POR GERSON NOGUEIRA
Não há mistério no futebol. O Remo entrou com uma zaga desprotegida, tomou sufoco e levou o gol num lance de completa desorganização defensiva, depois de ter sido bombardeado por quase 20 minutos. A jogada fatal surgiu com um ataque pela direita, seguido de cruzamento de Léo Baiano para o centro da área, onde o atacante Jefinho só teve o trabalho de tocar para as redes. A derrota se desenhou nesse lance, aos 20 minutos, punindo um Leão mal escalado e sem cobertura à frente da defesa.
Àquela altura, o resultado era inteiramente justo. Só o Figueirense pressionava e buscava o gol. Marcelo Rangel já tinha feito uma grande defesa e Alisson acertou um chute no travessão do Remo. Exposta, a defesa se safava com chutões. Ninguém marcava corretamente e havia um buraco na entrada da área. O técnico Rodrigo Santana a tudo assistia, passivamente.
As coisas só acalmaram por volta dos 25 minutos, quando Pavani ficou mais fixo à frente dos três zagueiros e o Figueirense arrefeceu a pressão. Foi então que o Remo passou a atacar, principalmente pela esquerda, com Rodrigo Alves. O melhor momento foi um chute rasteiro que o goleiro desviou para escanteio.
Ytalo não aparecia e, na direita, Guilherme Cachoeira corria, corria e nunca chegava. Jaderson se dividia entre cobrir o lado direito e investir pelo meio tentando acionar os atacantes. Obviamente, apesar do imenso esforço físico, a movimentação não funcionou.
Mesmo a descoberto atrás, o Remo terminou a primeira etapa ocupando o campo de ataque, mas falhando no penúltimo passe e não conseguindo acertar a direção do gol. A ligeira superioridade do Leão expôs o recuo excessivo do Figueirense, que parecia preocupado em segurar o resultado.
Na etapa final, esse panorama se acentuou. O Remo passou a dominar as ações, mas Rodrigo Santana ainda cometeu um equívoco inexplicável: Rodrigo Alves, o mais agudo dos atacantes, foi substituído por Marco Antônio. Cachoeira, estranhamente, continuou em campo.
Quando o técnico finalmente acordou para a realidade do jogo, aos 13 minutos, botou em campo Ribamar e Pedro Vítor, substituindo Ytalo e Cachoeira. Mudanças necessárias, mas tardias. A zaga seguiu sem proteção, mas o Figueira nem passava mais do meio-de-campo.
Logo nos primeiros 3 minutos, Pedro Vítor produziu mais do que Cachoeira em 65 minutos. Deu arrancadas, aplicou dribles e finalizou a gol – é bem verdade que os chutes saíram sem direção. Ribamar brigou com a zaga, ganhou o duelo aéreo e garantiu dois escanteios.
Aos 31′, Kevin entrou na vaga de Diogo Batista e o Remo passou a criar situações na área catarinense, embora sem lances claros de perigo, a não ser um disparo forte de Raimar que obrigou o goleiro Ruan a se esticar para evitar o gol. Aos 39′, Guty substituiu João Afonso, a típica mexida para fazer média com a base, embora sem sentido lógico.
Antes do final, Marcelo Rangel ainda fez uma defesa espetacular na única chegada do Figueirense na segunda etapa. O Remo ainda forçou cruzamentos na área, sem resultado prático. Um jogo que poderia ter um outro roteiro, caso a escalação e a escolha de jogadores tivesse sido mais coerente.
Com o resultado, o Figueira volta ao G8 e o Remo fica na 10ª colocação. Para o Leão, a situação ficou dramática, pois depende agora de três vitórias e um empate nos quatro confrontos que restam. O próximo compromisso será na segunda-feira, 5, no Mangueirão, contra a Aparecidense.