Ex-fotógrafo da Folha critica jornal por escolha de foto de Lula para a capa: “Shownalismo”

Eder Chiodetto é fotógrafo, editor e curador especializado em fotografia. Atuou como repórter-fotográfico (1991-1995),  editor (1995-2004) e crítico de fotografia (1996-2010) na Folha de S.Paulo. Nesta quinta-feira (19), ele valeu-se de seu perfil no Instagram fez um texto criticando o jornal e a fotojornalista Gabriela Biló, dizendo que a foto “deve ser lida sob a luz da linha editorial tortuosa que a Folha adotou nos últimos tempos”:

“O fotojornalismo, atividade ligada à reportagem, tem historicamente a função de reportar visualmente os fatos para o leitor. É uma forma de transportar esse leitor para o interior dos eventos noticiosos. Sim, sabemos que toda fotografia é e sempre será uma interpretação que pouco guarda de similaridade com o fato em si.

Ao fotógrafo cabe a escolha do ângulo, do foco, da luminosidade, do contraste, do recorte, etc. E, sobretudo, pensar todo entorno da cena que será ocultado em privilégio de um detalhe, um gesto. Logo, toda fotografia sempre é o fruto da decisão estética, ideológica e do repertório visual e político do fotógrafo.

Não há fotografia isenta de opinião. Vamos combinar que a natureza da geração de imagens já possibilita elementos mais que suficientes para que fotógrafos moldem a expressão daquilo que fotografam como entenderem que devem a partir de seus princípios. Obstante a isso, Gabriela Biló, fotógrafa de grande desenvoltura e com cacoete de youtuber, com mais de 65 mil seguidores no insta, sentiu-se impelida a usar uma dupla exposição para reunir na mesma imagem um retrato do presidente Lula com a vidraça do Palácio do Planalto estilhaçada pelos terroristas.

Esse gesto, por si só, tira a imagem da natureza do fotojornalismo e a desloca para o âmbito da ilustração. Colagem, montagem, justaposição, são práticas de artistas e ilustradores, não de fotojornalistas. Logo, tal artifício desloca Biló da função de repórter e a coloca como cronista, articulista, ilustradora, editorialista, funções que na redação da Folha – na qual trabalhei 13 anos (1991 a 2004), sendo 09 anos como editor de fotografia -têm liberdade para expressar opiniões próprias à revelia da linha editorial (só em tese, sabemos).

Que Biló deseje ultrapassar limites éticos e estéticos à revelia das normas que regem a prática do fotojornalismo, na ânsia de ser, talvez, uma artista, é uma questão dela. O problema está na Folha em bancar essa atitude. A mesma Folha que demitiu a voz dissidente de Janio de Freitas e se lançou em mais um factóide burlesco ao criar a nomenclatura da “PEC da gastança” para a PEC da Transição, numa falta total de sensibilidade com o contexto.

Logo, a escolha editorial de estampar a imagem-ilustração de Biló na 1a página – decisão que passa pela direção do veículo, como vivenciei em 09 anos na função que me era devida – é só mais uma que vem dentro dessa lógica de fazer “shownalismo” de crítica ao governo que ainda está começando. Uma imagem dúbia de gosto suspeito que amplifica possibilidades interpretativas à direita e à esquerda, com a intenção de “lacrar”, momentos após o país passar por uma tentativa de golpe, não é o jornalismo que queremos ou precisamos. No lugar de suscitar o debate, se contenta em por fogo no circo num momento tão complexo para a democracia.

Essa imagem na primeira página também não pode ser vista fora de contexto pois isso pode levar a ilusão de leituras softs tipo “Lula está blindado”, “Lula inatingível” e outras que circulam por aqui. A imagem é código aberto a interpretações, mas deve ser lida sob a luz da linha editorial tortuosa que a Folha adotou nos últimos tempos. Saudade do Otavinho, o OFF, sempre tão ponderado e cuidadoso na linha editorial do jornal, ainda que sujeito a erros. Para resumir, esse caso parece espelhar de forma canhestra o 08 de janeiro. A repórter fotográfica fez o ataque, mas a pena maior deve ser imputada a quem patrocinou e legitimou tal ato”.

David Crosby, cantor e compositor do mítico CSNY, morre aos 81 anos

David Crosby, cantor guitarrista dos grupos Byrds e Crosby, Stills, Nash & Young, morreu nesta quinta-feira aos 81 anos, após um “longo período doente”. A informação foi confirmada pela mulher do cantor e guitarrista, Jan Dance, à revista “Variety”. “É com grande tristeza, depois de uma longo período doente, que nosso amado David (Croz) Crosby morreu. Ele estava cercado de amor por sua mulher e alma gêmea Jan e seu filho Django”, afirmou Jan, em comunicado.

“Por mais que ele não esteja mais conosco aqui, sua humanidade e alma gentil vão continuar a nos guiar e a nos inspirar. Seu legado vai continuar a viver em sua música lendária. Paz, amor e harmonia para todos que conheceram David e aqueles que ele tocou. Ele vai fazer muita falta.”

