Obrigado, Pelé!

Mais de 230 mil pessoas passaram pelo estádio do Santos para se despedir de Pelé. O Rei do Futebol morreu na quinta-feira (29), depois de um mês internado. Fãs do Pelé, de todas as idades, acompanharam o cortejo pelas ruas de Santos. Um menino, inclusive, fez questão de ver a passagem do caixão com o corpo do Rei do Futebol com uma camiseta verde e amarelo e os dizeres ‘Pelé Eterno’. O sepultamento, em memorial ecumênico, aconteceu no meio da tarde, diante de seus familiares e amigos mais próximos.

O caixão com o corpo de Pelé chegou em frente a casa da mãe dele, Celeste Arantes. Ela completou 100 anos em 20 de novembro, dia da abertura da Copa do Mundo. E é dela que Dico, apelido de menino de Pelé, vai se despedir.

Dona Celeste mora em uma residência na Avenida Joaquim Montenegro, o Canal 6, na Ponta da Praia. Ela é cuidada pela irmã de Pelé, Maria Lúcia, e sua única filha viva. No momento em que o cortejo passou pelo local, a irmã de Pelé, parentes e vizinhos foram até a sacada de uma das residências do condomínio. A mãe de Pelé não foi vista.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve em Santos, no litoral de São Paulo, para o velório de Edson Arantes do Nascimento, o Pelé. Ele estava acompanhando da primeira dama, Janja Lula da Silva. Em entrevista sobre o Rei do futebol, Lula ressaltou a humildade do ex-jogador e disse que o “Brasil deve muito a Pelé”.

Após a chegada do presidente, foi iniciada uma missa com o padre Toninho e padre Xavier, ambos de Santos. Acompanharam a celebração o prefeito de Santos, Rogégio Santos, o Ministro dos Portos e aeroportos, Marcio França, o deputado federal, Paulo Alexandre Barbosa, além de secretários municipais de Santos, vereadores municipais e o público que estava passando pelo estádio.

Durante o velório, Lula abraçou familiares de Pelé, que estiveram presentes na Vila Belmiro durante quase todo o velório. Por volta das 9h30, o presidente e a primeira-dama deixaram o local.

Em entrevista para a Santos TV, Lula contou que assistiu muitos jogos do Santos contra o Corinthians e que viu o Corinthians perder vários. Segundo ele, o Pelé tinha uma ‘obsessão de derrotar’ o Corinthians, o time do coração do presidente da república. “Ele obrigava a gente a ir em qualquer lugar assistir futebol, porque muitas vezes a gente não gosta só do nosso time, a gente gosta de alguém que dá espetáculo, alguém que é brilhante O Pelé simboliza tudo aquilo que é a ascensão da espécie humana. Tudo aquilo que a gente poder perceber da ascensão do ser humano foi o Pelé”.

O presidente também falou da personalidade de Pelé. Ele disse que o ex-jogador sempre foi um cidadão humilde e que sempre conversou de igual para igual com todo mundo. “Era um cidadão comum. Ele não se deixava levar pelo brilhantismo dele e pelo apogeu, nos maiores momentos de glória dele, quando encontrava com a Rainha da Inglaterra, quando ganhava um prêmio, ele era o mesmo de quando dava uma entrevista ou encontrava uma criança para conversar”, disse.

“O Pelé é uma figura muito especial. A gente não pode ficar comparando Pelé a ninguém, porque não tem ninguém comparável a Pelé em se tratando de jogador de futebol, de ser humano, e de comportamento, fino e educado que o Pelé tinha. Ele foi muito para o Brasil, foi muito para Santos, para a cidade de Santos, ele foi muito para São Paulo e ele foi muito para o Lula” , explicou o presidente.

Lula também disse que gostaria de que um documentário fosse feito mostrando para as novas gerações quem foi Pelé. E que as gravações fossem feitas em Santos.

“Além do futebol, ele vai ensinar um pouco de caráter, de humildade, de dignidade, e quem sabe vai ensinar um pouco as pessoas a serem mais humanistas, mais solidárias, mais fraternas. Foi tudo isso que Pelé foi. Por isso acho que o mundo deve ao Pelé muita coisa, sobretudo a dignidade de um homem que nasceu pobre, negro, em um país onde o preconceito é muito vivo, e o Pelé nunca se importou com isso. Ele sempre soube ser Pelé, o melhor e mais humilde”

Lula ainda disse que lamenta profundamente a perda do Rei do Futebol. Ele contou que teve a oportunidade de ir ao Pacaembu ver o Pelé jogar muitas vezes. “Não vou ver daqui para frente nunca mais o Pelé jogar, a não ser que eu fique assistindo filmes com gols do Pelé, que são muitos. Todos nós devemos um pouco ao Pelé, e o Brasil deve muito”, finalizou.

Membros de torcidas organizadas do Santos levam bandeiras do time em homenagem à Pelé durante o cortejo pelas ruas de Santos

(Com informações de UOL, Folha SP e Metrópoles)

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