Desafios na rota do Leão

POR GERSON NOGUEIRA

Não há muito o que contestar no sistema adotado pelo técnico Rodrigo Santana desde sua chegada ao Remo, na 5ª rodada da Série C. Em termos de resultados, foram conquistados 12 pontos, afastando o time das últimas posições. Ocorre que a ambição vai além disso. Pelos investimentos feitos, a meta é a classificação, a essa altura extremamente difícil.

Para ingressar no G8 e passar à próxima fase, o Remo precisa conquistar 13 pontos nos seis jogos que serão disputados até o final desta etapa a fim de alcançar 29 pontos. Sob a gestão de Santana, a equipe mostrou em várias ocasiões potencial para ir além do que foi mostrado. Terá que jogar muito mais para obter os pontos necessários para classificar.

Três jogos serão em Belém – contra CSA, Aparecidense e Londrina – e o Leão tem a obrigação de ganhar todos. Os quatro pontos que ficam faltando para a classificação terão que ser obtidos em confrontos fora de casa.

O ajuste do time em torno do 3-4-3 só revelou fragilidades quando o Remo precisou sustentar resultados, como na segunda-feira, contra a Ferroviária. Vencia por 1 a 0 até os minutos finais do 2º tempo, mas se mostrou pouco resistente à pressão imposta pelo adversário.

A defesa saiu como vilã, mas o fato é que o time todo contribuiu para a reação da Ferroviária ao recuar excessivamente, permanecendo no campo de defesa e abrindo mão de tentativas ofensivas.

Para somar os pontos necessários à classificação, o Remo não pode incorrer nos mesmos erros. É verdade que o 3-4-3 fortaleceu o ataque, através do avanço dos alas, mas deve ser executado de forma mais eficiente e segura. Erros bobos na troca de passes comprometem a segurança defensiva e enfraquecem a movimentação ofensiva.

A concentração em torno do resultado deve ser permanente. Momentos de distração tornam qualquer jogo perigoso. Disciplinar esse processo muitas vezes tem mais a ver com a questão anímica do que com condicionamento físico. O lado mental pode compensar eventuais quedas de intensidade.

Por fim, Rodrigo Santana deveria atentar para as demais peças do limitado elenco azulino. Jogadores velocistas, que exploram o drible para superar as linhas de marcação, devem ser priorizados. Nesse sentido, Ronald e Felipinho deveriam estar sempre entre as opções preferenciais.

Nos últimos jogos, eles foram deixados de lado enquanto o time ganhava a presença de Cachoeira, um atacante que não se firmou ao longo de toda a campanha – e não por falta de oportunidades.

A necessidade de reforçar o elenco tem esbarrado na previsível falta de jogadores disponíveis no mercado. Para o ataque, o clube tenta buscar Rodrigo Alves, que disputa a Série D pelo Cascavel (PR).

Como o risco sempre ronda a pressa, surgem preocupantes especulações em torno de Bruno Silva, veterano (37 anos) volante que se tornou um andarilho do futebol. Não é reforço para o Remo atual.   

Afinal, Romário ganhou o tetra sozinho?

A Seleção Brasileira treinada por Carlos Alberto Parreira conquistou, em 1994, o pentacampeonato mundial na Copa do Mundo dos Estados Unidos. Sempre foi um time olhado meio de soslaio pelos fãs do futebol-espetáculo, e talvez por isso mesmo seus heróis costumam reagir com azedume aos críticos de sempre.

A verdade é que a conquista merece aplausos pela importância e pelo rendimento do time montado por Parreira. Centrado na dupla Romário-Bebeto, o esquema se sustentava na forte marcação a partir do meio-de-campo, onde Mazinho e Dunga se destacavam.

Por conta do sucesso e dos gols decisivos, Romário virou o grande protagonista daquele time. É inegável que carrega boa parte do mérito pela conquista, mas é injusto não perceber que a grandeza daquela seleção estava na força coletiva.

Ao mesmo tempo, é legítimo duvidar se o time chegaria ao título mundial sem a genial presença de área do camisa 11. Cinco gols marcados, dois deles contra Holanda e Suécia; e uma assistência espetacular para Bebeto nas oitavas de final contra os norte-americanos.

O documentário “O Tetra pelo Tetra”, disponível no canal Disney+, traz depoimentos interessantes dos principais jogadores do escrete. Romário admite que foi “o cara” ao longo da campanha e que estava no auge da forma, mas reconhece que o êxito só foi possível pelo trabalho de todos.

Segundo ele, o grupo assimilou que, para levantar a taça, era preciso correr mais para permitir que Romário e Bebeto ficassem livres para decidir os jogos, dispensados da missão de marcar. 

“Eu fui o cara daquela Copa? Fui. Foi o meu melhor momento. Mas tudo aquilo aconteceu porque o grupo estava disposto a se sacrificar. Cada um por si e um pouco por cada um”, afirma Romário.

Copa do Brasil: boas chances para as zebras

A definição dos confrontos das oitavas de final da Copa do Brasil reserva pelo menos um clássico de alto quilate – Palmeiras x Flamengo – e dois jogos muito parelhos, Botafogo x Bahia e Grêmio x Corinthians. Como de costume, há espaço para surpresas.

Enquanto Flamengo e Palmeiras irão protagonizar o duelo mais esperado desta fase, o Atlético-MG vai enfrentar o modesto CRB, o campeão São Paulo pega o Goiás e o Fluminense encara o Juventude.

É justamente nesses três confrontos que estão as melhores oportunidades para que as zebras da competição possam brilhar.

O Juventude vive um momento muito positivo na Série A e o Flu amarga a lanterna da competição. O Galo, recheado de jogadores caros, terá que passar pelo CRB, vice-campeão da Copa do Nordeste. E o São Paulo, atual detentor do título do torneio, enfrenta o Goiás, que é apenas o 9º colocado na Série B. 

Arrisco dizer que um dos três azarões passa à próxima fase.

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 19)

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