Crosby foi um artista influente para várias gerações musicais:

  • nos anos 1960, os Byrds foram trilha da contracultura e base para o folk-rock e a psicodelia;
  • no final dos anos 60 e início dos 70, Crosby, Stills and Nash refletiram e atiçaram o tumulto social e político com seu country rock combativo;
  • nos anos 80, 90 e 2000, suas camadas de melodias e harmonias vocais foram referência para artistas do hardcore ao country pop, em especial no rock alternativo, onde Crosby é reverenciado.

O guitarrista, cantor e compositor foi uma das grandes figuras do rock e do folk dos Estados Unidos, principalmente nos anos 1960 e 70, em carreira solo e com os grupos The Byrds e Crosby, Stills, Nash & Young. Ele entrou nos Byrds em 1964, um ano antes de o grupo estourar com a versão de “Mr. Tambourine Man”, de Dylan, e fez parte de sua formação até 1967. No ano seguinte, ele formou o grupo Crosby, Stills & Nash, que teve também a participação de Neil Young.

Crosby alternou trabalhos solo e retornos aos grupos originais durante toda a carreira. Entre os maiores sucessos que escreveu estão “Lady friend”, “Why” e “Eight miles high”, com os Byrds e “Guinnevere”, “Wooden Ships” e “Almost cut my hair” com Crosby, Stills & Nash.

Transitou sempre entre o rock e o folk, e seu violão também tinha influências de jazz. As letras e discursos engajados também eram marcas de Crosby. Ele entrou no Hall da Fama do Rock duas vezes, uma com o Byrds e outra com Crosby, Stills & Nash. Como o trio, ganhou o único Grammy de sua carreira, de artista revelação, em 1969.

Formado por Crosby depois de sua passagem pelos Byrds com Stephen Stills, antigo membro do Buffalo Springfield, e Graham Nash, que era do The Hollies, o trio é considerado um dos três primeiros supergrupos do rock.

O primeiro disco, que levava o nome da banda, chegou ao sexto lugar da lista de vendidos dos EUA, com 4 milhões de cópias. O álbum seguinte, “Déjà vu”, já depois da entrada de Neil Young, vendeu 7 milhões de cópias e alcançou o topo das paradas americanas.

(Com informações do UOL e de O Globo)

‘Pseudociência intencional’: como a extrema-direita age para fazer você acreditar que mudanças climáticas não existem

O cientista Ricardo Galvão, que acaba de assumir a presidência do CNPq, e outros cientistas explicam como hipóteses científicas são usadas de forma distorcida para enganar o público e avançam rapidamente nas plataformas digitais. YouTube, que não tem política sobre conteúdos negacionistas do clima, desmonetizou vídeos enviados pelo projeto Mentira Tem Preço.

Por Eduardo Geraque/InfoAmazonia

Os Estados Unidos viviam a “pior nevasca do século” e um dos mais prestigiosos jornais do mundo, o The New York Times, publicava “Como a mudança climática pode sobrecarregar as tempestades de neve“. No Brasil, o drama dos norte-americanos virou piada e motivo para negar a existência das mudanças climáticas no YouTube, plataforma que não tem políticas de conteúdo para combater o negacionismo das mudanças climáticas.

O projeto Mentira Tem Preço mapeou dois vídeos entre os mais vistos no Brasil em canais de extrema-direita na última semana de dezembro de 2022. Foram mais de 270 mil visualizações na semana em que Marina Silva aceitou ser ministra do Meio Ambiente do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e anunciou, em entrevista, que a pasta ganharia “mudanças climáticas” no nome.

Um youtuber que se intitula Junior Japa, e que usa as redes para enaltecer o bolsonarismo, levantou dúvidas sobre as mudanças climáticas: “nunca vi um novembro e um dezembro chovendo tanto como neste ano, e eles insistem em falar de aquecimento global. Chegou a hora que até Deus está de saco cheio…”.

Outro vídeo é do jornalista Alexandre Garcia, ex-apresentador da CNN demitido por defender o uso de medicamentos sem eficácia no tratamento da Covid-19. Agora na equipe da Jovem Pan News, Garcia é um dos citados no inquérito do Ministério Público Federal sobre a disseminação de desinformação.Na live em seu canal, Garcia diz: “Vocês foram muito assustados pelo aquecimento global. Vai acabar o mundo, a temperatura vai subir. Gente, já morreram 62 nos Estados Unidos, de frio”.

“O nome disse é pseudociência intencional, e veio para ficar”, diz o cientista Ricardo Galvão, que acaba de assumir a presidência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ). Galvão foi demitido da presidência do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) no governo de Jair Bolsonaro por divulgar dados que indicavam alta do desmatamento.

