The Best: prêmio da Fifa consagra Lionel Messi e deixa oito grandes jogadores chupando o dedo

O esperado Fifa The Best aconteceu nesta segunda-feira (27) e premiou os melhores atletas do mundo durante a temporada de 2022, sem maiores surpresas. O brasileiro Neymar ficou mais uma vez sem receber o prêmio principal, o de melhor jogador da temporada. Mas o Menino Ney não está sozinho na lista de craques que nunca levaram o troféu, que existe desde 1991 e mudou de nome duas vezes desde então. A festa também prestou uma emocionada homenagem ao Rei Pelé, cuja viúva recebeu um troféu especial concedido pela Fifa ao melhor jogador de todos os tempos.

Neymar está em sua décima temporada europeia desde que trocou o Santos pelo Barcelona em 2013. As duas vezes que o craque brasileiro chegou perto do troféu foram em 2015 (quando o prêmio ainda se chamava Fifa Ballon D’Or) e 2017 (segundo ano do Fifa The Best). Em ambas as ocasiões, Neymar ficou na terceira colocação.

Outro astro do futebol internacional, Cristiano Ronaldo, não ficou entre os 14 finalistas para a premiação do The Best, seu pior resultado desde 2005, quando ele apareceu na 20ª posição. Desde 2004, Ronaldo vem recebendo votos para as escolhas de melhor jogador do mundo. E, a partir de 2006, CR7 figurou entre as 10 primeiras colocações em todos os anos até 2021. Sua última temporada foi marcada por problemas no Manchester United que culminou em sua reserva na seleção portuguesa na Copa do Mundo. Tanto que o jogador decidiu se transferir para o futebol saudita.

KARIN BENZEMA

O craque francês do Real Madrid levou a Bola de Ouro em 2022 pelo desempenho de destaque na campanha da última Liga dos Campeões, levou azar com a decisão da Fifa de estender o período da premiação do Fifa The Best por causa da Copa do Mundo. Devido a uma lesão, o ataque não disputou o Mundial do Qatar pelo time francês, que terminou com o vice-campeonato. Ainda assim, Benzema foi um dos três finalistas, concorrendo contra Lionel Messi e Kyllian Mbappé, ambos do PSG.

KYLLIAN MBAPPÉ

Apesar de ter sido um dos destaques da Copa do Mundo de 2018 pela França (que foi campeã do torneio) e do vice-campeonato da Champions League de 2020 pelo PSG, o atacante francês de 24 anos chega neste ano apenas pela primeira vez entre os finalistas para o prêmio Fifa The Best. Conta em seu favor o fato de ter terminado na artilharia do Mundial de 2022 com oito gols marcados, sendo três deles na final contra a Argentina.

ANDRÉS INIESTA

O meio-campo espanhol, que hoje atua no futebol japonês, viveu o seu auge entre as temporadas de 2010 e 2012, quando conquistou a Copa do Mundo e a Eurocopa, além de inúmeros títulos com a camisa do Barcelona. Em 2010, ele ficou em segundo na votação de melhor do mundo, perdendo para Lionel Messi. Em 2012, mesmo tendo sido considerado o melhor da Eurocopa, ele ficou em terceiro no prêmio da Fifa, sendo superado por Messi e Cristiano Ronaldo.

MOHAMED SALAH

Referência ofensiva do Liverpool e da seleção do Egito por várias temporadas, o atacante de 30 anos conseguiu chegar perto do troféu do Fifa The Best em duas oportunidades: na temporada de 2018, quando ficou atrás de Luka Modric e Cristiano Ronaldo, e no ano de 2021, quando perdeu para Lewandowski e Lionel Messi. Nesta temporada, Salah, que é o artilheiro da atual Champions League, entrou na lista dos 14 melhores jogadores do mundo, mas não foi selecionado entre os três principais.

KEVIN DE BRUYNE

Craque do Manchester City e da seleção da Bélgica, o meia de 31 anos teve o seu auge em 2018, quando comandou a surpreendente campanha da Bélgica na Copa do Mundo e foi uma das referências do City que dominou o cenário regional e levou a Premier League liderado pelo técnico Pep Guardiola. Mas De Bruyne amarga o fato de sequer ter ficado entre os três primeiros desde que o Fifa The Best foi criado. Neste ano, assim como Salah, ele ficou na lista dos 14 melhores do mundo, mas não avançou para a final.

