POR GERSON NOGUEIRA
Quando tocou esse cover de Bob Dylan em 1967, James Marshall Hendrix, mais conhecido como Jimi Hendrix, tinha apenas 24 anos. Atingia o ápice de sua brilhante e curtíssima carreira, personificando para sempre a figura do herói da guitarra. Foi o primeiro a merecer essa definição. Era um instrumentista excepcional e um compositor inspirado. E tinha uma voz sensacional, pouco valorizada diante das diabruras que saíam de sua guitarra. Foi sempre inseguro quanto ao talento vocal. Precisou ser incentivado por amigos como John Lennon e Mick Jagger a soltar o vozeirão.
The Hall of Rock’n’Roll Fame o descreve como “Inquestionavelmente um dos maiores músicos da história do rock”. Ninguém tem dúvida quanto a isso. Quando comecei a ouvir música compulsivamente, a partir dos 10 anos, eu não entendia Jimi Hendrix porque não entendia distorções e ruídos na música. Achava tudo confuso, sem um ritmo claro. Uma reação normal para um garoto fissurado nas melodias dos Beatles.
O vídeo acima flagra o despertar de um gigante. Era o início de tudo. Jimi era um desconhecido ainda. Há um filme desse período mostrando ele relaxando na plateia, curtindo outros músicos. Quando subiu ao palco, não havia pressão porque não existia expectativa.
Jimi faz uma releitura original desta canção clássica de Bob Dylan, talvez porque fosse um fã declarado do bardo de Minnesota. E que banda o acompanhava! Noel Redding no baixo e Mitch Mitchell na bateria, garantindo a tessitura necessária para os solos de Jimi.
Quando você não tem nada, não tem nada a perder/ Você é invisível agora, não tem segredos a esconder
A letra de “Like A Rolling Stone” (Como uma pedra rolante) é rascante, sem travas, puro Dylan. Combina com o destemor das notas que Jimi extrai do instrumento. É o melhor de dois mundos. Felizes os que viveram para apreciar dois gênios da mesma geração.