POR GERSON NOGUEIRA

O ex-santista Juan Cazares é o nome mais reluzente desta nova leva de reforços anunciados pelo PSC para aproveitar a curta janela de contratações na Série B. É o mais caro também, superando os salários de seis dígitos de Robinho e Quintana, campeões do elenco nesse quesito. Fontes do clube revelam que, apesar do nome forte, o contratado aceitou reduzir a pedida.
Em campo, a tendência é que Cazares assuma um lugar ainda carente na formação da equipe. Com um jogo de imposição no campo adversário, tem faltado ao Papão mais qualidade na construção de jogadas ofensivas, o que provoca um recuo excessivo do centroavante Nicolas.
Justamente por isso, o artilheiro da temporada talvez seja o maior beneficiado com a presença do equatoriano, que ao longo da carreira provou ser um meia agressivo e habilidoso, especialista na condução de bola.
Ao lado de Juninho, que terá com quem dialogar nos movimentos de transição, Cazares deve funcionar como o chamado pulo do gato do PSC para encarar as próximas 25 rodadas da competição, desde que passe longe dos encantos das baladas belemenses.
A questão é que, desde a passagem pelo Atlético-MG, de 2016 a 2020, Cazares não conseguiu se firmar. O início foi fulgurante, chegando ao River Plate antes dos 20 anos. No Galo, viveu seu melhor momento, com dribles e passes perfeitos. Fez 41 gols, incluindo vários em cobrança de faltas.
Caso tenha pelo menos um lampejo desse período, coisa que não mostrou no Santos, pode ser de grande utilidade aos bicolores em meio à crise técnica desta Série B.
Sócrates vive: Raí brada contra a ultradireita
“Conheço bem a extrema direita, o que eles fazem de melhor é mentir. No Brasil, vivemos um pesadelo. Quatro anos de misoginia, quatro anos de homofobia, preconceito”.
Raí, ídolo do São Paulo e do PSG, irmão mais novo do Dr. Sócrates, referiu-se desse modo à experiência vivida no Brasil durante os quatro anos de Bolsonaro no poder. O craque foi demoradamente aplaudido durante o discurso pronunciado na quarta-feira, em Paris, às vésperas da eleição
O ex-jogador de 59 anos tem cidadania francesa e completou, recentemente, um mestrado em políticas públicas numa prestigiada universidade do país europeu. Esclarecido e politizado, Raí sempre se destacou por posicionamentos progressistas.
A manifestação reuniu milhares de pessoas no centro da capital francesa e foi convocada para protestar contra o avanço da ultradireita francesa. Antes de Raí, Thierry Henry e Mbappé já tinham se manifestado, alertando principalmente os jovens para os riscos do extremismo fascista.
(Antes da Eurocopa, o craque francês Kylian Mbappé chamou a atenção ao se manifestar politicamente contra a ultradireita, algo raro entre jogadores, e convocar jovens a participarem da eleição.)
Afirmações políticas lúcidas como as de Raí costumam causar urticária nos conservadores brasileiros, incluindo boa parte da mídia esportiva, historicamente refém de pensamentos retrógrados, visão neofascista e nenhum compromisso com as liberdades democráticas.
Viva Raí! Salve Dr. Sócrates!
Dorival copia Zagallo, mas o time não honra o passado
Vai muito além da simples homenagem de Dorival Júnior, usando um agasalho idêntico ao que Zagallo usava na fatídica Copa do Mundo de 1998, aquela que ficou marcada pela cara-branca de Ronaldo antes da grande final. Claro que há respeito pela história do Velho Lobo na Seleção, mas os esquemas de marketing e faturamento vêm à frente.
A peça integra uma linha retrô recém-lançada pela Nike, fornecedora de material esportivo da Seleção, que celebra o Mundial da França. Junto com o casado, também foi relançada a camisa de jogo do Brasil, com opção de personalização do nome e número de Ronaldo Fenômeno.
Apesar do sucesso nas redes sociais, a utilização do agasalho chama atenção por conta das altas temperaturas de Los Angeles, Las Vegas e Santa Clara, cidades que receberam os jogos da Seleção na primeira fase.
A questão é que Nike e CBF decidiram que Dorival era o cara certo para servir como “manequim” para o agasalho, devido a uma certa semelhança física com Zagallo, pelos cabelos brancos e os óculos.
Ficou no ar um aspecto conceitual que não combina com as lembranças que o país do futebol tem daquele Mundial, visto como zicado e traumático pelo incidente com Ronaldo. A expectativa é que isso sirva para aumentar a aproximação entre torcida e seleção. Tenho cá minhas dúvidas.
É mais provável que o tal casaco seja um modo esperto e lucrativo de celebrar o longevo contrato entre as partes, que só se encerra na Copa 2026, completando 30 anos de vínculo. Enfim, tudo a ver com gulodice da CBF.
Obviamente, o plano marqueteiro só dará certo se a trôpega Seleção de Dorival conseguir avançar na Copa América.
(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 05)