A nova pátria dos volantes

POR GERSON NOGUEIRA

Houve um tempo em que os fãs de futebol ligavam a TV para assistir as façanhas dos atacantes e meias brasileiros nos campeonatos europeus. Dava aquele orgulho besta de ver que o Brasil, através de seus craques, sempre pontificava sobre os demais. Estava em alta o velho espírito de filhos do “país do futebol”, até com boa dose de razão, pois os brazucas realmente eram muito superiores aos gringos.

A partir do final da década de 1970, os campos do mundo foram brindados com o talento de Falcão, Zico, Careca, Cerezo, Romário, Ronaldo, Ronaldinho, Kaká, Roberto Carlos, Rivaldo, Geovani e muitos outros. O mais defensivo aí jogava na lateral esquerda. Os demais eram jogadores de meio-campo para frente.  

De uma hora para outra, quase sem a gente perceber, o mundo mudou. Os europeus passaram a incorporar traços de técnica e até ginga que antes eram exclusividade brasileira. Isso graças ao intercâmbio permitido pela  a importação em larga escala de craques do mundo inteiro.

A virada do século já mostrava um panorama diferente. Raros eram os brasileiros em destaque pelos gols, dribles e refinamento. Os últimos foram Kaká e Ronaldinho Gaúcho. A partir de 2006, operou-se a transformação completa. A Europa aprendeu a ter campeonatos maravilhosos que não dependiam mais do potencial brasileiro em campo.

Aí chegamos ao cenário atual, com o futebol inglês dominando a cena e expondo a realidade que muitos não querem enxergar. O Brasil virou a pátria exportadora de volantes. Três deles pontificam na Liga Inglesa. Bruno Guimarães é o mais destacado, comandando as ações na meiúca do Newcastle. Casemiro vai bem no United e Fabinho é titular do Liverpool.

Não satisfeitos, os clubes ingleses seguem se reforçando com jovens revelações de clubes brasileiros. O Chelsea contratou Andrey, do Vasco; o Wolverhampton veio buscar João Gomes, do Flamengo; e o Nottingham Forest levou o promissor Danilo, destaque palmeirense na Série A 2022.

Podia ser mera coincidência, mas o mercado do futebol não tem espaço para situações acidentais. O primeiro motivo dessa busca dos ingleses por atletas brasileiros, preferencialmente volantes, tem a ver com o Brexit, que igualou a situação de brasileiros e europeus para os clubes ingleses.

A partir do momento que o Reino Unido deixou a União Europeia, os futebolistas europeus perderam a condição de “comunitários”. Com isso, ficou tudo igual para quem busca licença de trabalho na Inglaterra, seja brasileiro ou atleta de algum outro país da Europa.

Um outro ponto a considerar é a proibição de negócios envolvendo europeus antes de completar 18 anos, que o Brexit ressuscitou. Acima de tudo, porém, há a questão cambial. O real desvalorizado facilita as transações. Com muito menos grana, os ingleses conseguem contratar brasileiros por um terço do valor que gastariam com outros estrangeiros.

O fato é que o interesse por volantes brasileiros aumentou consideravelmente nos últimos anos. Bruno Guimarães (foto) estourou no Newcastle e fez os demais clubes abrirem os olhos para os meio-campistas daqui. Tanto que, dos 34 brasileiros disputando a Premier League, 10 são volantes, número que já supera o de atacantes e meias.

Virou uma espécie de atestado de qualidade ter um volante brasileiro no time. Na última Bola de Ouro, Fabinho foi o 14º e Casemiro em 17º lugar. Pode ser um novo caminho para nortear o futebol no Brasil, especializando-se numa posição que antes nunca era levada em conta entre nós pelo absoluto predomínio de goleadores e usuários da camisa 10.

Com a seca de talentos – Vinícius, Rodrygo e Martinelli são exceções – na frente, resta investir nos especialistas da marcação e da organização de jogo. A campeã mundial Argentina e a vice França são exemplos a serem observados e seguidos. Além de dois craques no ataque contam com um punhado de bons meio-campistas para fazer o jogo acontecer.

Conmebol vai pagar o 2º maior “bicho” da história

Caso chegue à grande final do dia 11 de fevereiro e conquiste o Mundial de Clubes, no Marrocos, o Flamengo vai ganhar um mimo excepcional, assegurado pela Conmebol e anunciado ontem. Será um prêmio adicional de R$ 25 milhões para servir de “incentivo para o representante do futebol sul-americano nesta competição”.

A ideia da entidade que comanda o futebol no continente é posicionar a América do Sul em lugar de destaque na cena mundial. Nesse mesmo sentido, a Conmebol destinou premiação de R$ 50 milhões à seleção argentina pela conquista da Copa do Mundo do Qatar.

Um globe-trotter para brigar pela camisa 10 do Papão

Outro veterano chega para disputar o Campeonato Paraense. A bola da vez é Fernando Gabriel, de 34 anos, meia que volta ao PSC após fazer carreira no mundo árabe. Sua passagem pelo clube foi há seis anos, na Série B 2017, quando disputou apenas sete partidas e marcou dois gols. É uma aposta na linha restritiva que os clubes da Série C têm que trilhar: sem chances de contratar jogadores mais jovens, investem nos trintões.

Estava ultimamente no Al Hamriyah, dos Emirados Árabes Unidos, culminando uma experiência internacional que incluiu o Hatta Club, também dos Emirados, Khazar (Azerbaijão), Persépolis FC (Irã), Al-Faisaly (Jordânia), Al Adalah e Hajer Club (Arábia Saudita).

Nos cinco anos de futebol internacional, Fernando fez 75 jogos e marcou 30 gols, mas, na passagem pelo Al Hamriyah, foi apenas uma partida e dois gols. Com essa bagagem toda, chega com jeito de titular da meia-cancha, tendo como competidores diretos Ricardinho, Paulo Henrique e Hernández. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 17)

Rock na madrugada – The Yardbirds, “Train Kept A-Rollin”

The Yardbirds nasceu em 1963 sob forte inspiração blueseira, como quase todas as bandas do período. Acabou se consolidando como um grupo de rock e rhythm & blues. Fez sucesso, ganhou muitos fãs e integrou a chamada Invasão Britânica do final dos anos 1960. Com um constante entra-e-sai de astros temperamentais, como Eric Clapton e Jimmy Page (que participa desta exibição para a TV inglesa, em 1968), o grupo não durou muito, mas é reverenciado até hoje. De suas fileiras saíram três dos mais lendários guitarristas do rock inglês: Clapton, Page e Jeff Beck.