Dupla Re-Pa encerra ensaios

POR GERSON NOGUEIRA

Remo e PSC, principais protagonistas do Campeonato Estadual, estiveram em ação neste fim de semana na preparação final para as respectivas estreias – os azulinos encaram o Independente, no sábado (21), e os bicolores enfrentam o Bragantino, domingo (22). Os resultados dos amistosos deixaram uma torcida desconfiada e contribuíram para levantar o ânimo da outra.

Talvez seja cedo demais para entusiasmo ou apreensão. Historicamente, testes às vésperas do início de competições não servem de parâmetro, pois os times não costumam atuar com a mesma intensidade de jogos oficiais. O medo de lesões faz com que os jogadores poupem esforços e evitem lances mais arriscados.

Apesar disso, a apresentação do Remo diante do Caeté, sábado à tarde, no Baenão, ficou abaixo do esperado. O time de Marcelo Cabo havia goleado o Tesla por 4 a 0 no primeiro amistoso com a presença da torcida. Desta vez, contra um adversário que também vai disputar o Parazão, os remistas tiveram mais dificuldades.

Logo no começo, Paulinho perdeu duas grandes oportunidades e Vinícius teve trabalho para evitar o gol do time visitante. A defesa azulina, excessivamente exposta, sofria com a velocidade dos atacantes do Caeté.

A ausência de Uchoa, vetado por lesão, contribuiu muito para as dificuldades enfrentadas pelo Remo no 1º tempo. O pior é que Paulinho Curuá, seu reserva imediato, também não jogou, pois se contundiu ainda no aquecimento. A cobertura da zaga ficou a cargo de Pingo e Richard Franco, mas ambos foram envolvidos pela movimentação do Caeté por ali.

Quando Romário finalizou para as redes, aproveitando rebote na pequena área, o Caeté já fazia por merecer o gol. Era o time mais organizado e que melhor conseguia construir as jogadas ofensivas. O Remo passou mais tempo se defendendo – mal – e vivendo de raras subidas com Diego Tavares e Pablo.

Veio o 2º tempo e a torcida seguiu agoniada com a presença ofensiva do Caeté, sempre através do rápido Paulinho. Apesar de uma visível evolução do Remo, com mais concentração de jogadores na meia-cancha, os melhores momentos após o reinício da partida pertenceram ao Caeté.

O empate veio em cruzamento perfeito de Diego Tavares para o cabeceio de Muriqui. Bem posicionado dentro da área, livre de marcação, o atacante meteu a cabeça na bola como rezam os manuais, de cima para baixo.

Apesar do gol, o Remo seguiu confuso nas jogadas pelos lados e com extremo embaraço para organizar contra-ataques simples. Outros jogadores entraram na partida, mas o placar não foi mais modificado. Como era previsível, a torcida não aprovou a exibição e cobrou mais futebol dos comandados de Marcelo Cabo.

Não foi exatamente esse o panorama em Barcarena, que teve uma manhã de domingo festiva em torno da primeira e única apresentação do PSC antes de estrear no Estadual. Como já virou tradição, os bicolores jogaram com a seleção municipal, formada por jogadores amadores.

Ao contrário do adversário do Remo, o Barcarena foi menos competitivo e deu liberdade aos meio-campistas do Papão. Ricardinho e João Vieira tiveram espaço para boas manobras, fazendo com que o jogo tivesse uma fluência maior. Foi desse jeito que surgiu o primeiro gol.

Em lançamento caprichado de Ricardinho, João Vieira entrou na área e acabou derrubado pelo goleiro. O estreante Mário Sérgio foi bater e mandou um chute rasteiro no canto. O gol deixou o Papão ainda mais à vontade para trocar passes e dominar as ações.

Na etapa final, com mudança completa na formação, o PSC controlou o jogo e se manteve no ataque. O segundo gol era mera questão de tempo. E ele veio num cabeceio do estreante Jimenez.

A numerosa torcida presente aplaudiu o novo elenco do Papão, mostrando entusiasmo com o que viu em campo. É cedo para uma avaliação mais criteriosa, até porque o jogo-treino pouco exigiu dos bicolores, mas a forma como o time principal se lançou à partida deixou boa impressão.