WESLEY SNEIJDER

2010 foi o grande ano do meia holandês, que anunciou a sua aposentadoria em 2019. Pela Inter de Milão, Wesley Sneijder foi campeão da Liga dos Campeões (sendo o maior assistente da competição), Mundial de Clubes, Campeonato Italiano, Supercopa da Itália e Copa da Itália. No mesmo ano, foi artilheiro da Copa do Mundo pela seleção da Holanda e principal jogador do time vice-campeão mundial do torneio. Mesmo assim, ficou em quarto na eleição dos melhores da temporada.

VINÍCIUS JR.

O atacante brasileiro de 22 anos atingiu o seu auge na temporada passada, quando marcou o gol que deu o título da Champions League ao Real Madrid na final contra o Liverpool. Mas Vini Jr disputou a sua primeira Copa do Mundo com a camisa da seleção brasileira e teve uma atuação apagada ao longo da competição. Nesta temporada, Vini Jr ficou na lista dos 14 melhores jogadores do mundo, mas também não foi selecionado para a grande decisão.

Os mistérios de Calvin e da Senhora Gorda

Bill Watterson está de volta. Mas na verdade ele nunca nos deixou

Por André Forastieri

Bill Watterson dará o ar de sua graça neste abençoado 10 de outubro de 2023. O criador de Calvin é o escritor de “The Mysteries”, em parceria com o cartunista John Kascht. São poucas e preciosas 72 páginas. Não é quadrinho, é livro ilustrado. Parece sombrio e esquisito. Só sabemos que é sobre um reino assombrado por calamidades em série, um rei e um único cavaleiro que sobrevive a uma longa jornada. Pela arte que vemos, não parece nada com Calvin. Ótimo.

O mundo não recebe uma nova obra de Bill tem quase três décadas. Foi no dia 31 de dezembro de 1995 que Bill Watterson publicou a última tira do menino e seu tigre. É famosa, aquela que acaba com eles voando no trenó, vamos explorar!

Os livros de Calvin nunca saem de catálogo. Você precisa de todos. Os fãs mais apaixonados exigirão “Desbravando Calvin e Haroldo – A Exposição”, catálogo de uma exposição de 2014.

Traz tiras de Watterson, alguns de seus primeiros trabalhos, uma análise de sua arte, uma entrevista exclusiva. E também autores que o influenciaram, como Charles Schulz (Peanuts), George Herriman (Krazy Kat) e Alex Raymond (Flash Gordon e cia.).

Há quem garanta que Bill Watterson é não só um dos maiores criadores da história dos quadrinhos, mas um dos maiores criadores de qualquer arte. O fato é que é uma obra especialíssima. Vamos pular a velha lenga se HQ é arte.

O que é absolutamente único sobre Calvin: nunca houve uma tira de jornal interrompida no auge de seu sucesso. E nunca houve personagem tão popular que não gerou merchandising, só porque seu criador era contra.

Numa era em que todos estão atrás de criar uma propriedade intelectual e capitalizar, Bill Watterson deu a maior prova de louco possível. Rasgou dinheiro. 

Imagine o que ele teria faturado se permitisse lancheiras, bonecos, desenhos animados, camisetas, games, brinquedos e tal de Calvin e seu tigre de estimação, Haroldo, ou, na gringa, Hobbes. 

Inscrever-se agora

Vamos sonhar? Imagine um desenho de Calvin produzido com o padrão de qualidade e delicadeza que a Pixar imprimiu a filmes como Wall-E e Toy Story . É coisa para bilheteria de U$ 300, U$ 400 milhões. E sequências. E, bem, merchandising à beça.

Nos dez anos em que produziu a tira, Bill ganhou bastante dinheiro, além de todos os prêmios disponíveis para cartunistas. Continua ganhando. As tiras antigas continuam sendo republicadas por jornais de todo o mundo, os jornais que sobrevivem, claro. As coletâneas em álbuns continuam vendendo muito bem.

Mas podia ser bilionário hoje. Ou ter vendido Calvin e Hobbes para a Disney. Nada feito. Watterson era contra a exploração comercial de seus personagens, e pronto. Abriu mão da grana. 

Há que ser grato a Bill Watterson por ter feito o que fez, com o talento e sensibilidade que fez, e parado de fazer quando sentiu que era hora de parar. Calvin sempre terá por isso um lugar especial no meu coração e nos de seus muitos admiradores. E também por ser prova viva de que dinheiro não é tudo, não sempre, não para todo mundo.

