A jornada épica em torno de “Now and Then”, a última canção dos Beatles, demandou cinco décadas. É produto de conversas e colaborações entre os quatro integrantes da banda. A longa e mitificada demo de John Lennon foi trabalhada pela primeira vez em fevereiro de 1995 por Paul, George e Ringo como parte do projeto Beatles Anthology, mas permaneceu incompleta, em parte por causa dos desafios tecnológicos em relação ao vocal que John registrou em fita ainda na década de 1970.
Por anos, a música esteve ameaçada. Em 2022, porém, um golpe de sorte deu novo fôlego à canção tão esperada. Um sistema de software desenvolvido pelo cineasta Peter Jackson e sua equipe, utilizado ao longo da produção da série documental “Get Back”, finalmente abriu caminho para o desacoplamento do vocal de John da parte musicada de piano. Como resultado, a gravação original passou a ser trabalhada novamente e a produção avançou.
A notável história de arqueologia musical reflete também a curiosidade e o fascínio compartilhado dos Beatles pela tecnologia desde sempre. Acima de tudo, a gravação de John, Paul, George e Ringo celebra o legado da banda mais importante, criativa e influente da história da música pop mundial.
E, na sexta-feira (10), o último single dos Beatles se tornou o maior sucesso do Fab Four nas paradas do Reino Unido em 54 anos. A The Official Charts Company, encarregada da elaboração das listas, baseadas em transmissões de áudio e vídeo, downloads, CDs e vinis, anunciou que a canção alcançou o número 1 depois de seu lançamento, na semana passada. Nos Estados Unidos, a música chegou ao top 10 da Billboard Hot 100 nesta semana.
O eterno quarteto emplacou o single na 7ª posição, após ter acumulado nos últimos sete dias 11 milhões de reproduções no streaming e vendido mais de 73 mil cópias digitais e físicas (via Variety). Foi a primeira vez em quase 30 anos que a banda conseguiu tal feito no ranking. Até então, a última ocasião tinha acontecido em 1996, quando “Free as a Bird” chegou ao 6º lugar.