A questão agora se transfere para os jogos oficiais, quando a dupla Re-Pa terá a missão de confrontar 10 oponentes que parecem melhor estruturados que em edições anteriores. 

O Papão terá a vantagem de fazer seus quatro primeiros jogos – Bragantino, Itupiranga, Tapajós e Castanhal – dentro da Curuzu, um privilégio que a tabela oficial não explica. O Remo, campeão do ano passado, vai estrear no Baenão, mas em seguida sai para enfrentar o São Francisco e o Águia fora de casa. A sorte está lançada.

Maior contratação do ano passa quase em branco

O peso de não pertencer ao eixo Rio-S. Paulo costuma embutir injustiças históricas no futebol brasileiro. Com grande arrojo e desembolso financeiro, o Grêmio espantou o mundo há duas semanas com o anúncio da contratação de ninguém menos que o uruguaio Luis Suárez, um dos maiores centroavantes do mundo.

Suárez chegou, deu entrevistas e foi apresentado à torcida gremista no estádio Olímpico, em Porto Alegre. Uma noite de consagração e de afirmação para o Grêmio, voltando à cena internacional em grande estilo.

Curiosamente, quem ligasse a TV para acompanhar os programas esportivos – tanto na programação aberta quanto nos canais fechados – teria uma surpresa. Luizito Suárez simplesmente não era manchete, nem destaque em nenhuma emissora de alcance nacional.

Uma contenção rara na normalmente histriônica imprensa brazuca quando Flamengo, Corinthians, Palmeiras e São Paulo contratam qualquer pé-de-boi. Veteranos têm sido trazidos às dúzias pela cartolagem corintiana e flamenguista, merecendo sempre cobertura escandalosamente positiva.

Um exemplo da discrepância foi o alarido em torno da volta de Gerson ao Flamengo e da permanência de Yuri Alberto no Corinthians. Nos dois casos, só faltou trombeta e vuvuzela, fato que acentua a vergonhosa timidez no noticiário sobre Suárez, o principal reforço de um clube brasileiro desde que o meia Clarence Seedorf veio para o Botafogo, há 10 anos. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 16)

Militar que aparece protegendo terroristas é chefe da Guarda Presidencial

Por Hugo Souza

Há indícios de participação ou instrumentalização da Guarda Presidencial em uma conspiração para obrigar Lula a acionar uma operação de Garantia da Lei e da Ordem em Brasília. O militar que aparece em um vídeo tentando ajudar os invasores do Palácio do Planalto a fugirem da polícia é o coronel Paulo Jorge Fernandes da Hora, ninguém menos que o comandante do Batalhão da Guarda Presidencial do Exército (BGP), unidade responsável pela escolta do presidente da República e por impedir tentativas de… invasão do Palácio do Planalto.

A informação consta, sem destaque, no pé de uma matéria publicada nesta quarta-feira, 11, no Estadão. Em outra reportagem do Estadão, publicada nesta quinta-feira, 12, o jornal informa que militares do Exército afirmam que o vídeo foi editado, e que não era intenção do coronel dar fuga aos terroristas.

No vídeo, porém, o comandante da BGP aparece atrás de uma barricada feita com móveis do palácio para retardar a ação policial. Quando os policiais irrompem a barricada, o coronel Fernandes claramente tenta contê-los, fisicamente e aos gritos de “o pessoal tá descendo!”.

Mais: depoimentos de terroristas presos dão conta de que, dentro do palácio, militares pediram para invasores se abaixarem para que pudessem protegê-los da polícia. Há um vídeo que mostra a terrorista Ana Priscila Azevedo, ligada ao general Hamilton Mourão e apontada como uma das líderes de campo da invasão, abaixada, sorridente, comemorando, prestando continência, no meio de um cordão de homens do Exército.

O estado de espírito é bem diferente de quando, depois, Ana Priscila, presa, gravou um áudio em desespero no ginásio da Polícia Federal. Por que ela está sob a proteção da polícia? Não era da polícia; era do Exército.

Come Ananás mostrou nesta quarta-feira, 11, que há indícios de participação ou instrumentalização do BGP em uma conspiração para obrigar Lula a acionar uma operação de Garantia da Lei e da Ordem em Brasília, trazendo os militares à cena, à rua, na capital da República, com todas as consequências imprevisíveis de algo assim num momento desse. No domingo, Múcio Monteiro, homem de confiança dos militares, sugeriu a Lula que decretasse GLO. Lula não caiu.