A fórmula de sucesso desse raciocínio que termina ludibriando a opinião pública, diz Galvão, é jogar uma hipótese científica, sem explicar o método ou suas conclusões, nas redes sociais de maneira que quem não seja um especialista no assunto não tenha insumos para questionar. O método é utilizado pela extrema direita em todo o mundo. Essa desinformação gera ansiedade por respostas rápidas e pouco complexas que os cientistas têm dificuldade para responder. “Nem sempre uma resposta a um pseudocientista cabe em um fio do Twitter ou nos stories do Instagram.”

“Os eventos extremos, como ondas de calor, frio, secas ou chuvas, são indicadores claros das mudanças climáticas”, afirma o climatologista José Marengo, um dos grandes especialistas mundiais no tema. Ele é coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), instituição ligada ao governo federal.

Por isso, eventos como os ciclones-bomba dos Estados Unidos —ou, no caso do Brasil, as torrenciais tempestades de verão mais concentradas— vão ficar mais frequentes, aponta Marengo. “No verão, quando vêm as ondas de calor, ninguém se lembra muito de criticar o aquecimento”, diz o especialista peruano radicado há décadas no Brasil. “Se você fizer uma média, por exemplo, das temperaturas no inverno, elas estão mais quentes.”

Tanto o canal de Garcia como o de Japa são monetizados, o que significa que Garcia, Junior e o YouTube podem lucrar com o negacionismo das mudanças climáticas. Isso não deveria ter acontecido segundo as próprias políticas de monetização e anúncios sobre mudanças climáticas atualizadas em 2021. Desde então, passou a ser proibida a geração de receita com conteúdo e anúncios que contradizem o consenso científico sobre a existência e as causas das mudanças climáticas. Sobre ter conteúdos negacionistas das mudanças climáticas na plataforma, não houve avanço.

“Isso inclui material que se refere às alterações no clima como se fossem mentira ou um golpe, com afirmações negando que as tendências de longo prazo mostram um aumento na temperatura global, e dizendo que as emissões de gases do efeito estufa ou as atividades humanas não contribuem para esse cenário. Após análise, os vídeos em questão tiveram a monetização suspensa por infringirem as diretrizes de conteúdo adequado para publicidade do YouTube”, afirma a empresa por meio de nota.

A reportagem não conseguiu contato com Garcia e Junior. O vídeo de Japa foi removido durante a apuração da reportagem.

Como combater a pseudociência

Galvão lembra bem de quando entrou em contato com a pseudociência intencional da extrema-direita, representado na figura do astrólogo e ideólogo Olavo de Carvalho (1947-2022). Há alguns anos, um ex-aluno o procurou para saber como responder a Carvalho, que dizia em um vídeo que a Teoria da Relatividade de Albert Einstein estava errada. “Eles [os negacionistas da extrema-direita] usam um ponto importante do método científico”, explica Galvão.

“A teoria ou o modelo científico tem que ser testada, isso faz parte do próprio processo da ciência, para sabermos se ela é falsa ou não. Se você segue o método científico, você precisa provar que algo é verdadeiro ou, então, mostrar que aquilo pode ser falseado. Mas, segundo os negacionistas, o método científico é uma hipótese como outra qualquer, e esse é um problema sério agravado pela circulação dessas desinformações nas plataformas digitais.”

A desinformação em geral, e principalmente a relacionada a ciência e meio ambiente, incluindo a agenda climática e energética, faz parte de um processo já consolidado no Brasil mostram pesquisas sobre o tema.

“A desinformação é fruto também da histórica concentração midiática do sistema de comunicações no Brasil. Por isso, um debate sério sobre reforma do sistema comunicacional e do fortalecimento da comunicação pública também é um caminho urgente para sair do labirinto da desinformação”, afirma Lori Regattieri, pesquisadora do Netlab da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Para a especialista em desinformação digital, no caso específico do desmatamento, a solução também passa pelo fortalecimento do ecossistema das mídias regionais. “Principalmente na própria região do arco do desmatamento, com o objetivo de promover iniciativas de jornalismo regional comprometidas com a pluralidade de vozes da própria comunidade, promovendo informação e expondo a população a conteúdo consolidado pela ciência e pelas pesquisas desenvolvidas na agenda de clima e meio ambiente”, diz Lori.

Para ela, em termos práticos, o caminho para enfrentar a desinformação digital passa necessariamente pelo amadurecimento do PL 2630. “O chamado PL das Fake News precisa retornar a reflexões sobre a dinâmica de consumo informacional no Brasil, para que esteja conectado às demandas contemporâneas do ecossistema de notícias diante dos desafios estruturantes das redes sociais e aplicativos de mensagens. A transformação digital do ponto de vista das comunicações precisa considerar questões econômicas, pois o celular é um dos principais meios de interação com esse ecossistema de informação”, diz Lori.

Também entra nessa seara, diz a pesquisadora, a responsabilização de todos os atores envolvidos na cadeia da desinformação. “É um debate sobre a responsabilização desde as plataformas até indivíduos. Precisamos pensar que atores serão responsabilizados. Não é apenas a minha posição individual, mas as empresas também podem ser responsabilizadas ativamente no combate à desinformação.”

