Uma noite histórica em Marabá

POR GERSON NOGUEIRA

Foi a vitória do azarão sobre o time mais badalado, resultado típico da Copa do Brasil, onde situações desse tipo acontecem o tempo todo, mas ontem à noite o equilíbrio prevaleceu nos 90 minutos e também na série de penalidades, vencida pelo Águia após nada menos que 20 cobranças. Como todo grande feito, a noite histórica teve um herói: o goleiro Axel, que salvou um gol certo no final dos 90 e depois agarrou duas penalidades.

As fortes emoções impostas aos 2 mil torcedores marabaenses no estádio Zinho Oliveira foram plenamente compensadas pela euforia que tomou conta de todos quando a quase interminável disputa nos penais apontou o triunfo do Águia. A alegria é justificada: o clube chega pela primeira vez à terceira fase da Copa do Brasil, acumulando um prêmio de R$ 3.750.000,00.

No tempo normal, o jogo começou com a busca do ataque pelos dois lados. O Águia foi o primeiro a ameaçar, com um chute forte de Balão Marabá, logo aos 4 minutos. O Goiás respondeu com duas chegadas de Apodi e Palácios, obrigando Axel a duas defesas seguras.

A marcação começou a ditar as estratégias, mas, aos 28’, o ala Apodi invadiu a área e bateu colocado, para nova intervenção de Axel. Na reta final do primeiro tempo, só deu Águia. Castro chutou de longe e assustou. Adauto desviou de cabeça e a bola passou muito perto.

Na virada para o 2º tempo, o Goiás adotou postura mais organizada e passou a pressionar seguidamente. Aos 21 minutos, Sidimar cabeceou no ângulo e Axel fez o primeiro milagre da noite. O Goiás tirou Nicolas, cansado, e seguiu em cima.

Depois de duas boas tentativas pelos lados, Vinícius recebeu passe dentro da área e bateu rasteiro no canto esquerdo. A bola se encaminhava para as redes, mas Axel se esticou e desviou para escanteio. A sensacional defesa salvou o Águia e recebeu os aplausos merecidos da torcida.

A série de penalidades representou um verdadeiro teste para cardíacos. Na última cobrança da série inicial, Betão podia ter garantido a classificação, mas Tadeu fez a defesa e forçou a série de tiros alternados da marca do pênalti. O goleiro do Goiás, que tem currículo de milagreiro, já havia feito duas defesas inusitadas, incluindo um rebote que quase entrou no gol.

Não satisfeito, apresentou-se para bater uma penalidade e fuzilou, sem chances para Axel. Todos foram marcando até Maguinho isolar a 19ª cobrança. O aguiano Castro foi então para o penal da classificação e não desperdiçou. Placar final: Águia 7 a 6.

É a primeira passagem do Águia à terceira fase do torneio. Em 2009, sob o comando de João Galvão, chegou à segunda fase, mas foi eliminado no Maracanã pelo Fluminense, prejudicado pela arbitragem.

Com a classificação do Azulão, o Pará terá três representantes na terceira fase da Copa do Brasil – PSC e Remo já estavam classificados.

Leão perde o rumo e a invencibilidade em Roraima

O Remo não repetiu as últimas atuações e acabou derrotado, por 1 a 0, pelo São Raimundo, ontem à noite, em Boa Vista. Tavinho, que já atuou por equipes paraenses, marcou o único gol da noite. Apanhou um rebote da entrada da área e acertou um chute estilo foguete, no ângulo, sem chances para Vinícius, aos 34 minutos do 1º tempo.

A partida era disputada em ritmo forte, mas sem apresentar lances agudos. Antes de sofrer o gol, o Remo perdeu uma chance preciosa em tabelinha entre Pablo Roberto e Fabinho. Depois de envolver a marcação, a bola foi chutada por Pablo, o goleiro rebateu e Fabinho perdeu com o gol vazio.

Essa oportunidade desperdiçada custaria caro ao Leão. Depois de abrir o placar, o São Raimundo dedicou-se a fechar os espaços, apertando a marcação desde o meio-de-campo. O posicionamento cauteloso se acentuou no 2º tempo.

O Remo reforçou o ataque, com as entradas de Leonan e Jean Silva, mas criou poucas oportunidades diante do sólido bloqueio imposto pelo São Raimundo. As melhores chances surgiram em cabeceio desviado por Uchoa e em chute cruzado de Leonan, aos 31’, que passou pelo goleiro e quase entrou. Lucas Mendes ainda teve uma chance, mas furou.

Apesar da insistência ofensiva, o Remo sofria com a articulação deficiente no meio-de-campo. Diante de duas linhas de marcação, Pablo era o único a buscar jogadas individuais, mas não conseguia avançar com qualidade e colocar os companheiros em condição de arremate.

Pode-se questionar algumas decisões de Marcelo Cabo, como a demora em botar Vinícius Kanu e Jean Silva, mas, de maneira geral, o desempenho foi abaixo das expectativas.

A baixa produção ofensiva é um problema que o Remo já havia enfrentado em outras partidas da temporada, mas que não tinha impedido as vitórias (nove até ontem). Diante de um time determinado a fechar espaços, a ausência de um especialista na criação ficou mais do que patente.

Como há o jogo de volta, em Belém, são grandes as possibilidades de classificação à semifinal da Copa Verde. Derrota é sempre ruim, mas o time azulino se livrou do peso representado pela necessidade de estabelecer um recorde de vitórias a cada jogo. Só não pode se acostumar a perder.

Fogão tira o pé da lama e massacra o Jacaré

A vitória era uma obrigação, principalmente depois dos vexames no Campeonato Carioca, mas o Botafogo encheu as medidas ontem à noite, atuando em Cariacica (ES) contra o Brasiliense pela segunda fase da Copa do Brasil.

Os germânicos 7 a 1 aplicados no trôpego adversário serviram para mostrar que, mesmo longe de ter um time consistente nas mãos, Luís Castro pode extrair qualidade de algumas peças fundamentais.

Lucas Fernandes, Tche Tche, Eduardo e Tiquinho Soares foram os donos da partida, além do seguro goleiro Lucas Perri. Tiquinho fechou a goleada com três gols típicos de centroavante raiz. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 16)