A matéria desta quinta no Estadão escancara que não foi só Anderson Torres que abriu alas para o caos do 8/1, ao promover uma bagunça na cúpula da Segurança Pública do DF e picar a mula para a Flórida.

A matéria desta quinta no Estadão escancara que não foi só Anderson Torres que abriu alas para o caos do 8/1, ao promover uma bagunça na cúpula da Segurança Pública do DF e picar a mula para a Flórida.

O que o Estadão revela é mais grave: no dia anterior à invasão da Praça dos Três Poderes, enquanto Flavio Dino mobilizava a Força Nacional para proteger Brasília, o GSI dispensou o reforço da BGP, um pelotão inteiro de 36 homens, deixando de guarda apenas o efetivo usual, sem balas de borracha e outros equipamentos de controle de distúrbio, só com fuzis de munição letal.

Só com fuzis de munição letal: há homens que só querem ver o circo pegar fogo.

O GSI ainda está sob comando de Augusto Heleno? Não. Está sob o comando do general Gonçalves Dias, referido como homem de confiança de Lula. Lula, nesta quinta, disse estar convencido de que no 8/1 a porta do Palácio do Planalto foi “aberta por alguém de dentro”.

Pelo andar das coisas, não tarda para que se confirme a implicação direta de altos militares, com nomes e patentes, nos ataques terroristas do último domingo em Brasília.

O Brasil vive um momento muito delicado. Mais um.

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Usar a força contra a força

Por Vladimir Safatle (*)

O mais singular sobre a invasão da Esplanada dos Ministérios no último domingo (8\01\2023) é que sabíamos que ela ocorreria. Não foram poucos os que passaram o ano anterior inteiro a insistir que algo assim nos esperava, ainda mais depois de uma eleição na qual o governo de Jair Bolsonaro conseguiu ser referendado por quase metade dos eleitores presentes no segundo turno.

Mas simplesmente não estávamos preparados para o que ocorreu. Como se o fato de acreditarmos em nossos desejos fosse suficiente para mudar a realidade. Então, agora, seria o caso de partir de algumas constatações como: Jair Bolsonaro não foi um ponto fora da curva, o Brasil não “voltará ao normal”, o fascismo nacional não está isolado. Isso se chama: princípio de realidade.

O que se viu no último domingo foi um ato cuidadosamente montado, com apoio explícito da polícia militar, das Forças Armadas e de governadores da extrema direita. Um ato nacional que alcançou realizações simbólicas enormes, como invadir o cerne do poder e se impor como força popular. Ato que se articulou ao bloqueio de refinarias e de estradas. Ou seja, algo que necessita de meses para ser organizado e financiado. Algo que tem um nome técnico bastante preciso: tentativa de golpe de Estado.

O fato de ser uma “tentativa” não significa que ela foi uma “mera” tentativa. A função inicial da ação foi desestabilizar o governo, mostrar sua fragilidade, impulsionar novas ações, produzir vitórias simbólicas que irão alimentar o imaginário insurrecional do fascismo brasileiro. Em bom português: esse foi apenas o primeiro capítulo. Outros virão. Nesse sentido, tudo foi extremamente bem-sucedido.

Não falo isso por exercício de masoquismo, mas porque há uma desconexão com a realidade vinda de análises inoperantes e ruins que se acumularam durante os últimos anos. Estamos no meio de uma insurreição fascista em várias etapas. Se lembrarmos, por exemplo, de 7 de setembro de 2021, encontraremos a mesma massa mobilizada, caminhoneiros bloqueando estradas e por fim um recuo.

Qual foi a análise da época? Jair Bolsonaro não conseguiu o que queria, seus apoiadores foram presos, ele está desmoralizado, ele acabou. Bem, depois disso, ele quase ganhou a eleição presidencial e agora seus apoiadores fizeram algo que fez a invasão norte-americana do Capitólio parecer ensaio de colegial. Ou seja, o processo não parou, ele se consolidou e agora irá se desdobrar em várias frentes.

Então, talvez fosse o caso de se perguntar: por que nos contentamos desesperadamente com essas análises que sempre se mostram inefetivas, que são desmentidas no mês seguinte? Talvez porque tenhamos medo de enunciar claramente as ações que necessitamos para sair da situação na qual nos encontramos.