Por um curto e inesquecível período tive meu próprio Calvin em casa. Quando Tomás aprendeu a ler, apresentei o menino e seu tigre. Lembro com saudade quando encontrou pela primeira vez seu novo amigo. Amigo para vida inteira, não menos real porque imaginário.

Os livros de Calvin no Brasil carregam o selo da editora de que fui co-fundador: Conrad Editora. Não tenho nada a ver com a Conrad desde 2005. Hoje é parte de um grande grupo editorial e publica muita coisa boa. Mantenho o carinho pelo filhote. É uma satisfação ver à frente do selo o velho companheiro de aventuras editoriais e grande editor, Cassius Medauar.

O detalhe é que Bill abriu mão não só da grana grossa, mas do sucesso e da fama, também. Se ele tocar a campainha da sua casa, você jamais reconheceria.

Sempre foi muito reservado. Ninguém sabe como é sua cara hoje, e mesmo as fotos antigas são raras. Não se trata um oligofrênico intratável. Bill se dá bem com os pais, é casado com a mesma mulher desde 1983, mora em Cleveland, pinta quadros a óleo – e isso é tudo que se sabe sobre ele.

Depois de interromper a criação de novas tiras, em 1995, ele simplesmente não criou mais nenhum personagem, nem escreveu novas histórias. Dá raríssimas entrevistas. Já não falava com jornalistas quando fazia Calvin.

Em uma entrevista no início de 2010, sua primeira desde 1989, explicou por que parou: porque já tinha dito tudo que tinha a dizer.

Bill Watterson não me lembra exatamente J.D. Salinger, mas um de seus  personagens – algum dos irmãos Glass, ou um compósito da família. Ou talvez seja o espírito zen-peralta de Calvin que me transporte para Franny e Zooey, ou Um Dia Perfeito Para Peixe-Banana.

Salinger também exigia controle sobre seus livros – as capas sempre limpas, só com o título – e não queria nem pensar em versões para o cinema de O Apanhador no Campo de Centeio. Se escondeu no auge do sucesso. O que produziu nas décadas recluso? Mistério.

Morreu em 2010. Em 2019, seu filho anunciou que tem muito material inédito, e que ele está trabalhando com editores para selecionar o material, que uma hora sai, e segue a enrolação. 

Talvez a principal ligação entre os dois: ninguém melhor que Salinger explicou a decisão de Watterson.

Foi Seymour Glass quem alertou seu irmão mais novo para a presença da senhora gorda. Eles estão para subir em um palco, e Seymour diz para Zooey:

“Você precisa engraxar os sapatos.”

Zooey diz: “Porquê? O palco está em um nível mais alto do que a plateia. Ninguém vai ver meu sapato sujo.”

Seymour o repreende: “Você precisa engraxá-los para a senhora gorda.”

Existe uma pessoa para quem a gente cria – quando atua, quando escreve, quando toca um instrumento, ou bola uma tira de jornal; talvez quando a gente faz um molho de macarrão, ou conversa com alguém que ama.

É a senhora gorda, e temos que fazer nosso melhor por ela.

E toda audiência é a senhora gorda, todos nós, e a senhora gorda é divina, é sagrada. Ela é a razão porque fazemos o melhor de nós. E ela é a razão porque devemos parar de fazer o que não exige nosso melhor.

Quando entramos em contato com algo que foi feito pensando na senhora gorda, a gente percebe. Essa percepção não nos deixa.

Quando a gente vê a senhora gorda, não consegue mais deixar de ver.

Meio misterioso, eu sei. Leia Franny e Zooey. Leia Calvin e Haroldo. Tá tudo meio explicado lá. Quem sabe o novo livro do Bill Watterson ajude a gente a entender melhor..

A senhora gorda está sempre ali – esperando que a gente faça bem, faça mais, faça o nosso melhor.

________________

Um pedido, agora.

Minha família conhece a Ereni tem uns quinze anos. É uma mulher batalhadora, já bisavó e querida de muita gente. Sobreviveu à tragédia na Barra do Sahy – mas perdeu suas casinhas lá. Eram a única coisa que tinha, fora um terreno na Bahia.

Ereni não tem mais onde morar mas continua tendo muita coragem. Ela precisa da sua colaboração para voltar pra a Bahia.

Para isso, doe já nesta Vakinha, organizada pela neta dela, a Sara. Qualquer quantia ajuda Ereni e toda sua família!

