Nelson Rodrigues coroou Pelé três meses antes da Copa de 58

Por Leandro Stein, no Trivela

Pelé se eternizou além dos lances. Também se colocou acima dos números. Não se resume apenas à fama. É a aura que torna Pelé tão grandioso ao futebol. Porque, afinal, o camisa 10 lendário deixou de ser um simples humano há décadas. O craque é, na verdade, uma entidade – e por isso às vezes a gente perde de vista o que foi, ou diminua o homem falível. Não há sinônimo maior de futebol do que Pelé. E, por isso mesmo, o que carrega consigo acaba sendo muito mais sublime. É literatura, prosa de uma conquista ou poesia de um lance. É pintura, pincelada em seus gols. É música, resumida pela voz empolgada dos narradores que tiveram a honra de transmitir suas façanhas. Arte no estado mais puro e, ao mesmo tempo, mitológico. Pois o que importa, toque de exagero em uma realidade já superlativa, é o encantamento que todo mundo aguarda como clímax diante da bola.

Entre aqueles que melhor resumiram Pelé, está Nelson Rodrigues. E a pena privilegiada do cronista teve ares proféticos em 8 de março de 1958, a três meses do garoto de 17 anos eclodir na Copa do Mundo. Um reles America x Santos tornou-se caminho à coroação, possibilitada pelas palavras impressas na coluna do carioca na Manchete Esportiva. Classe em campo e no papel, que ajudam a sustentar essa aura do Rei.

A realeza de Pelé, por Nelson Rodrigues

(Manchete Esportiva, 8 de março de 1958)

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