Agora, o país acordou para o fato de que o início dessa catástrofe deve ser procurado na anistia que selou o começo da Nova República. Longe de ter sido um acordo nacional, ela foi uma extorsão produzida pelos militares. Será o caso de sempre repetir: não se anistiam crimes contra a humanidade, como tortura e terrorismo de Estado. A anistia não valeu para membros da luta armada que praticaram os chamados “crimes de sangue”. Eles ficaram presos mesmo depois de 1979. A anistia só valeu para os militares. Quando o país repete agora “Anistia, nunca mais”, “Sem anistia”, é para recomeçar o Brasil sem os mesmos erros do passado.

E essa exigência de justiça não visa apenas o sr. Jair Bolsonaro. Antes, ela visa todo o sistema civil-militar que compunha o verdadeiro eixo do governo. E visar o sistema significa destruí-lo. Não apenas colocar indivíduos na cadeia, mas decompor as estruturas de poder que submetem a democracia brasileira a uma chantagem contínua, que submeteram o povo brasileiro a gestões criminosas durante a pandemia.

Nesse sentido, algo como o que ocorreu no domingo não se resolverá com prisões, embora elas sejam necessárias. Ela exige duas ações centrais. A primeira é a dissolução da polícia militar. A polícia militar brasileira não é uma polícia de Estado, ela é uma facção armada. Como se não bastasse o fato de ela servir principalmente para operar massacres administrativos, chacinas periódicas que visam submeter setores da população brasileira à sujeição soberana de quem decide pela vida e pela morte, ela agora se apresenta como partido político.

No domingo, ficou claro como ela age, a saber, protegendo, auxiliando e estimulando golpes de Estado. Desde as atuações da Polícia Rodoviária Federal no dia das eleições do segundo turno, estava claro que a PM e a PRF estariam em insubordinação contínua. Não será afastando um ou dois policiais que algo vai se modificar. A garantia da democracia brasileira passa pela dissolução da polícia militar, pela quebra de sua hierarquia e pela criação de outra polícia, não mais militar.

A segunda ação consiste em afastar o alto-comando das Forças Armadas e colocá-los na reserva. O que vimos domingo foi simplesmente inimaginável em qualquer democracia: as Forças Armadas impedindo com tanques que a Força de Segurança Nacional entrasse na área em frente ao Quartel General, em Brasília, para desalojar fascistas. Isso já configura uma força militar em insubordinação contra o Presidente da República.

As Forças Armadas passaram os últimos quatro anos chantageando a República, colocando em questão a segurança das eleições. Elas tomaram o Estado brasileiro de assalto, colocando mais de 7.000 de seus membros em postos de primeiro e segundo escalão, para gerir o Estado de acordo com seu grau de incompetência e insensibilidade. Quando eleito depois de uma campanha na qual sua vida foi ameaçada várias vezes, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, removeu quase 70 generais e coronéis do exército e da polícia. Era uma ação necessária para um país que não quer mais se sujeitar à excepcionalidade que as forças militares se arrogam.

Alguns podem achar tais proposições irrealistas. Eu diria que irrealista é a realidade na qual nos encontramos agora. Não é possível ter um governo que conviva diariamente com forças que procuram demovê-lo. É isso que acontecerá se não agirmos de maneira contundente nos primeiros dias do governo Lula. Tudo está muito claro a partir de agora. Que não nos contentemos mais uma vez com ilusões.

*Vladimir Safatle é professor titular de filosofia na USP. Autor, entre outros livros, de Maneiras de transformar mundos: Lacan, política e emancipação (Autêntica).

Publicado originalmente na Revista Cult.

Papão derrota Barcarena no primeiro jogo-treino da temporada

No primeiro jogo-treino da pré-temporada, em Barcarena, o Papão derrotou a seleção local por 2 a 0, neste domingo. Os gols foram marcados um em cada tempo. Na primeira etapa, com amplo domínio bicolor, o time de Márcio Fernandes marcou 1 a 0, em pênalti cobrado pelo ex-azulino Mário Sérgio, aos 23 minutos. Na etapa final, o paraguaio Jimenez fez 2 a 0. O ritmo da partida diminuiu com as mudanças feitas na equipe do PSC.