Senadores bolsonaristas querem perdão criminal para garimpeiros na terra Yanomami, revela ofício

Por Rubens Valente, na Agência Pública

BOA VISTA — Um ofício assinado por Chico Rodrigues (PSB-RR), Mecias de Jesus (Republicanos-RR) e “Dr.” Hiran (PP-RR), três senadores pró-garimpo de Roraima, ao qual a Agência Pública teve acesso, mostra que eles pediram a diversas autoridades de Brasília que os garimpeiros eventualmente flagrados dentro da Terra Indígena Yanomami não sofram “persecução penal”, ou seja, que não respondam a processo criminal.  São muitos os crimes atribuídos a garimpeiros que invadem e destroem terras indígenas. Segundo a ANM (Agência Nacional de Mineração), por exemplo, um garimpo do gênero configura “crime ambiental e usurpação de bens públicos” – a terra Yanomami é registrada em cartório como propriedade da União, sobre a qual os povos indígenas têm “sua posse permanente, cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes”.

O ofício descreve uma reunião que os senadores mantiveram com comandantes militares e ministros do governo federal após um sobrevôo ocorrido em 9 de fevereiro. “Os Parlamentares ressaltaram às autoridades do Poder Executivo presentes a importância de o Governo Federal implementar, o mais rápido possível, uma operação de emergência para promover o resgate dos trabalhadores que se encontram retidos em áreas de garimpo na Reserva Yanomami, assegurando-lhes a ausência de repressão ou persecução penal no momento de sua retirada, uma vez que foram enredados na atividade de mineração premidos para garantir o próprio sustento e o de suas famílias”, diz o ofício.

O documento em papel timbrado do Senado foi assinado pelo advogado do Senado Edvaldo Fernandes da Silva, “coordenador do núcleo de processos judiciais” do Senado, e pelos senadores Chico Rodrigues (PSB-RR), Mecias de Jesus (Republicanos-RR) e “Dr.” Hiran (PP-RR), que se apresentam no papel como membros e coordenador, respectivamente, de uma “Comissão Externa do Senado Federal criada para acompanhar a situação dos ianomâmis e a saída dos garimpeiros de suas terras”. O papel é datado de 10 de fevereiro. A citada Comissão foi instalada uma semana depois, em 17 de fevereiro.

O papel teve como destinatários o procurador-geral da República, Augusto Aras, os ministros José Múcio (Defesa), Flávio Dino (Justiça) e Rui Costa (Casa Civil) e os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco, e da Câmara, Arthur Lira. A PGR encaminhou o ofício para sua 6ª Câmara de Coordenação, em Brasília, que por sua vez enviou o ofício ao MPF (Ministério Público Federal) do Amazonas e de Roraima. No documento, no qual anexou o relato dos senadores, a subprocuradora-geral da República Eliana Peres Torelly de Carvalho, coordenadora da 6ª Câmara, escreveu ao MPF dos dois Estados “para conhecimento e providências cabíveis, solicitando a gentileza de nos manter informados acerca das diligências adotadas”.

O ofício produzido pela Advocacia do Senado diz que o pedido dos parlamentares sobre a não persecução penal ocorreu após um sobrevôo na terra indígena ocorrido em 9 de fevereiro. Além dos três senadores, participaram da viagem, “uma operação”, segundo o Senado, o governador de Roraima, Antonio Denarium (PP-RR), os ministros José Múcio (Defesa), Silvio Almeida (Direitos Humanos) e José Juscelino (Comunicações), os comandantes militares Tomás Paiva (Exército), Marcelo Kanitz Damasceno (Aeronáutica), o comandante do Estado-Maior das Forças Armadas, Renato Rodrigues Aguiar Freire, e os deputados federais Duda Ramos (MD-RR), Albuquerque (Republicanos-RR) e Zé Haroldo Cathedral (PSD-RR).

O documento diz que o senador Hiran “destacou extrema preocupação com a situação degradante dos cerca de 20 mil garimpeiros e suas respectivas famílias que ainda não conseguiram sair da Reserva Yanomami”.

Os senadores por diversas vezes denominam a terra indígena como “Reserva Yanomami”, o que é falso – a mesma expressão “reserva” foi transcrita no ofício produzido pela PGR. O território foi homologado em 1992 pelo então presidente Fernando Collor como “Terra Indígena Yanomami” em todos os documentos oficiais sobre o assunto. A troca da expressão “terra indígena” por “reserva” opera para relativizar o pertencimento cultural e jurídico do território ao povo indígena Yanomami, reconhecido pelo Executivo e pelo Judiciário e previsto na Constituição.