No caso de Galvão, mesmo com todos os desafios, ele conta que seu ex-aluno não ficou sem resposta para rebater Olavo de Carvalho em seu podcast. “Eu disse: ‘olha, diga aos seus seguidores do Instagram que, se eles usam GPS, se não fossem as correções relativísticas da teoria de Einstein, que fazem a correção do relógio do satélite com o horário do relógio que está na Terra, o erro de medição do GPS seria da ordem de 10 km’. E mandei mais três referências onde isso é explicado de forma mais detalhada e acessível para leigos. Ele fez isso e foi um sucesso de audiência.”

Essa reportagem faz parte do projetoMentira Tem Preço— especial de eleições, realizado por InfoAmazonia em parceria com a produtoraFala. A iniciativa é parte do Consórcio de Organizações da Sociedade Civil, Agências de Checagem e de Jornalismo Independente para o Combate à Desinformação Socioambiental. Também integram a iniciativa o Observatório do Clima (Fakebook), O Eco, A Pública, Repórter Brasil e Aos Fatos.

Terroristas, financiadores e agitadores: Palácio da Alvorada foi o epicentro da organização de atos golpistas

Palácio da Alvorada foi o núcleo central de encontro dos que planejaram um golpe de estado.

Por Lúcio de Castro, na Agência Sportlight

Terroristas, articuladores e financiadores se encontraram com o presidente Jair Bolsonaro na residência oficial da presidência diversas vezes entre 2021 e 2022.

TERRORISTA QUE PLANEJOU EXPLOSÕES, MORTES E CAOS EM BRASÍLIA FOI RECEBIDO NO ALVORADA

O terrorista Wellington Macedo de Souza, réu por arquitetar um atentado a bomba explodindo um caminhão tanque nos arredores do aeroporto de Brasília na véspera de natal, esteve no Alvorada por duas vezes em 2021. No dia 14 de abril, entrou às 7h24 e saiu duas horas depois, às 9h26. Um mês depois, em 11 de maio, passou um longo tempo. Os registros de entrada e saída do palácio nos anos Bolsonaro, obtidos pela reportagem através de Lei de Acesso à Informação, dão conta de que o golpista entrou às 7h43 e saiu somente no meio da tarde, às 15h53.

Wellington Macedo chegou a trabalhar no então Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, comandado pela agora senadora Damares Alves, como assessor da Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, entre os meses de fevereiro a outubro de 2019.

No mesmo 2021 em que esteve por duas vezes no Alvorada, Wellington Macedo foi preso por liderar e fomentar os atos antidemocráticos do 7 de setembro, tendo a soltura determinada em 15 de outubro pelo ministro Alexandre de Moraes. Um dos fatores que influenciaram a decisão foi uma vistoria de uma comissão da pasta de Damares Alves. Em nome do ministério da mulher, da família e dos direitos humanos, o relatório recomendava o envio de Wellington Macedo para prisão domiciliar. A comissão não informou que o preso tinha tido ligação com a ministra de então.

Nos planos frustrados de explodir, causar mortes e o caos, o visitante de Jair Bolsonaro foi o responsável por levar o carro com a bomba até o local do atentado e entregar para os comparsas. Caixa preta com acesso presidencial, Wellington Macedo está foragido.

APONTADO COMO UM DOS MAIORES MOBILIZADORES DO GOLPE, “RAMIRO CAMINHONEIRO” TEVE PORTAS ABERTAS NO ALVORADA

Ramiro Alves da Rocha Cruz Junior, o “Ramiro Caminhoneiro”, é citado com frequência como um dos maiores mobilizadores dos atos antidemocráticos desde 2021. Na tentativa de golpe do 8 de janeiro, era o nome que dominou os grupos de whatsapp e telegram usados para convocação de golpistas para irem a Brasília. De acordo com reportagem da Agência Lupa, variações em torno do nome aparecem 170 vezes nessas redes, sempre como organizador de caravanas.

Em 6 de agosto de 2021, “Ramiro Caminhoneiro” cruzou o portão do palácio às 7h53. Não há o registro com o horário de saída.

Já em 13 de janeiro de 2022, a entrada foi às 7h39, deixando o local às 8h37.

Em seu canal de youtube, onde publica vídeos conclamando golpes, desafiando e ofendendo ministros do STF e especialmente Alexandre de Moraes, deixou claro no dia 3 de janeiro deste ano que algo estava para acontecer. “A coisa vai começar nos próximos dias”, antecipando a tentativa de golpe de cinco dias depois. Não satisfeito, legendou: “09/01/2023 em diante o Brasil vai parar”.

Foi candidato a deputado estadual pelo PL-SP, mesmo partido de Jair Bolsonaro, sem sucesso. Recebeu, de acordo com dados do TSE, R$ 150 mil da legenda.

