Pandemia: governo Bolsonaro destruiu 1,9 milhão de de vacinas doadas pelos EUA, diz TCU

Um total de 1,9 milhão de doses da vacina AstraZeneca contra a covid-19 foi incinerado no ano passado porque não foi distribuído aos estados antes do fim do prazo de validade pelo Ministério da Saúde. A constatação foi feita em auditoria aprovada no último dia 1º pelo TCU (Tribunal de Contas da União). O órgão quer o ressarcimento dos gastos, estimados em R$ 1 milhão, pelos responsáveis pelo desperdício.

O Brasil recebeu 2,18 milhões de doses doadas pelo governo dos EUA por meio de uma cooperação internacional. Elas chegaram ao país no dia 21 de novembro de 2021, a menos de 40 dias do prazo de vencimento (que era em 31 de dezembro). Nesta data, os dados acumulados no Brasil desde o início da pandemia eram de 22.015.036 pessoas infectadas notificadas e 612.722 mortos com covid.

Esses números estão hoje em 37.076.053 de infectados conhecidos e 699.276 óbitos em decorrência do vírus. Um estudo estima que, somente em 2021, 20 milhões de vidas foram salvas graças à vacina.

O QUE DIZ O TCU

O ministério aceitou a doação de 2.187.300 de doses de vacinas AstraZeneca “com prazo de validade bastante exíguo e sem prévia estratégia de utilização em tempo hábil”;

Após chegarem, o governo ainda mandou amostra dos imunizantes para análise de qualidade, conforme recomendado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A autorização para uso ocorreu apenas no dia 10 de dezembro de 2021;

Dessas vacinas, apenas 282 mil foram distribuídas às unidades da federação; outro 1,9 milhão não foi efetivado a tempo;

O recebimento desconsiderou “o período que seria gasto para regularização das questões burocráticas e técnicas de tramitação e importação, bem como o tempo necessário para distribuição aos estados e a efetiva disponibilização”.

Segundo o TCU, a falta de planejamento e cuidado levou ao vencimento e “descarte da quase totalidade dos imunizantes, gerando despesas de quase R$ 1 milhão, com transporte, desembaraço aduaneiro, armazenagem e incineração, sem trazer benefícios à população”.

À época, o governo publicou nota em que agradecia “a solidariedade norte-americana, reflexo esta dos intensos laços de amizade e cooperação entre os dois países”.

O então ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, comemorou a doação no dia em que as vacinas desembarcaram no país.

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