A presença de Chico Rodrigues, Hiran e Mecias de Jesus numa comissão do Senado para acompanhar a emergência Yanomami já foi repudiada pelas principais organizações indígenas e indigenistas, que pedem a saída desses parlamentares da comissão. O CIR (Conselho Indígena de Roraima), que representa 261 comunidades indígenas no Estado, disse em nota que os senadores Chico Rodrigues e Hiran “jamais se posicionaram a favor do povo Yanomami e dos povos indígenas de Roraima” durante todo governo de Jair Bolsonaro (2019-2022).

Em maio de 2022, lembrou o CIR, Rodrigues participou de uma diligência promovida pela Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal na terra Yanomami. Ela teve o objetivo de “acompanhar as medidas adotadas pelas autoridades acerca da situação da comunidade Yanomami”. Na ocasião, disse o CIR, o senador Rodrigues “negou que houvesse qualquer violação de direitos dos povos indígenas na TI Yanomami, negando o genocídio em curso”.

“É de se questionar até onde estão infiltrados na estrutura do Estado Brasileiro os representantes dos crimes e interesse dos garimpeiros ilegais no Estado de Roraima. Não aceitamos que grupos políticos usem o Senado para atender interesses escusos. É dever constitucional da referida casa legislativa garantir a proteção aos direitos constitucionais dos povos indígenas. Mas nesse caso da comissão, com a atual presidência da comissão, há claro conflito de interesse”, disse o CIR.

Também em nota, a HAY (Hutukara Associação Yanomami) mencionou que Rodrigues “era dono de avião que circulava no garimpo ilegal na terra indígena Yanomami”. Em 2020, o senador foi “flagrado pela Polícia Federal com R$ 33 mil na cueca”. “Com ele foi apreendida uma pedra que se suspeitava ser uma pepita de ouro, durante uma operação para apurar um suposto esquema criminoso de desvio de recursos públicos para o combate à Covid-19 em Roraima.”

Sobre Mecias de Jesus, a Hutukara mencionou que ele foi denunciado por uma empresa de táxi aéreo, que presta serviços para transporte da saúde indígena na terra Yanomami, por “cobrança de propina, achaque e fraude em licitação”. Durante o governo Bolsonaro, Mecias fez as indicações dos gestores do Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami. “A corrupção se instalou no distrito e a nossa saúde foi negligenciada e muitas mortes aconteceram, um verdadeiro plano de genocídio e extermínio do nosso povo”, disse a Hutukara na nota.

Uma terceira organização indígena, a UAY (Urihi Associação Yanomami) lembrou que o senador Hiran votou, quando era deputado federal, a favor do projeto de lei (490/2007) “que inviabiliza demarcações de terras indígenas” e do projeto de lei (191/2020) que tentava autorizar a mineração em terras indígenas. O filho do senador Mecias, Jhonatan de Jesus, também votou a favor do PL 191.

“Vale lembrar que, como povo Yanomami, temos o direito de negar a presença de pessoas que desrespeitem a nossa cultura e nossos saberes ancestrais. Não aceitaremos parlamentares favoráveis à mineração ilegal participando das decisões e ações humanitárias dentro da Terra Indígena Yanomami”, diz a nota assinada pelo presidente da UAI, Júnior Hekurari Yanomami. Ele foi autor de inúmeras denúncias nos últimos quatro anos sobre a degradação da saúde na terra Yanomami.

Na manhã do dia 20 de fevereiro, Chico Rodrigues apareceu na comunidade Surucucu, levado por um avião militar, sem prévia comunicação com as lideranças indígenas Yanomami e sem consultar dois colegas que hoje integram a comissão, Eliziane Gama (PSD-MA) e Humberto Costa (PT-PE). Júnior Hekurari, da UAI, disse aos indígenas na ocasião que Rodrigues representava interesses dos garimpeiros. Mais tarde, Júnior disse, em nota, que o senador surpreendeu com sua “visita indesejada e desrespeitosa”. “Não aceitamos a presença destes transgressores dentro do nosso território sagrado. Nosso protocolo de consulta deve ser consultado e respeitado, mediante ações, decisões e visitas que podem afetar os direitos da população Yanomami.”