“Ramiro Caminhoneiro” também tem registro de entrada em 17 de abril de 2019, às 15h13. Na mesma hora, entrou também o blogueiro bolsonarista Oswaldo Eustáquio.

PROTAGONISTAS: NELSON BARBUDO E SEU ASSESSOR PARLAMENTAR RAFAEL KLAS DAL BO

Em seus 4 anos de mandato, o deputado federal Nelson Barbudo (PL-MT) discursou 43 vezes no plenário. Os temas se repetiram: a defesa entusiasmada de Jair Bolsanaro, ataques ao PT e a Lula, abraços e saudações para correligionários do seu estado. Na câmara, evitou discursos de teor golpista. Se no plenário agiu assim, fora incendiava com discursos golpistas. Como em 10 de dezembro de 2022, quando, com discurso ambíguo, deu entrevista a emissora de seu estado declarando que a transição e posse de Lula deveriam correr na normalidade mas que a normalidade era esperar o TSE se pronunciar sobre a “fraude nas urnas” por ele alegada sem qualquer prova.

Antes, em 22 de maio de 2020, em um vídeo, ameaçou promover um golpe militar caso fosse consumado a busca e apreensão do celular de Jair Bolsonaro encaminhada pelo então ministro Celso de Mello para a PGR. Como em outras ocasiões, sempre fora das luzes do plenário, valendo-se de vídeos e entrevistas.

Assim, indiretamente, longe dos olhos do parlamento e de registros, também parece se mover. Não tem nenhum registro de entrada no Palácio da Alvorada, mas seu assessor parlamentar Rafael Klas Dal Bo é uma das presenças mais notórias da então residência de Jair Bolsonaro.

Entre 2021 e 2022, Rafael Klas Dal Bo esteve 12 vezes no Alvorada. Oito delas em 2021 e quatro em 2022:

2021-

27/1-7h49 às 10h31

5/2- 17h09 às 18h50

25/2- 7h02 às 7h59

6/7- 16h57 às 18h03

13/7- 9h14 às 9h25

22/7-7h43 às 8h47

25/8- 9h18 às 9h45

23/11- 7h20 às 8h47

2022-

6/4- 07h32 às 09h07

 26/5- 08h09 às 08h34

21/6- 07h11 às 09h39

13/7- 07h44 às 09h56

Em agosto de 2021, Rafael Klas foi o anfitrião do caminhoneiro Marco Antônio Pereira, o “Zé Trovão”, na câmara. Na ocasião, ao lado do secretário parlamentar de Nelson Barbudo, o caminhoneiro prometeu uma guerra no mês seguinte, no 7 de setembro. Em entrevista, Rafael Klas emendou que “os guerreiros já estão aqui, estão se preparando, mas se Deus quiser vamos ter dias melhores nem que para isso a gente pague um certo preço”.

Naquele mês ainda, o deputado federal Alexandre Frota (PROS-SP) enviou notícia-crime ao STF  pela possibilidade de atos de violência marcados para acontecer nas manifestações do 7 de Setembro. Na peça, o parlamentar afirmava que o deputado Nelson Barbudo estaria organizando um protesto que teria como mote a “intervenção” no STF, a retirada de ministros da Corte e a “propagação de violência desmedida”.

As ações, de acordo com Alexandre Frota, também estariam sendo organizadas por Rafael Klas Dal Bo. “Como denunciado o Sr. Rafael Klas Dal Bo, vem utilizando meios e materiais públicos da Câmara dos Deputados para fazer a divulgação e, mais ainda, a organização desta manifestação antidemocrática, convocando pessoas a comparecerem armadas”, afirmava.

O registro de entradas no Alvorada mostra que julho e agosto, os dois meses que antecederam o 7 de setembro daquele ano, concentraram o maior número de entradas de Rafael Klas no palácio ainda habitado por Jair Bolsonaro.

DONO DE EMPRESA DE ÔNIBUS ENTRE OS PRESOS DO DIA 8 ESTEVE NO ALVORADA

Claudiney Assunção Albuquerque, dono da Rhema Viagens e Turismo, de fretamento de ônibus, está na lista dos 1.398 presos no dia 8 de janeiro e agora encontra-se no presídio da Papuda sob o prontuário 170812. Mas em 15 de abril de 2021 ele registrou entrada no Palácio da Alvorada pelo portão principal, ao lado de Rivelino Assunção Albuquerque, com entrada às 7h40.

10 DE AGOSTO DE 2021 FOI O 1º GRANDE LABORATÓRIO GOLPISTA DE BOLSONARO

O dia 10 de agosto de 2021 é chave para entender as duas datas de 7 de setembro que viriam depois também o desfecho com o 8 de janeiro de 2023, o capitólio brasileiro sonhado pelos golpistas, o dia do golpe fracassado. O grande laboratório. Foi quando o então presidente pela primeira vez ensaiou emparedar um país e botar de joelhos. Estava tudo ali: os personagens de bastidores das articulações golpistas, estratégias e modus operandi. Foi ali que os planos de ação e desejos golpistas de Jair Bolsonaro saíram da teoria e foram postos em prática pela primeira vez.

