Ana Moser assume ministério e prioriza acesso da população ao esporte

A ex-jogadora de vôlei e medalhista olímpica Ana Moser assumiu, nesta quarta-feira (4), o Ministério do Esporte. É a primeira mulher a comandar a pasta. Ana Moser disse que pretende trabalhar contra o sedentarismo em conjunto com outros ministérios como os da educação e da saúde. “O presidente Lula me convidou para ser ministra do Esporte, o que muito me honra. Mas, muito mais que honra, esta é uma missão que recebo em nome de uma causa: garantir o direito de todos ao esporte. Este foi o pedido do presidente”, declarou.

“Fazer uma revolução no esporte, fazer uma revolução do esporte na educação, uma revolução do esporte na saúde, na assistência social, nos municípios. Oferecer esporte e atividade física para a vida de todas e todos e também desenvolver o esporte amador. Este foi o pedido do presidente Lula a mim”, seguiu.

Ao longo de todo o discurso, Ana Moser indicou que o Ministério do Esporte terá foco no esporte como instrumento de política social – ou seja, sem o objetivo único de trazer medalhas e fomentar o alto rendimento. “Como no Brasil existe o esporte de alto rendimento muito maior do que esporte acessível à população, isso é retrato da extrema desigualdade presente na sociedade. E é isto que precisa ser tratado como prioridade. Precisa ser dada a amplitude que esta questão merece”, declarou.

A cerimônia aconteceu em Brasília, na sede do ministério. 

Homenagem ao Rei: estádio na sede da Fifa ganha nome de Pelé

Em mais uma das muitas homenagens a Pelé, a Fifa anunciou que o Rei do Futebol dará nome ao campo do estádio na sede da entidade, na Suíça. Anteriormente chamado de “Home of Fifa in Zürich” (“Casa da Fifa em Zurique”, na tradução), o novo local agora será batizado como “Estádio Pelé – Fifa Zurique”. Presidente da Fifa, Gianni Infantino, esteve no Brasil para acompanhar o velório de Pelé e chegou a pedir que todas as 211 associações membros da Fifa nomeassem pelo menos um estádio ou local em seu país com o nome do maior jogador da história do futebol mundial.

“O mais importante é prestar homenagem ao Rei Pelé, e embora eu humildemente tenha sugerido que em todas as nossas 211 associações membros pelo menos um estádio ou local de futebol tenha o nome dele, daremos o exemplo dando o campo em nossa sede o nome ‘Estádio Pelé – Fifa Zurique'”, disse Infantino.