Leão fica no empate com o Caeté no último teste antes do Parazão

No segundo amistoso antes do Campeonato Estadual, o Remo ficou no empate em 1 a 1 com o Caeté, na tarde deste sábado, no estádio Evandro Almeida, em Belém. O time visitante abriu o placar aos 31 minutos do primeiro tempo. Após levantamento na área, Romário finalizou para o gol. O Leão reagiu e empatou aos 12 minutos do segundo tempo. O atacante Muriqui aproveitou cruzamento para desviar para as redes.

O jogo foi equilibrado no primeiro tempo, com boa presença ofensiva do Caeté, que ameaçou logo nos primeiros minutos, obrigando Vinícius a se desdobrar em três chegadas perigosas, duas delas através do atacante Paulinho. O gol nasceu de uma das várias faltas cobradas contra a meta azulina. A zaga ficou olhando e Romário concluiu para o gol. Na etapa final, o Caeté continuou mais presente no ataque e perdeu duas chances logo de cara. O Leão chegou ao gol após cruzamento de Diego Tavares para Muriqui finalizar. O time cresceu e criou algumas chances, mas não teve tranquilidade para definir.

Os azulinos estreiam no Parazão 2023 no próximo sábado, dia 21, contra o Independente Tucuruí, a partir das 17h, no Baenão. O Caeté entra em campo no domingo, dia 22, contra o São Francisco, em Ipixuna, às 15h30. Remo e Caeté estão no Grupo A da competição e não se enfrentam na primeira fase.

Escalação inicial do Remo: Vinícius; Lucas Mendes, Diego Guerra, Ícaro e Raí; Pingo, Richard Franco e Pablo Roberto; Pedro Sena, Diego Tavares e Muriqui.Técnico: Marcelo Cabo.

*Os jogadores Paulinho Curuá, Leonan, Anderson Uchôa e Soares, com problemas musculares, foram vetados pelo Nasp e não atuaram.

Escalação inicial do Caeté: Jhones; Dieguinho, Romário, Matheus Martins e Werley Capanema; Fernando Portel, Genilson, Keoma e Anthony; Paulinho e Leandro Cearense. Técnico: Emerson Almeida.

Brian Mier prevê ataques de Glenn Greenwald ao governo Lula

“Prevejo que Glenn, que já ataca o Judiciário brasileiro como autoritário por fazer cumprir o Estado de Direito, expandirá isso para todo o governo Lula”, analisou jornalista

Do Brasil247

O jornalista estadunidense Brian Mier teceu duras críticas ao colega de profissão Glenn Greenwald por ter defendido apoiadores do terrorismo brasileiro, como o youtuber Monark, alegando que estão sofrendo uma suposta “censura” do Judiciário nacional. “Glenn Greenwald passou ano eleitoral cometendo assassinato de reputação contra Lula taxando-o como “neoliberal”. Isso falhou, então ele vai para o plano B: chamá-lo de “autoritário”. Ele precisa gastar mais tempo aprendendo sobre as leis do Brasil e menos tempo defendendo fascistas pomposamente”, escreveu Mier em seu perfil no Twitter.

Mier ressaltou que as medidas adotadas contra simpatizantes de golpistas refletem uma preocupação do Brasil contra uma possível volta da ditadura: “A ditadura militar do Brasil costumava torturar crianças na frente de seus pais e enfiar ratos na vagina de prisioneiros políticos. Quando a Constituição de 1988 foi redigida, eles consideraram um crime grave tentar trazer de volta uma ditadura. Isto não é os EUA”.

Nas entrelinhas: Torres precisa explicar o golpe de Estado que estava em marcha

Por Luiz Carlos Azedo, no Correio Braziliense

O ex-ministro da Justiça Anderson Torres, que ontem desembarcou no Brasil e está preso, tem muitas explicações a dar sobre o golpe de Estado que estava em marcha e foi frustrado

Não existe mais dúvida de que houve graves falhas no sistema de segurança pública, cuja missão era defender a integridade dos Poderes da República, sem precedentes na nossa história. No imaginário político do país, até domingo passado, eram inimagináveis as cenas de vandalismo protagonizadas pela extrema-direita bolsonarista, com a invasão e a depredação do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF).

