Sobre ausências incômodas

POR GERSON NOGUEIRA

A carinhosa despedida que Santos, a cidade, proporcionou ontem a Pelé representou o sentimento de todo o povo brasileiro. Não era um funeral qualquer, eram os restos mortais de um Rei. Figura que transcende os campos de futebol, ele tornou-se maior que o próprio país diante do planeta, embora, por ironia, tenha engrandecido o Brasil a partir da explosão de seu talento ímpar como jogador.

O gênio que galvanizou plateias, encantou o mundo com gols e dribles, interrompeu uma guerra na África, foi indiscutivelmente um gigante, incomparável na história do esporte mais popular de todos. Conhecido em todos os lugares, amado e respeitado por todas as torcidas, Pelé era um ídolo global. Durante seus anos de reinado na terra foi o rosto mais conhecido de um país que precisa tanto de bons embaixadores.

Pois o Rei do futebol, cuja morte foi pranteada em todos os países e virou manchete nas capas dos 200 maiores jornais do mundo, foi carregado até a última morada pela calorosa presença da população de Santos, dos torcedores e ex-atletas do Peixe, mas estranhamente não teve a presença dos campeões mundiais de 2002 e nem dos atuais jogadores da Seleção.

A ausência constrangedora dessas pessoas não pode ser ignorada. Jogadores, técnicos e dirigentes representam a instituição chamada Futebol no Brasil. Mobilizam multidões, fazem a roda do dinheiro girar e têm a imagem de ídolos para milhões de crianças. Faltou empatia e gratidão para figuras do porte de Cafu (capitão do tetra), Dunga (capitão do penta), Ronaldo, Rivaldo, Kaká, Roberto Carlos, Ronaldinho Gaúcho, Romário, Bebeto, Vinícius Jr., Neymar, Tite, Felipão, Parreira.

Queria saber onde essa gente toda se escondeu. O que havia de tão inadiável para negar alguns minutos diante do caixão do Rei? Reverenciá-lo é um dever de todos os brasileiros amantes do esporte, mas é obrigação moral dos jogadores, que só são o que são porque Pelé e seus companheiros, lá atrás, abriram todos os caminhos. Há ainda a turma que passou pelo Santos e está hoje em outros clubes – e curtindo férias neste momento.

Gabigol, tão dado a fazer média com torcedor, não deu as caras. Bruno Henrique, também não. Paulo Henrique Ganso, idem. Todos que se omitiram nestes dois dias de velório contribuíram para confirmar a velha fama de alienados, que só se interessam por eventos que pagam cachê. No Qatar, um ato que tinha o futebol brasileiro como homenageado, só contou com a presença de um ex-atleta, o argentino Zanetti.

Esse comportamento, já bem conhecido, nem causa espanto, mas incomoda muito. Pelé foi homenageado por craques estrangeiros, mas ignorado por seus pares no Brasil. Uma vergonha sem precedentes.  

Um goleiro que honrou as cores do S. Francisco

Nosso querido Anselmo Gama, que nos deixou no último dia 26 de dezembro, aos 73 anos, não cansa de nos surpreender. Pelas mãos do jornalista e radialista Bena Santana, de Santarém, terra natal de ambos, recebo a fotografia do time do São Francisco formado em campo, antes de uma partida amistosa, nos idos de 1968. O registro foi feito no velho estádio Elinaldo Barbosa, no centro de Santarém

O guardião na foto é um sujeito longilíneo, com pinta de pegador de pênalti e vistosa camisa vinho. Ninguém menos que o Anselmo, que, talvez por humildade, não se gabava desse passado de boleiro. Socorro, sua esposa, confirmou que o nosso Índio foi de fato um guarda-metas na juventude.

Como homenagem póstuma, a coluna orgulhosamente reproduz a fotografia do goleiro que abandonou as luvas para virar jornalista e publicitário de imenso sucesso. E vamos à escalação do time: Guajará, Helvécio, Dias, Anselmo, Pão Doce e Acari (em pé); Cristóvão Sena, Ataualpa, Antônio José, Navarrinho e Amazonas (agachados).

LaLiga denuncia crimes de ódio contra Vinícius Jr.

Além de ação formalizada ao Comitê de Competição, a LaLiga espanhola apresentou ontem à Justiça denúncias referentes aos insultos racistas contra Vinicius Jr, ocorridos durante a partida entre Real Valladolid e Real Madrid. Uma denúncia criminal por crimes de ódio foi apresentada aos Juizados de Instrução de Valladolid, acompanhada das provas audiovisuais coletadas na investigação por meio de imagens e sons publicados em fontes abertas.

Por outro lado, foi apresentada uma queixa por insultos racistas à Comissão de Competições da RFEF e à Comissão Estatal contra a Violência, o Racismo, a Xenofobia e a Intolerância no Esporte, para estudo e avaliação sancionatória. A LaLiga garante que irá aumentar os esforços para erradicar qualquer tipo de violência, racismo ou xenofobia dentro e fora dos estádios.

A primeira providência será ampliar o número de oficiais de integridade da LaLiga presentes em partidas com risco de insultos racistas, a fim de garantir a identificação dos responsáveis por esse tipo de conduta.

Uma pausa até a volta do futebol

A partir de amanhã, a coluna dá uma ligeira pausa e concede folga aos 27 leais baluartes, para voltar no próximo dia 15 de janeiro, a uma semana da abertura do Campeonato Paraense.  

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 04)

Um comentário em “Sobre ausências incômodas

  1. Isso demonstra o por que de Pelé ser maior do que todos esses ex campeão, sua majestade ofusca qualquer sudito e os torna meros plebeus, essa vergonha também senti, o que me dá inveja dos hermanos Argentinos que amam e idolatram seus ídolos, valorizam e os defendem como se fossem irmãos. Obrigado Pelé você será eternamente lembrado e sua coroa jamais será substituída.

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