O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, esclareceu nesta quinta-feira (9) a onda de fake news fomentadas pelo governo de Israel sobre suposta célula terrorista no Brasil. A intenção era envolver o Brasil no mapa dos conflitos entre israelenses e o mundo árabe. O assunto veio à tona no mesmo dia em que o embaixador de Israel no Brasil, Daniel Zonshine, acompanhou o ex-presidente Jair Bolsonaro ao Congresso Nacional, abrindo uma frente de confrontação em relação ao governo brasileiro.
O ministro Flávio Dino rebateu afirmações feitas pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, sobre a operação da Polícia Federal ontem, que prendeu dois brasileiros suspeitos de ligação com o grupo extremista Hezbollah em São Paulo.
O que aconteceu
Dino disse que operação foi conduzida pela Polícia Federal, com base em provas analisadas exclusivamente pelas autoridades brasileiras. “Nenhuma força estrangeira manda na Polícia Federal do Brasil. E nenhum representante de governo estrangeiro pode pretender antecipar resultado de investigação conduzida pela Polícia Federal, ainda em andamento”, escreveu ele nas redes sociais. Abaixo, na íntegra, a declaração do ministro:
“1. O Brasil é um país soberano. A cooperação jurídica e policial existe de modo amplo, com países de diferentes matizes ideológicos, tendo por base os acordos internacionais.
2. Nenhuma força estrangeira manda na Polícia Federal do Brasil. E nenhum representante de governo estrangeiro pode pretender antecipar resultado de investigação conduzida pela Polícia Federal, ainda em andamento;
3. Quem faz análise da plausibilidade de indícios que constam de relatórios internacionais são os delegados da Polícia Federal, que submetem pedidos ao nosso Poder Judiciário;
4. Os mandados cumpridos ontem, sobre possível caso de terrorismo, derivaram de decisões do Poder Judiciário do Brasil. Se indícios existem, é DEVER da Polícia Federal investigar, para CONFIRMAR OU NÃO as hipóteses investigativas;
5. A conduta da Polícia Federal decorre exclusivamente das leis brasileiras, e nada tem a ver com conflitos internacionais. Não cabe à Polícia Federal analisar temas de política externa;
6. As investigações da Polícia Federal começaram ANTES da deflagração das tragédias em curso na cena internacional;
7. Apreciamos a cooperação internacional cabível, mas repelimos que qualquer autoridade estrangeira cogite dirigir os órgãos policiais brasileiros, ou usar investigações que nos cabem para fins de propaganda de seus interesses políticos;
8. Quando legalmente oportuno, a Polícia Federal apresentará ao Poder Judiciário do Brasil os resultados da investigação técnica, isenta e com apoio em provas analisadas EXCLUSIVAMENTE pelas autoridades brasileiras.”