No dia seguinte, Rodrigues postou no Twitter que visitou a área “para acompanhar de perto a evolução da situação”. “Em Surucucu, estive no pelotão do Exército e sobrevoei áreas com presença de garimpos.”

Governo ainda não tem definição sobre prisão ou liberação de garimpeiros

A questão sobre prender ou abrir processo criminal contra os garimpeiros flagrados dentro da terra Yanomami ainda está aberta no governo federal. Numa entrevista à Pública, por exemplo, a ministra dos Povos Indígenas Sonia Guajajara disse que os garimpeiros que não saírem do território serão presos. Já o ministro da Justiça, Flávio Dino, dá sinais de que concorda com o argumento dos senadores pró-garimpo de Roraima. Numa entrevista à TV CNN, por exemplo, Dino disse que tem “duas linhas de trabalho”, a operação da desintrusão e a investigação sobre as pessoas “que coordenam, que financiam” o garimpo. Ou seja, não sobre os garimpeiros, mas sobre os financiadores. Na entrevista, ele alegou que haveria problema para prender os garimpeiros em flagrante dentro do território.

“Nós temos portanto duas linhas de trabalho. […] A desintrusão, tirar as pessoas do território yanomami. […] Isso é uma questão emergencial. Às vezes as pessoas perguntam, ‘mas como?’ Bom, nós vamos prender 10, 15 mil pessoas? E como nós vamos algemar 15 mil pessoas umas nas outras e conduzir exatamente para onde? Então obviamente há uma coordenação, um planejamento, na ação da Polícia Federal, da Força Nacional, das Forças Armadas, cada uma dentro das suas competências constitucionais, e evidentemente os responsáveis serão punidos.”

O tema da prisão ou não dos garimpeiros pela Polícia Federal, contudo, deverá ganhar corpo só a partir de 6 de abril, quando acabará o prazo dado pelo governo para a saída aérea autorizada das áreas de garimpo. Até essa data estão abertos “corredores aéreos”, pelos quais os garimpeiros ainda podem entrar e sair de avião e helicóptero, desde que informem antes aos militares. Depois dessa data, o governo deverá desencadear uma segunda etapa na operação de desintrusão, mais incisiva para a retirada dos garimpeiros. Por enquanto, esse trabalho está sendo feito quase exclusivamente pelas equipes do Ibama e da Funai.

Leão leva susto, mas segue 100%

POR GERSON NOGUEIRA

Foi a melhor performance do Remo até agora no Parazão, basicamente pelo que fez nos primeiros 45 minutos, quando teve boa produção ofensiva e foi bastante eficiente. Além do acerto na troca de passes, soube tirar proveito da marcação deficiente do Cametá no meio e na zaga. Na etapa final, o desgaste físico fez a equipe baixar suas linhas de marcação, permitindo a pressão do visitante.

Em ritmo forte, o Remo abriu o placar aos 21 minutos. Em boa manobra de Diego Tavares, a bola chegou a Lucas Mendes, que cruzou rasteiro para a finalização de Fabinho. Aos 24’, Lucas voltou a ser acionado e botou a bola na cabeça de Richard Franco, que desviou para as redes.

O Remo era absoluto, distribuía a bola com rapidez e não encontrava resistência na transição ofensiva. Aos 38’, veio o terceiro gol. Em nova investida de Lucas Mendes, acionado por Richard Franco, a bola chegou até Fabinho, que tocou para as redes.  

Nos acréscimos, o Cametá descontou com um pênalti presenteado por Pablo Roberto, o volante que às vezes esbanja qualidade na armação (como na origem do lance do primeiro gol) e em outros momentos é capaz de jogadas absolutamente irresponsáveis. Em lance controlado na área do Remo, ele se precipitou e cometeu uma falta desnecessária. Pilar cobrou e marcou.

O 2º tempo começou sob um certo domínio do Cametá, que explorava os lados do campo, com Alexandre, Rairo e Pilar, explorando o encolhimento do Remo. Marcão acertou um cabeceio na trave e, aos 25 minutos, chegou finalmente ao segundo gol em disparo forte de Pilar, que desviou em Ícaro e enganou Vinícius.

Muito recuado, sem ir ao ataque, o Remo sofria com a pressão cametaense. Por alguns minutos, a torcida ficou apreensiva, temendo o empate. Para sorte do Leão, uma confusão generalizada paralisou o jogo por cinco minutos. Em meio ao sururu, foram expulsos Ryan e Lucas Mendes.