Entretanto, tudo foi planejado, não era uma turba enfurecida em ação na Esplanada; eram militantes políticos mobilizados de vários estados e orientados para provocar o caos, desestabilizar o governo empossado e promover uma intervenção militar para destituir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, legitimamente eleito.

O ex-ministro da Justiça Anderson Torres, que, ontem, desembarcou no Brasil e está preso, tem muitas explicações a dar sobre o golpe de Estado que estava em marcha e foi frustrado. A minuta de decreto para instaurar o “estado de defesa na sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)” e mudar o resultado das eleições de 2022, que a Polícia Federal (PF) encontrou na casa dele, era o elo que faltava entre os diversos fatos ocorridos desde 30 de outubro, quando a Polícia Rodoviária Federal, sob sua jurisdição, montou barreiras de fiscalização nas estradas para dificultar o acesso de eleitores às seções de votação, e os fatos lastimáveis de domingo.

Nesse ínterim, houve o pedido de anulação do segundo turno das eleições pelo PL, o quebra-quebra em Brasília no dia da diplomação de Lula, o frustrado atentado a bomba nas imediações do Aeroporto JK e tensão na troca de comando das Forças Armadas.

Anderson Torres não é um personagem subalterno, embora não seja reconhecido como grande jurista, ao contrário de outros ministros da Justiça que se prestaram ao papel de “legitimar” golpes de Estado, como Francisco Campos, em 1937, que idealizou e redigiu a Constituição outorgada por Getúlio Vargas em novembro daquele ano, a Polaca, após o golpe do Estado Novo.

Com o Congresso Nacional fechado e a decretação de rigorosas leis de censura, Vargas pôde conduzir o país sem que a oposição pudesse se expressar de forma legal — como gostaria o presidente Jair Bolsonaro —, e Luís Antônio da Gama e Silva, que suspendeu a frente ampla formada por políticos como Carlos Lacerda, Juscelino Kubitschek e João Goulart, que já haviam sido cassados, e redigiu o AI-5, ato que institucionalizou o regime militar.

Momento delicado

Como se sabe, o AI-5 autorizava o presidente da República, em caráter excepcional e, portanto, sem apreciação judicial, a decretar o recesso do Congresso Nacional; intervir nos estados e municípios; cassar mandatos parlamentares; suspender, por 10 anos, os direitos políticos de qualquer cidadão; decretar o confisco de bens considerados ilícitos; e suspender a garantia do habeas-corpus.

No mesmo dia da decretação do ato, o Congresso Nacional foi fechado por tempo indeterminado. Só em outubro de 1969 seria reaberto, para referendar a escolha do general Emílio Garrastazu Médici para a Presidência da República. Ao fim do mês de dezembro de 1968, 11 deputados federais foram cassados, entre eles Márcio Moreira Alves e Hermano Alves. A lista de cassações aumentou no mês de janeiro de 1969, atingindo não só parlamentares, mas até ministros do Supremo Tribunal Federal.

O momento que estamos vivendo é muito delicado, porque não se sabe até onde as investigações sobre os fatos ocorridos no domingo vão chegar e quem são os demais envolvidos na cúpula do governo, inclusive militares. O ex-presidente Jair Bolsonaro não reconhece a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, insiste na narrativa de que as urnas foram fraudadas e mantém sua liderança sobre os grupos de extrema-direita que patrocinaram o quebra-quebra de domingo.

São forças organizadas em rede, que mantêm a narrativa golpista e ainda têm grande capacidade de mobilização. Forças que apostam na truculência e dispõem de milícias políticas cujo comportamento pode derivar para ações terroristas e armadas, como no caso do frustrado atentado a bomba e da sabotagem de linhas de transmissão de energia.

Diante desses fatos, as forças democráticas que se posicionaram em apoio ao presidente Lula, particularmente no segundo turno, têm grande responsabilidade, porque há um cenário de grandes dificuldades econômicas e instabilidade política que precisam ser superados para que o país possa voltar a ter uma vida normal.

O apoio das forças que compõem a ampla coalizão de governo, independentemente de idiossincrasias pessoais e divergências políticas pontuais, é fundamental para a defesa da democracia. De outra parte, o presidente Lula e o PT têm a responsabilidade de fazer por onde para merecer esse apoio, sem o qual o governo não terá a menor chance de dar certo.