Gente com libido e transante incomoda, principalmente se for mulher

Por Milly Lacombe

Janja nem assumiu seu lugar no novo governo e já existe quem não a suporte. O comentário machista, misógino e pervertido de um desejo macabro de submissão da mulher feito por Eliane Cantanhêde na GloboNews apenas deu voz ao que muitos pensam: o que faz Janja achar que ela pode ser protagonista de qualquer coisa? Recolha-se ao seu lugar de esposa e limite-se a ser bela, recatada e do lar.
Janja não vai fazer isso, o que deixará muita gente incomodada e falando absurdos misóginos fantasiados de razoabilidade e de imparcialidade a respeito de seu comportamento. Janja vai ser uma primeira-dama como nenhuma outra, com tudo o que seu papel trará de novo, de revolucionário, de perturbador. Hoje pela manhã, acordei invocada com as frases ditas por Cantanhêde na TV sobre Janja. Na mesa do café da manhã, minha mulher me ouviu falar pacientemente e sem interromper.
Quando eu finalmente terminei de desabafar ela disse apenas: Janja incomoda porque é uma mulher livre. Pronto. Em segundos minha mulher, a antropóloga Paola Lins de Oliveira, tinha feito o que faz de costume: pega uma bola quadrada que voa sem rumo, deixa ela redonda e coloca no chão. Se você quiser parar de ler o texto aqui não tem problema porque era isso que eu queria dizer. Janja incomoda porque é uma mulher livre. Mas, se está com tempo, seguimos com a brilhante cabeça de Paola Lins de Oliveira: Janja não cabe em caixa nenhuma. Transante. Inteligente. Profissional. Sem filhos. Indomesticada. Insubmissa. Apaixonada pelo homem que está ao seu lado.
As pessoas, desacostumadas com uma primeira-dama como ela, não sabem acomodar Janja no lugar do que é ser mulher nos dias de hoje. Dona Ruth Cardoso foi uma primeira-dama com potencial para subverter a ordem, mas era uma mulher de seu tempo e fez o papel que estava sendo dado sem tentar protagonizar nada. Dona Ruth era uma mulher autônoma de personalidade introspectiva. Janja é uma mulher autônoma de personalidade extrovertida. Janja é militante, ativista, socióloga – veio para subverter a ordem. Até o fato de ela amar Lula tão explicitamente incomoda porque não se trata de um amor submisso, silencioso, passivo. “Gente com libido e transante incomoda, sobretudo uma mulher”, disse Paola entre goles de café. Esse transbordamento de liberdade que Janja exala é perturbador. E, para piorar os alicerces da família tradicional brasileira, ela é bonita e gostosa. Janja vai incomodar aliados, vai incomodar amigos, vai incomodar inimigos, vai incomodar a imprensa, vai incomodar geral.
Dona Marisa foi ridicularizada por acharem que ela fazia pouco; Janja vai ser por acharem que está fazendo demais. A expansiva incomoda, a introvertida incomoda, a calada incomoda, a falante incomoda. Não há lugar vazio de críticas quando se é mulher, especialmente se Lula for o marido. Janja vai causar e, mesmo sem querer, tirar a máscara de muita gente. Ao final, se posso arriscar um palpite, Lula será colocado em algumas situações como “o marido de Janja”.
E, se for assim, teremos ganhado todas.

Jader Filho assume Ministério das Cidades e anuncia prioridade máxima para o Minha Casa, Minha Vida

O novo ministro das Cidades, Jader Filho, assumiu o cargo nesta terça-feira 3, durante cerimônia em Brasília. Além de tratar de temas como saneamento, habitação e mobilidade, a pasta gerenciará a execução do Minha Casa, Minha Vida no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Em seu discurso, afirmou que conversará com governadores, prefeitos e parlamentares, diante do desafio de “realizar um governo participativo, que esteja aberto aos movimentos sociais”.

“São vocês que trazem novas experiências e a demanda organizada de parcela da população que ficou desassistida nos últimos anos”, disse. Ele confirmou a criação da Secretaria Nacional de Políticas para os Territórios Periféricos, a fim de “azeitar esse diálogo”.

Ele também afirmou ser necessário retomar “o mais rápido possível” as obras paralisadas e continuar aquelas em curso. Segundo o novo ministro, está em desenvolvimento um inventário para conhecer em detalhes o status de cada obra. “Precisamos reconstruir quase tudo nesta pasta, a começar pelo Minha Casa, Minha Vida. Um programa tão importante, reconhecido pela população, mas que infelizmente havia sido descontinuado. A minha marca será a das reconquistas na área social, e nela tem destaque mais do que especial o Minha Casa, Minha Vida”, reforçou.

Jader declarou que o déficit habitacional se tornou ainda mais crítico na pandemia e classificou como “desastroso” o fim do programa no governo de Jair Bolsonaro (PL). “Um dos principais caminhos para resolver essa chaga nacional é a retomada urgente do Minha Casa, Minha Vida. Os números passados atestam a importância do programa. Mais que os números, existem pessoas e famílias. A gente não pode dormir tranquilo enquanto milhões de brasileiros estão nas ruas, sem abrigo.”