Marcelo Cabo trocou então Pablo, Diego Tavares, Pedro Victor e Richard Franco por Paulinho Curuá, Ronald, Rodriguinho e Pingo, a fim de conter a queda que o time apresentava. Deu resultado. Curuá e Pingo entraram muito bem na partida, equilibrando as ações e levando o Leão à frente.

O Remo só voltou a ameaçar o gol de Pedro Henrique aos 41′, com um chute rasteiro de Fabinho. O lado direito, que funcionou tão bem no primeiro tempo, com Lucas Mendes e Diego Tavares, só viria a renascer nos ac´réscimos. Em cruzamento perfeito, aos 48’, Pingo acionou Fabinho entre os zagueiros. O atacante testou de cima para baixo, como rezam os manuais, e deu números definitivos ao jogo, fechando a vitória em 4 a 2. (Foto: Samara Miranda/Ascom Remo)

Papão mostra poder de reação em vitória sobre o Japiim

Em confronto bem movimentado, na noite de sábado, o Paysandu passou pelo Castanhal, marcando 2 a 1, de virada. O visitante chegou assustando. Aos 7 minutos, Wander mandou a bola na área e o lateral Jefferson Murillo complementou para o fundo do barbante. Dois minutos depois, um cruzamento sob medida de Bruno Alves propiciou o empate: Mário Sérgio se antecipou à zaga e desviou para as redes.

O Castanhal seguiu rondando a área e Gui Campanha quase fez o segundo gol, aos 17’. Mas, ainda no primeiro tempo, o PSC concretizou a virada, através de um disparo forte de Bruno Alves da entrada da área, aos 29’. O gol expôs o entrosamento entre os dois atacantes do Papão. Mário Sérgio fez um corta-luz e deixou Bruno livre para fuzilar.

No 2º tempo, o jogo ficou mais ríspido. Mesmo assim, o PSC criou boas chances para ampliar. Aos 3 minutos, Bruno Alves recuperou a bola e lançou Vicente, que disparou para fora.

Aos 22’, foi a vez de João Vieira experimentar de fora da área. O Castanhal chegou perto do empate aos 34’, com Bruno Henrique cobrando falta com muito perigo. Jimenez e Juan Pitbull desperdiçaram ainda duas boas situações no ataque do Papão.

A atuação do PSC foi dentro da expectativa, embora com o erro defensivo inicial que quase complicou os planos da equipe. O lado positivo foi a demonstração de capacidade reativa, virando o placar ainda na etapa inicial sem permitir que o jogo ficasse complicado. (Foto: John Wesley/Ascom PSC)

Águia salta para o 3º lugar e Lusa quebra jejum

A tábua de classificação do Parazão sofreu alterações importantes depois da quarta rodada, disputada neste fim de semana. A Tuna finalmente ganhou a primeira no campeonato e entrou para o G8 ao marcar 1 a 0 sobre o Caeté, sábado, no Souza. A vitória põe a Lusa na quinta colocação.

O Tapajós venceu o clássico santareno por 3 a 2 e entregou a lanterna ao Itupiranga, derrotado pelo Águia. O Azulão marabaense deu um salto na tabela, assumindo a terceira posição, agora com sete pontos.

Independente e Bragantino empataram (2 a 2) e permanecem na mesma situação aflitiva. O Tubarão é o 10º e o Galo Elétrico estacionou na 11ª colocação, com apenas um ponto. Por conta disso, dispensou o técnico Léo Goiano – substituído por Sinomar Naves.

Papel decisivo do apito (e do VAR) no clássico carioca

O clássico entre Botafogo x Flamengo é historicamente maltratado por arbitragens desastrosas. O de sábado, em Brasília, não foi diferente. Erros do VAR em lances contra o Fogão tornaram a partida tumultuada na maior parte do tempo, culminando com a expulsão de três botafoguenses.

A jogada mais ilustrativa da inépcia do apitador foi a jogada em que Matheus Nascimento foi puxado e derrubado na área. Um pênalti claro, que foi ignorado pela arbitragem e pelo VAR. É improvável que, se o lance fosse em favor do Fla, o critério interpretativo seria o mesmo.

O destempero dos jogadores do Botafogo teve muito a ver com as trapalhadas do homem do apito, mas não pode ser contemporizado. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 27)