatórios. Superados os problemas de marcação e distribuição em campo, partiu para uma vitória na raça diante da França e uma espetacular goleada sobre a campeã mundial Espanha, ontem.

De repente, quando quase ninguém mais acreditava, o Brasil está de volta a uma final olímpica – com todos os méritos, diga-se. Prova de que a fase de grupos nem sempre diz muito sobre um torneio de seleções. Algumas só começam a se revelar nos jogos de mata-mata, quando a pressão aumenta e é iminente o risco de sair da competição.

Com atacantes rápidas, como Gabi Portilho, Adriana e Kerolin, a seleção ficou mais eficiente na marcação e ágil na transição, fazendo manobras de aproximação dentro do campo adversário. A Espanha, cotada para o ouro olímpico, parece ter se surpreendido com o novo Brasil.

Nervosas, as espanholas cometeram erros primários, começando pelo gol contra que abriu caminho para a vitória brasileira. A zaga deixava buracos que o ataque do Brasil soube explorar muito bem, principalmente quando o jogo ficou mais parelho na segunda etapa.

Na fase de grupos, um time quase reserva da Fúria passou sem atropelos pela seleção, missão facilitada pela expulsão de Marta. Na semifinal, a lógica seria que a Espanha triunfasse novamente. Acontece que o Brasil sem Marta é mais disciplinado taticamente e menos preocupado em priorizar uma jogadora. Por isso, corre e rende muito mais.  

A simples presença na final olímpica – sábado, 12h – já é uma conquista gigante, mas quando um time entra na briga pelo ouro não pode arrefecer. O time de Artur Elias deve muito à fibra de suas jogadoras, que assumiram a responsabilidade de salvar a campanha e estão dando conta do recado, muito além das expectativas.

Para um esporte que até hoje luta com muitas dificuldades para romper barreiras em todos os níveis, a vitória sobre a Espanha e a histórica participação nas Olimpíadas vai contribuir bastante para avançar, evoluir e conquistar mais espaços.

Djokovic: grande campeão, péssimo exemplo

O irretocável triunfo do sérvio Novak Djokovic no torneio de tênis olímpico reabriu feridas expostas durante a pandemia de covid-19 há três anos. Saudado com entusiasmo pelos fãs do esporte pela vitória sobre o espanhol Carlos Alcaraz, ele ganhou adeptos ainda mais apaixonados entre os conservadores que o Brasil viu surgir desde 2018.

Identificados com o negacionismo de Djokovic, que se recusou a tomar vacina e ainda fez comentários desestimulando as pessoas a se imunizarem, os extremistas o aplaudem como um herói, fiéis à pauta defendida pelo bolsonarismo em plena tragédia sanitária.

A afronta ao conhecimento e o desprezo pela ciência são marcas indissociáveis do discurso de ódio que contribuiu para a perda de milhares de pessoas no Brasil durante a pandemia, em grande parte pelo desleixo de um governo sem compromissos com a vida.

Djokovic é um triste símbolo mundial dessa mancha de obscurantismo, ainda hoje presente entre nós.     

Pedro Vítor: do banco para a consagração

Desde que voltou a jogar, após o longo hiato provocado por lesão grave, o atacante Pedro Vítor tem se mostrado uma peça importante quando o Remo precisa mudar a forma de jogar. Como é um driblador, que corre pelas extremas e sempre busca a finalização, ele é diferente de quase todos os demais atacantes do elenco azulino.

Na segunda-feira, com o Mangueirão lotado, ele entrou no intervalo da difícil partida com a Aparecidense. O Remo havia sido sufocado pela equipe visitante. Numa linguagem do boxe, o time paraense ficou nas cordas. Escapou por pouco de sofrer um gol.

Pedro Vítor entrou, fez duas investidas perigosas e abriu uma nova rota para atacar. Aos 9 minutos, quando a Aparecidense tentava explorar o jogo aéreo, a zaga ganhou um rebote, a bola chegou a Ribamar e este lançou Pedro Vítor na direita.

Ele correu desde antes do meio-campo até a área adversária. Quando se aproximou da trave, deu um leve toque e encobriu o goleiro. Um belo gol, que aliou velocidade e habilidade. Além da arquitetura da jogada, o gol garantiu ao Remo a vaga no G8, coisa que não acontecia há dois anos.

Talento de Robinho salva o Papão em Goiânia

O experiente Robinho foi o responsável pelo gol que impediu a derrota do PSC, segunda-feira à noite, diante do Vila Nova, em Goiânia. O jogo estava caminhando para o fim e o placar era de 2 a 1 para os donos da casa. Apesar de ter mais posse de bola e cercar a área o tempo todo, os bicolores não conseguiam acertar o alvo.

Quando Robinho substituiu Cazares e Borasi entrou na vaga de Jean Dias, as coisas começaram a mudar. As arrancadas do argentino pela direita, quase sempre lançado por Robinho, começaram a abrir rachaduras no bloqueio defensivo do Vila.

Até que, já nos acréscimos, Robinho partiu da intermediária até perto da grande área, deu um corte seco na marcação e cruzou na medida para o cabeceio do zagueiro Lucas Maia, que corria pelo centro do ataque.

A jogada confirma a importância de Robinho no elenco. De custo alto pelas poucas atuações em jogos, ele normalmente é alvo de críticas, inclusive aqui neste espaço. Desta vez, fez em segundos o que se espera de um jogador diferenciado. A assistência foi tão valiosa quanto o próprio gol.   

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 07)

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