O ato de posse de Jader no Ministério das Cidades foi muito concorrido, com a presença de pesos-pesados da política nacional, incluindo os outros dois ministros do MDB no governo Lula – Simone Tebet e Renan Filho -, ministro do PT (Aloizio Mercadante), líderes no Congresso, Randolfe Rodrigues (Rede) e Humberto Costa (PT). Cinco governadores prestigiaram a solenidade, bem como o ex-presidente da República, José Sarney, que compôs a mesa ao lado do senador Jader Barbalho (MDB-PA).

Baleia Rossi, presidente nacional do MDB, e Renan Calheiros também compareceram. Do Pará, vários políticos presentes: a ex-governadora Ana Júlia, o ex-senador Paulo Rocha e os deputados Iran Lima e Chicão.

Filho do senador Jader Barbalho e irmão do governador reeleito do Pará, Helder Barbalho, ambos do MDB, Jader Filho preside o diretório estadual da legenda desde setembro de 2021. O MDB tem três nomes na Esplanada dos Ministérios. Além de Jader, Simone Tebet chefia o Planejamento e Renan Filho comanda os Transportes.

PREFEITO DE BELÉM ELOGIA

“Em nome do prefeito Edmilson Rodrigues, cumprimento a todos os prefeitos do estado do Pará. A minha marca será a das reconquistas na área social e com destaque para o programa Minha Casa, Minha Vida”. Esse trecho do discurso de posse do ministro das Cidades do governo Lula, o paraense Jader Filho, acena com a cooperação esperada pelo Estado em futuras obras de saneamento e habitação, entre outras áreas.

O prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues, participou em Brasília da cerimônia ao lado de outras autoridades paraenses, como os senadores Jader Barbalho (MDB) e Beto Faro (PT), o governador Helder Barbalho (MDB), prefeitos de diversas cidades paraenses, além de vários ministros do novo governo e de representantes do movimento social. Edmilson Rodrigues participou também como representante da Frente Nacional de Prefeitos (FNP).

“Estou muito feliz de participar desse momento histórico, como prefeito e arquiteto urbanista, prestigiando a importância da reconstrução do Ministério das Cidades e a importância de termos um paraense, apaixonado pelo estado e por Belém, na condição de ministro”, comentou Edmilson. “Jader Barbalho Filho vai honrar o Ministério das Cidades e tenho certeza de que Belém vai ganhar muito”, comentou. (Com informações do G1 e CartaCapital)

Sobre ausências incômodas

POR GERSON NOGUEIRA

A carinhosa despedida que Santos, a cidade, proporcionou ontem a Pelé representou o sentimento de todo o povo brasileiro. Não era um funeral qualquer, eram os restos mortais de um Rei. Figura que transcende os campos de futebol, ele tornou-se maior que o próprio país diante do planeta, embora, por ironia, tenha engrandecido o Brasil a partir da explosão de seu talento ímpar como jogador.

O gênio que galvanizou plateias, encantou o mundo com gols e dribles, interrompeu uma guerra na África, foi indiscutivelmente um gigante, incomparável na história do esporte mais popular de todos. Conhecido em todos os lugares, amado e respeitado por todas as torcidas, Pelé era um ídolo global. Durante seus anos de reinado na terra foi o rosto mais conhecido de um país que precisa tanto de bons embaixadores.

Pois o Rei do futebol, cuja morte foi pranteada em todos os países e virou manchete nas capas dos 200 maiores jornais do mundo, foi carregado até a última morada pela calorosa presença da população de Santos, dos torcedores e ex-atletas do Peixe, mas estranhamente não teve a presença dos campeões mundiais de 2002 e nem dos atuais jogadores da Seleção.

A ausência constrangedora dessas pessoas não pode ser ignorada. Jogadores, técnicos e dirigentes representam a instituição chamada Futebol no Brasil. Mobilizam multidões, fazem a roda do dinheiro girar e têm a imagem de ídolos para milhões de crianças. Faltou empatia e gratidão para figuras do porte de Cafu (capitão do tetra), Dunga (capitão do penta), Ronaldo, Rivaldo, Kaká, Roberto Carlos, Ronaldinho Gaúcho, Romário, Bebeto, Vinícius Jr., Neymar, Tite, Felipão, Parreira.