A data do laboratório não foi ao acaso: naquela noite, a câmara dos deputados iria votar a proposta de emenda constitucional que recriava o voto impresso, a falácia-bandeira a qual o ex-presidente se agarrou desde sempre para justificar eventual fracasso eleitoral, tumultuar, e, ato seguinte, dar o golpe institucional. Bolsonaro e todo o país sabiam que as chances da ideia prosperar no congresso eram de zero.

Logo pela manhã daquela terça-feira típica do inverno candango, o capitão expulso do exército por indisciplina deu o cartão de visitas. E teve o primeiro tiro pela culatra de uma coleção que iria tomar a forma definitiva no 8 de janeiro.

Numa clara tentativa de intimidar o congresso, transformou o que todo ano era uma entrega de convite para autoridades irem a um treinamento militar em Formosa, Goiás, a 80 quilômetros dali, em um desfile de tanques com o qual pretendia assombrar um país. O que se seguiu foi próximo a um bloco de sujos desfilando na Intendente Magalhães, a quarta divisão do carnaval carioca. Os tanques, que na cabeça presidencial iriam render um congresso e uma nação, se esvaiam em fumaça, se deslocavam aos soluços como quem agradece jamais serem testados em combate. A peça do ditador de república de bananas imediatamente virou humilhação suprema, dominando os assuntos do dia.

Não bastasse o vexame monumental, Bolsonaro tinha imaginado o segundo tempo. O ato definitivo que o alçaria para o comandante supremo de um país sem instituições, sem regras, sem leis. Sua tão sonhada “República de Rio das Pedras”, a milícia em forma de pátria.

Se pela manhã os tanques deveriam ter dado o tom, não fosse a inesperada vergonhosa performance, de noite era a vez dos caminhões. Bolsonaro articulou pessoalmente o cerco. Fez ali seu grande campo de provas para o que depois faria de novo em outros momentos, como os dois 7 de setembro vindouros.

Os personagens que seguiriam protagonistas da estruturação da mobilização do golpismo estavam todos ali: “Ramiro Caminhoneiro” encontrou-se com Bolsonaro no Alvorada poucos dias antes, no 6 de agosto. Em diversos vídeos, prometia cercar o congresso com a mobilização de caminhões e fazia bravatas contra congressistas e contra o STF. Se pela manhã os tanques desfilavam, ainda que em fracasso, na noite daquela terça os caminhões entraram na esplanada e barulhentamente tentaram intimidar o congresso. Sem sucesso.

Antes da votação, como mostramos anteriormente na reportagem, o caminhoneiro depois foragido, Marco Antônio Pereira, o “Zé Trovão”, teve como anfitrião no congresso Rafael Klas, ambos desferindo bravatas.

Outro protagonista do 10 de agosto de 2021 foi o ruralista de Mato Grosso, Antonio Galvan. Principal líder do Movimento Brasil Verde Amarelo, que conta com aproximadamente 300 associações e sindicatos ligados ao agronegócio, o produtor de soja esteve no Alvorada em 16 maio, entre 11h42 e 12h45. (Estivera também em 20 de fevereiro de 2019, às 12h25). Sua participação como financiador e agitador do dia da votação do voto impresso e na sequência a manutenção da mobilização para o 7 de setembro, fez com que 10 dias depois do 10 de agosto fosse alvo de busca e apreensão pela PF por liderar atos pregando a invasão do Congresso e a deposição dos ministros do STF. Foi apontado como um dos grandes líderes de arrecadação para financiamento dos atos. As investigações da PF miraram também a contabilidade da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), sob a suspeita de que a entidade, que tinha sido presidida por Galvan, tenha bancado parte dos atos. Próximo a Bolsonaro, chegou a ser candidato ao senado no ano passado pelo PTB-MT, sem sucesso.

CEAGESP TRANSFORMOU-SE EM CENTRO DE MOBILIZAÇÃO DE ATOS GOLPISTAS

Em outubro de 2020, Jair Bolsonaro deu uma tacada estratégica em seus planos golpistas: nomeou o coronel da reserva da polícia de São Paulo, Ricardo Augusto Nascimento de Mello Araújo, ex-comandante da Rota, presidente da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), estatal sediada na capital paulista mas pertencente ao governo federal.

O principal entreposto de abastecimento do país, epicentro de concentração de caminhoneiros no Brasil.

Os primeiros passos do coronel já apontaram na total militarização da entidade, nomeando policiais para todos os postos chaves.

A partir daí, passou a mobilizar, a partir da sede, apoio para atos golpistas pelo Brasil e afinar ainda mais a organização dos caminhoneiros. Que ali passaram a centralizar a organização.

