
POR GERSON NOGUEIRA
A final da Eurocopa, ontem, no estádio Olímpico de Berlim, expôs ao mundo o nível técnico do futebol europeu com um jogo disputado em alta intensidade, repleto de emoções e vibrante do começo ao fim. Na comparação óbvia e direta com o futebol da Seleção Brasileira, pode-se dizer que o abismo só está aumentando.
A realidade é cruel: impossível hoje imaginar o Brasil encarando competitivamente os finalistas da Euro. A dinâmica de jogo das equipes é inteiramente diferente do que o escrete canarinho exibe, tanto nas Eliminatórias quanto na recente participação na Copa América.
Renovadas, as seleções da Inglaterra e Espanha retratam um futebol que muda a todo momento. A evolução faz com que naturalmente o espetáculo prevaleça. A condição física faz com que os times rendam mais e proporcionem um confronto sempre interessante.
A favorita Espanha não conseguiu se impor no 1º tempo, embora tivesse desfrutado de mais chances. A dupla formada por Yamal e Nico Williams levava vantagem sobre a marcação, mas não em volume suficiente para ameaçar o gol de Pickford.
Do lado inglês, poucas investidas ofensivas. Até Jude Bellingham, astro do time, parecia discreto. Foden foi quem mais incomodou. Diante do predomínio das defesas, a definição ficou para o 2º tempo.
Logo aos 2 minutos, em jogada de Yamal, a bola chegou a Nico Williams, que bateu para as redes. Com o gol, a Espanha ficou ainda mais presente no ataque. Dani Olmo e Nico quase ampliaram.
Bellingham apareceu aos 13 minutos, chutando forte da entrada da área. E, aos 28’, Palmer recebeu assistência do camisa 10 e fuzilou rasteiro para o fundo das redes. O empate fez a Inglaterra renascer, insistindo por alguns minutos com manobras junto à área espanhola.
Só que a qualidade ofensiva da Espanha falou mais alto e, aos 41 minutos, Cucurella deu assistência para Oyarzabal, que havia substituído Morata. Cruzamento perfeito, que o atacante desviou de bico para desempatar e garantir o quarto título da Fúria no continente.
O futebol sempre pródigo em desfazer injustiças acabou reabilitando o cabeludo Cucurella, autor do cruzamento para o gol do título. O lateral-esquerdo passou a Euro tomando vaia nos estádios. Tudo porque tocou na bola diante da Alemanha e o pênalti não foi marcado. Não tinha culpa, mas ficou marcado. Ontem, deu a volta por cima.
Título europeu decidido, volto ao tema inicial desta conversa: o Brasil, mesmo com um time formado por jogadores “estrangeiros”, não chega nem perto do rendimento e da organização dos finalistas. Está longe demais do futebol que hoje domina o mundo.

Em meio ao caos em Miami, Argentina fatura outra Copa
Deu Argentina, de novo. Outra conquista na fase mais vitoriosa do time de Lionel Messi. A 16ª Copa América, ganha com méritos, em jogo marcado pelo equilíbrio no tempo normal e pela luta extenuante na prorrogação. Lautaro Martinez marcou o único gol da decisão, aproveitando um lançamento magistral de Lo Celso já no tempo final do período extra.
Os colombianos foram guerreiros, tiveram chances e muita ingenuidade na reta final do confronto, quando sucumbiram à tradicional catimba argentina. James Rodriguez e Luiz Díaz jogaram abaixo do esperado. Árias produziu muito, mas precisava de apoio para fazer mais.
Na Argentina, Messi saiu no 2º tempo, lesionado e chorando. Pareceu um sinal de que a Copa América foi seu último torneio oficial com a seleção. Em campo, o entrosamento e a solidariedade da equipe superaram até os momentos delicados, quando a Colômbia foi melhor. Título merecido.
Antes de a bola rolar, o caos provocado pela invasão de centenas de torcedores ameaçou a final da Copa América, que só começou 1h15 depois, no Hard Rock Stadium, em Miami. A bagunça reinante compromete a organização do torneio. O lado mais preocupante é que os Estados Unidos irão receber (junto com Canadá e México) a Copa do Mundo 2026.
A decisão de adiar por 1h15 o início da partida entre Argentina e Colômbia foi da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), depois das cenas de desespero e empurra-empurra nas filas de torcedores para acesso ao estádio. Muitos tentaram entrar pelos dutos de ar-condicionado. O calor de quase 40º C agravou ainda mais a situação.
Depois de liberarem a entrada de todos os torcedores, com e sem ingressos, a fim de acabar com o tumulto, o estádio ficou com todos os corredores travados, com mais de 80 mil pessoas ali dentro. Ninguém conseguia sair ou entrar nos banheiros ou lanchonetes. Parecia várzea.
Leão vai em busca da 3ª vitória consecutiva
Contra a invicta Ferroviária de Araraquara, hoje à noite, em Mirassol, o Remo vai tentar obter um feito raro nas participações do time na Série C: completar uma sequência de três vitórias.
A oportunidade se apresenta depois que o Leão superou Ferroviário e Caxias, reconquistando a confiança necessária para voltar a acreditar no acesso. O plano ainda é ambicioso, mas não impossível de realizar.
Uma vitória hoje colocaria o Remo dentro do G8, pela primeira vez na competição. No sistema 3-4-3, o time de Rodrigo Santana já conquistou 12 pontos em 18 disputados. É um número que permite ter esperanças.
(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 15)