Vitória não oculta problemas

POR GERSON NOGUEIRA

O PSC teve menos tempo de preparação que os demais clubes que irão participar do Parazão 2023 – se ele realmente acontecer –, mas vem conseguindo obter vitórias nos amistosos. Passou pela seleção de Barcarena, na semana passada, e derrotou ontem o São Francisco, de Santarém, em partida realizada na Curuzu. Se o primeiro teste foi contra um time amador, o segundo tem mais validade, pois envolveu um adversário que irá disputar o Estadual.

Não se pode dizer que foi uma exibição de alto nível. Os problemas de entrosamento existem, mas o time mostrou movimentação a partir do meio-de-campo, com a presença de Ricardinho e João Vieira no papel de construtores. No início, o excesso de erros na troca de passes atrapalhou as tentativas de envolver o São Francisco. Aos poucos, através de ações do meio-campo, o time foi encontrando caminhos.

O único gol veio, porém, de uma jogada antiga da equipe de Márcio Fernandes. Ricardinho cobrou escanteio e Mário Sérgio subiu entre os zagueiros para desviar para o fundo das redes. É preciso notar que o goleiro Evandro Gigante estava lesionado e nem pulou para tentar a defesa.

Um outro bom momento do PSC na partida foi quando Bruno Alves entrou na área e bateu na saída do goleiro, mas a bola acertou a trave. Houve também um breve período de pressão do São Francisco, com quatro ataques contundentes, levando muito perigo à defensiva do Papão.

Márcio Fernandes aproveitou para fazer várias observações. Só o zagueiro Genilson permaneceu até o fim. Entre as novidades, a boa estreia de Roger, oriundo da base, que mostrou muita habilidade, lembrando até o estilo de Dioguinho na facilidade para “esconder” a bola dos adversários.

De toda sorte, a torcida que dedicou a manhã de domingo a ver o Papão em ação saiu satisfeita com o resultado e com a participação de alguns jogadores. Mário Sérgio convence a cada jogo quanto à vocação para definir jogadas e senso de colocação na área.

João Vieira segue em bom nível depois da excelente performance na Copa Verde. Bruno Alves mostra empenho em afinar a dupla com Mário Sérgio. Ricardinho vai bem enquanto pode, mas segue com a limitação quanto ao aproveitamento nos 90 minutos.

Tropeço expõe falta que um criativo faz ao Remo

A falta de criatividade e as raras oportunidades criadas para os atacantes são os maiores problemas do Remo às vésperas da estreia no Campeonato Paraense. No segundo empate consecutivo em amistosos – o primeiro ocorreu contra o Caeté – o time de Marcelo Cabo expôs fragilidades de conjunto, o que é normal a essa altura, e sérios problemas para organizar jogadas a partir do meio-campo.

A opção por Pablo Roberto, um segundo volante que também joga como meia-armador, pode explicar parte das dificuldades que o Remo enfrentou diante de Caeté e Bragantino, o adversário de ontem. Mesmo sem repetir o cenário de sufoco sofrido contra o Caeté, o time teve momentos de marasmo na saída de bola, erros seguidos na busca de passes mais longos e poucas chances de gol no primeiro tempo.

Na etapa final, o time parece ter encaixado uma forma de superar o Bragantino. Em lance de habilidade, Muriqui finalizou e aproveitou o rebote para dar um passe perfeito para Richard Franco, que só teve o trabalho de empurrar a bola para o gol.

Tudo parecia fluir melhor com Soares tomando conta da meiúca, distribuindo passes, transitando com facilidade entre meio e ataque e buscando sempre entrar na área, como um camisa 10 deve fazer. Diego Tavares e Jean Silva também apareceram mais no jogo. Uma bola explodiu no travessão e Ricardinho ainda perdeu uma boa chance para ampliar.

Só que, de repente, um descuido na marcação pelo lado esquerdo da defesa, permitiu a Balotelli avançar e cruzar em direção à área, onde Moisés estava praticamente livre e tocou de cabeça para empatar o amistoso.

Ao final, a torcida voltou a se manifestar, irritada e preocupada com o desentrosamento que o time apresenta. Alguns jogadores não estão ainda no nível ideal, mas o time treina há quase um mês e já deveria apresentar organização suficiente para superar adversários de nível inferior.

Suspensão do Parazão abre flanco para a bizarrice

Em meio ao debate que se instalou depois da suspensão do Campeonato Paraense, determinada na sexta-feira pelo presidente do STJD, Otávio Noronha, vários arautos do caos começaram a defender a ideia estapafúrdia e incabível de ampliação do número de clubes para 14 na edição deste ano.

A ideia visa, aparentemente, colocar um fim na crise, mas pretende na prática instituir uma manobra para inchar ainda mais a competição – que tinha 10 participantes até 2021, quando os problemas da pandemia justificaram o aumento para 12, o que já configura um tremendo exagero para o nível técnico do futebol paraense.

O presidente da FPF, Ricardo Gluck Paul, se manifestou contra essa ideia, o que é uma garantia de que a maluquice não irá adiante. O fato é que o Parazão segue dependendo dos humores do Pleno do STJD, que deve se reunir na quinta-feira (ou na próxima semana) para julgar o caso.

Caso o rebaixado Paragominas vença a questão e volte à disputa, Bragantino e Águia serão rebaixados, mas a decisão do tribunal pode ter efeitos sobre a colocação final do campeonato de 2022, pois o Águia foi um dos semifinalistas. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 23)

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