Dois meses depois da nomeação do coronel, Jair Bolsonaro compareceu a uma festa no entreposto. Com o pretexto de inaugurar a nova pintura da tradicional torre do relógio da sede, repintada em verde amarelo, fez discursos golpistas e de mobilização.

No dia 22 de agosto de 2021, o coronel presidente da Ceagesp postou um vídeo com camisa da Rota conclamando “policiais veteranos” a “impedir a entrada do comunismo no país” e chamando os colegas a participarem dos atos do 7 de setembro. Que em São Paulo, naquele ano, ficou marcado pelo tom colérico e pelos xingamentos ao ministro do STF, Alexandre de Moraes.

Três dias depois do 7 de setembro de 2021, esteve no Alvorada (10/9), de 16h11 às 18h39.

É na Ceagesp também que “Ramiro Caminhoneiro” grava boa parte dos seus vídeos.

No dia em que esteve na estatal, Jair Bolsonaro aparece em um vídeo em meio a uma multidão, no pátio da sede, chamando “Ramiro Caminhoneiro” para perto dele. Depois, cobre o líder golpista com uma bandeira do Brasil.

Em diversas ocasiões, Ramiro, com a Ceagesp ao fundo dos vídeos, louva o entreposto e seu poder de mobilização.

No dia 1º de dezembro de 2022, com Lula já eleito, da mesma Ceagesp, Ramiro faz ameaças e afirma que caminhoneiros vão parar e que Bolsonaro vai, “dentro das quatro linhas”, decretar o artigo 142 em razão do roubo nas eleições.

Nota: os nomes acima são provavelmente uma amostragem. É muito provável a existência de outros tantos nomes com ligações semelhantes e presença em sedes do governo durante o período Jair Bolsonaro. Que tenham participado da articulação de golpes de dentro dos palácios nos anos de Bolsonaro.

OUTRO LADO:

Jair Bolsonaro:

A reportagem tentou contato com a defesa de Jair Bolsonaro, sem sucesso.

Rafael Klass e Nelson Barbudo:

A reportagem enviou e-mail para o gabinete do deputado mas não houve resposta.

Ramiro Cruz, “Ramiro Caminhoneiro”:

A reportagem não conseguiu contato. Caso exista alguma atualização, será acrescentado aqui.

CEAGESP:

A reportagem enviou e-mail para a comunicação da Ceagesp mas não recebeu resposta. Caso exista alguma atualização, será acrescentado aqui.

Wellington Macedo de Souza:

A reportagem não obteve contato. Até o momento da publicação, Wellington Macedo estava foragido da justiça.

Antonio Galvan:

A reportagem não conseguiu contato. Caso exista alguma atualização, será acrescentado aqui.

Claudiney Assunção Albuquerque: A reportagem tentou contato com a defesa, sem sucesso.

A Copa do gigantismo

POR GERSON NOGUEIRA

A Fifa não cansa de festejar os números superlativos gerados pela Copa do Mundo do Qatar. Dos 172 gols nos jogos da competição à marca de cinco bilhões de interações, vários recordes foram superados. A final eletrizante entre Argentina e França teve quase 1,5 bilhão de espectadores. A abertura entre Qatar e Equador teve audiência de 550 milhões de pessoas.

Outro número divulgado no balanço que a Fifa apresentou ontem impressiona pela repercussão mundial do torneio: quase seis bilhões de interações em mídias sociais, com 262 bilhões de alcance cumulativo em todas as plataformas

Além dos 88.966 espectadores que lotaram o estádio Lusail, na tarde/noite de 18 de dezembro de 2022, para ver Lionel Messi e Kylian Mbappé em ação, quase 1,5 bilhão de pessoas em todo o mundo assistiram àquela que já é considerada a mais empolgante decisão de todas as Copas.

Uma audiência de 5 bilhões de pessoas se envolveu diretamente com a Copa do Qatar, acompanhando conteúdo em uma variedade inédita de plataformas e dispositivos midiáticos. É a prova maior do alto grau de interesse em torno da maior competição esportiva do planeta.

Nas redes sociais, segundo o instituto Nielsen, outros números gigantes: foram 93,6 milhões de postagens em todas as plataformas, com alcance acumulado de 262 bilhões e 5,95 bilhões de interações.

A já histórica Copa catariana atraiu um público total de 3,4 milhões de espectadores, um aumento espetacular de 3 milhões em comparação com o Mundial da Rússia em 2018.

Os 172 gols assinalados no Qatar garantem ao torneio a condição de edição mais prolífica das Copas do Mundo, superando os 171 gols marcados em 1998 (França) e 2014 (Brasil).

No ambiente majestoso do Lusail Stadium, o mais bonito da Copa, três partidas – incluindo a final – registraram o maior público em uma Copa do Mundo da Fifa desde a final do torneio norte-americano em 1994, entre Brasil e Itália, no Rose Bowl (Pasadena), que teve 94.194 espectadores.

