A ausência incompreendida

POR GERSON NOGUEIRA

Ronald foi o jogador mais lembrado durante e depois do confronto Corinthians x Remo. Não é um craque, mas tem o perfil que a Copa do Brasil mais aprecia: é um ponta à moda antiga, veloz e driblador, perfeito para o jogo de contra-ataque, tão praticado no torneio. Sem ele, o Remo não conseguiu encaixar contragolpes na partida decisiva em São Paulo.

O ponta baixinho e arisco é o melhor da posição no futebol paraense há pelo menos quatro anos. Curiosamente, em dois momentos decisivos na Copa BR, no ano passado e agora, ele ficou fora dos planos dos técnicos – Paulo Bonamigo em 2022 e Marcelo Cabo desta vez.

Não há explicação plausível para a barração do ponteiro pelos treinadores que passam pelo Remo. Em 2021, na Série B, em rara oportunidade no time principal, ele desmontou a marcação do Cruzeiro dentro do Horto, dando passes e marcando um golaço.

Ainda jovem, Ronald é um jogador em construção, precisa aprimorar fundamentos. Velocista nato, por vezes desperdiça jogadas por pura afobação. Cruza muito bem, mas pode melhorar nas finalizações. O problema é que raramente joga, o que compromete sua evolução.

Em 2022, na Série C, ele se lesionou com gravidade. Foi submetido a uma cirurgia de ligamentos e ficou inativo por sete meses. Retornou no Parazão deste ano, com fome de bola. Nos poucos minutos em campo, marcou dois gols importantes, contra Castanhal e Caeté.

Marcelo Cabo costuma lançar Ronald sempre depois dos 30 minutos do 2º tempo, embora o ponta não seja sequer a segunda opção para o lado esquerdo do ataque. Antes dele, o técnico já deixou claro que prefere Pedro Vítor e Rogério, ambos tecnicamente inferiores a Ronald.

A menção ao nome do atacante se acentuou nos últimos dias em função das oportunidades que o duelo com o Corinthians oferecia a um jogador com suas características. No jogo de ida, no Mangueirão, diante da cansada zaga corintiana, Cabo optou pelo lateral Lucas Marques nos minutos finais.

Para o confronto de quarta-feira, em São Paulo, Ronald sequer foi relacionado. Perdeu lugar no avião para o volante Claudinei, recém-chegado ao Baenão e ainda longe da melhor forma física. Cabo não explicou por que preteriu o ponta formado nas bases do clube.

É provável que o técnico nem tenha sido cobrado pela diretoria a respeito da esdrúxula opção. De qualquer maneira, caberia pelo menos perguntar, afinal Ronald é um patrimônio valioso do Remo e entrar num jogo importante daria visibilidade a ele.

Por vezes, no Pará, os caprichos e vontades do técnico se sobrepõem aos interesses do próprio clube. Alguma coisa está fora de ordem. Caso não esteja nos planos do treinador, seria proveitoso emprestar Ronald a clubes paraenses que disputam a Série D, onde certamente seria escalado.

Papão apresenta novos reforços e libera mais dois

Jimenez, volante, e Hernández, meia, foram dispensados ontem pelo PSC. Com isso, chega a quatro o número de jogadores liberados desde a semana passada. Ao mesmo tempo, em movimento contrário, o clube anunciou mais três contratações: o meia Leandrinho, o volante Artur e o atacante Gabriel Furtado, ex-S. Francisco.

Leandrinho é um jogador interessante. Surgiu no Botafogo, mas nunca se firmou entre os titulares. Habilidoso, com facilidade para descolar lançamentos, pode ser muito útil à campanha do Papão na Série C.

Ao lado de Giovanni, Ricardinho e Fernando Gabriel, o meia tem tudo para se firmar, caso tenha oportunidades. A dificuldade está no excessivo número de jogadores para o setor de meio-de-campo, 12 até o momento.

Aliás, a quantidade de atletas é o maior problema do PSC neste momento. Ao todo, Márcio Fernandes tem 46 jogadores à sua disposição. Desse total, o clube deve abrir mão de 11 nomes antes da estreia na Série C, contra a Aparecidense, na próxima semana.  

Até para poder escolher os melhores, o técnico precisa ter um número de atletas que lhe permita observar a todos em treinos e jogos.

Direto do blog campeão

“Uma afirmação no meio do futebol diz que somos mais de duzentos milhões de técnicos. Como antigo vice de futebol do Remo, convivi com alguns técnicos. O atual, Marcelo Cabo, falhou feio no jogo de volta contra o Corinthians. Tomamos um gol logo de início e depois suportamos a previsível pressão do adversário. No segundo tempo, com a entrada do Jean Silva, incrivelmente reserva do limitado Pedro Vitor, melhoramos o poder ofensivo, opaco pelo aparente desinteresse do Pablo Roberto. A tragédia aconteceu quando faltando cerca de 15 minutos para o final, o técnico lançou Claudinei em sua estreia num jogo muito disputado.

Diego Tavares, sempre inoperante, também entrou. O Diego Ivo perde pelo alto para qualquer adversário. Falta-lhe a impulsão estática. Vinícius não fez nenhuma defesa de vulto, pois a zaga bem coberta por Uchoa rechaçava as bolas altas, em seguidos cruzamentos do Fagner. Até que um foi aproveitado. Pelas imagens, Ícaro, com a entrada do Ivo, foi deslocado para a lateral direita e estava bem atrás do Guedes, autor do gol. Da mesma forma, o Paulinho Curuá. Não é aceitável que técnico escale jogador sem condições só porque fez a sua indicação. Por fim, aconselho o Ronald, excelente atacante pelas ‘beiradas’ a acrescentar em seu nome uma qualificação: Ronald Carioca ou Gaúcho ou Paulista. Aí, será lembrado”. Ronaldo Passarinho

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 28)

2 comentários em “A ausência incompreendida

  1. Eu só queria entender, por que, presidente de clube e diretores de esporte não podem cobrar treinador? Hora, se eu sou dona de uma empresa e vejo que um funcionário não está rendendo, eu troco ou mando treinar para melhorar, assim é no futebol, os treinadores parecem figuras intocáveis, esse caso do Pedro Vitor que não rende nada é um exemplo, o Ronald patrimônio do clube não vai nem no banco, aí se eu sou o mandatário do clube que pago o salário do treinador e jogadores, chegaria junto dele e cobraria mudanças, por que ninguém é cego para não ver, o que os treinadores preferem determinadas escolhas suas, prejudicando o clube em detrimento de outros melhores preparados, acho que o único presidente que manda, escolhe e bate de frente com treinador e escala jogador, é o do Sampaio Corrêa, taí algo que funciona e por isso o clube está na série B faz tempo. Treinador é funcionário do clube, já chegou a hora de mostrar aos mesmos, que empregado precisa obedecer o patrão e nada de ficar, depois dizendo que estão interferindo no seu trabalho.

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