Queria saber onde essa gente toda se escondeu. O que havia de tão inadiável para negar alguns minutos diante do caixão do Rei? Reverenciá-lo é um dever de todos os brasileiros amantes do esporte, mas é obrigação moral dos jogadores, que só são o que são porque Pelé e seus companheiros, lá atrás, abriram todos os caminhos. Há ainda a turma que passou pelo Santos e está hoje em outros clubes – e curtindo férias neste momento.

Gabigol, tão dado a fazer média com torcedor, não deu as caras. Bruno Henrique, também não. Paulo Henrique Ganso, idem. Todos que se omitiram nestes dois dias de velório contribuíram para confirmar a velha fama de alienados, que só se interessam por eventos que pagam cachê. No Qatar, um ato que tinha o futebol brasileiro como homenageado, só contou com a presença de um ex-atleta, o argentino Zanetti.

Esse comportamento, já bem conhecido, nem causa espanto, mas incomoda muito. Pelé foi homenageado por craques estrangeiros, mas ignorado por seus pares no Brasil. Uma vergonha sem precedentes.  

Um goleiro que honrou as cores do S. Francisco

Nosso querido Anselmo Gama, que nos deixou no último dia 26 de dezembro, aos 73 anos, não cansa de nos surpreender. Pelas mãos do jornalista e radialista Bena Santana, de Santarém, terra natal de ambos, recebo a fotografia do time do São Francisco formado em campo, antes de uma partida amistosa, nos idos de 1968. O registro foi feito no velho estádio Elinaldo Barbosa, no centro de Santarém

O guardião na foto é um sujeito longilíneo, com pinta de pegador de pênalti e vistosa camisa vinho. Ninguém menos que o Anselmo, que, talvez por humildade, não se gabava desse passado de boleiro. Socorro, sua esposa, confirmou que o nosso Índio foi de fato um guarda-metas na juventude.

Como homenagem póstuma, a coluna orgulhosamente reproduz a fotografia do goleiro que abandonou as luvas para virar jornalista e publicitário de imenso sucesso. E vamos à escalação do time: Guajará, Helvécio, Dias, Anselmo, Pão Doce e Acari (em pé); Cristóvão Sena, Ataualpa, Antônio José, Navarrinho e Amazonas (agachados).

LaLiga denuncia crimes de ódio contra Vinícius Jr.

Além de ação formalizada ao Comitê de Competição, a LaLiga espanhola apresentou ontem à Justiça denúncias referentes aos insultos racistas contra Vinicius Jr, ocorridos durante a partida entre Real Valladolid e Real Madrid. Uma denúncia criminal por crimes de ódio foi apresentada aos Juizados de Instrução de Valladolid, acompanhada das provas audiovisuais coletadas na investigação por meio de imagens e sons publicados em fontes abertas.

Por outro lado, foi apresentada uma queixa por insultos racistas à Comissão de Competições da RFEF e à Comissão Estatal contra a Violência, o Racismo, a Xenofobia e a Intolerância no Esporte, para estudo e avaliação sancionatória. A LaLiga garante que irá aumentar os esforços para erradicar qualquer tipo de violência, racismo ou xenofobia dentro e fora dos estádios.

A primeira providência será ampliar o número de oficiais de integridade da LaLiga presentes em partidas com risco de insultos racistas, a fim de garantir a identificação dos responsáveis por esse tipo de conduta.

Uma pausa até a volta do futebol

A partir de amanhã, a coluna dá uma ligeira pausa e concede folga aos 27 leais baluartes, para voltar no próximo dia 15 de janeiro, a uma semana da abertura do Campeonato Paraense.  

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 04)