Em campo, alguns números históricos. Enquanto Messi se tornou o primeiro jogador a marcar em quatro eliminatórias consecutivas da Copa do Mundo desde que as oitavas de final foram introduzidas na era moderna – México 1986. Na decisão, o camisa 10 argentino também quebrou o recorde do alemão Lothar Matthäus em sua 26ª partida em Copas.

O gol madrugador veio aos 68 segundos de jogo e foi marcado pelo canadense Alphonso Davies, de 22 anos, contra a Croácia. Com seu excelente gol na goleada de 7 a 0 sobre a Costa Rica, o espanhol Gavi se tornou o jogador mais jovem a marcar em uma Copa do Mundo desde Pelé em 1958, aos 18 anos e 110 dias.

Outras conquistas podem ser atribuídas ao Mundial do Oriente Médio. Stéphanie Frappart foi a primeira mulher a arbitrar uma partida de Copa. Junto com as auxiliares Neuza Back e Karen Diaz, ela formou o primeiro trio de árbitras da competição.

Pela 3ª vez na história (1986, 2002, 2022), os oito líderes do grupo incluíram representantes de quatro confederações diferentes. Três times africanos chegaram às oitavas pela primeira vez e um deles (o intrépido Marrocos) também de forma inédita alcançou a semifinal.

Por óbvio, a entidade não cita as cifras do faturamento com o torneio, mas é certo que o ciclo dos últimos quatro anos foi o melhor da história da entidade: algo em torno de R$ 40,5 bilhões contra gastos de R$ 35 bilhões, proporcionando um lucro líquido de mais de R$ 5,4 bilhões. Números fabulosos que confirmam a grandeza do negócio futebol.

Vale, por fim, destacar o contingente de pessoas que atuou nos bastidores, como os 20 mil voluntários de 150 nacionalidades e o exército de 10 mil jornalistas, estatística que inclui este escriba de Baião.

Loas e rapapés para o técnico mais brucutu da história

Foi uma babação de ovo monumental na ESPN em torno do ex-técnico Muricy Ramalho, o popular “papel de embrulhar prego”, sujeito que mais insultou e desrespeitou jornalistas na história recente do futebol no Brasil. Quando técnico do São Paulo, não havia uma entrevista dele sem que repórteres (alguns iniciantes no ofício) fossem esculachados e tratados aos gritos. Um comportamento assumidamente abusivo e antiprofissional.

Depois de passar uns tempos do outro lado do balcão, ruminando comentários no Sportv, amansou o temperamento e chegou até a posar de simpático. A veia irascível brotou de novo, porém, em episódio ocorrido durante a pandemia, em Santos. Na ocasião, ao ser abordado por uma equipe de TV, ficou furibundo e soltou impropérios ao ser instado por não usar máscara, acessório obrigatório naquele momento.

De repente, ontem, eis que o dito cidadão é tratado como rei, chegando a ser homenageado pelo “conjunto da obra”, como se nada tivesse acontecido lá atrás. As jumentices do ex-treinador foram convenientemente esquecidas, empurradas para os escaninhos do esquecimento.

Por sorte, o YouTube está aí mesmo para ser consultado sobre as dezenas de grosseiras intervenções de Muricy, que, como técnico, fez história pelos times rústicos que montou. É também o orgulhoso inventor do sistema “muricybol”, que se notabiliza por cruzamentos intermináveis em direção à área para esperar cabeceios ou pernadas dos atacantes.

O Brasil, de fato, não é lugar para amadores.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 19)

Rock na madrugada – Jimi Hendrix, “Hey Joe”

O trio Jimi Hendrix Experience foi criado em 1966, em Londres, unindo a genialidade de Hendrix com as competência de Mitch Mitchell (bateria) e Noel Redding (baixo). Durou apenas três verões, mas rendeu três discos memoráveis. Fundamental na popularização do hard rock e do rock psicodélico, o Experience ficou célebre como veículo de apoio às demonstrações de habilidade e virtuosismo de Hendrix, principalmente nas apresentações ao vivo. “era mais conhecido pela habilidade, estilo e carisma de seu vocalista, Jimi Hendrix.

Todos os três álbuns de estúdio da banda, “Are You Experienced” (1967), “Axis: Bold as Love” (1967) e “Electric Ladyland” (1968), os três álbuns do grupo, estão no Top 100 dos melhores discos de todos os tempos da revista Rolling Stone. Após a separação, em junho de 1969, Hendrix experimentou outras formações. Em abril de 1970, ele juntou-se a Mitchell e ao baixista Billy Cox e saiu excursionando com a turnê The Cry of Love, apenas alguns meses antes da trágica morte de Hendrix, em setembro, aos 27 anos.

“Hey Joe” talvez seja o hit mais longevo da carreira do guitarrista de Seattle, perpetuando-se através de diversas versões de grandes artistas pop. A levada inconfundível da guitarra nos solos da canção retratam à perfeição o talento único e incomparável de Hendrix.